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Vazamento de gás em Manaus: Suframa exige esclarecimentos e monitora impactos no Distrito Industrial

© João Viana / Secom/ Gov. Manaus
© João Viana / Secom/ Gov. Manaus

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) posicionou-se nesta quinta-feira (16) sobre o vazamento de gás ocorrido na tarde de quarta-feira (15) em um dos tanques de monômero de estireno da unidade IV da empresa petroquímica Innova, localizada no estratégico Distrito Industrial de Manaus. A autarquia informou que está em processo de monitoramento contínuo dos impactos do incidente e exige esclarecimentos detalhados da companhia.

O episódio, que gerou um forte odor perceptível em diversas regiões da capital amazonense, reacendeu o debate sobre a segurança industrial e a coordenação entre os órgãos públicos e as empresas que operam em áreas de grande concentração populacional e econômica. A Suframa, em nota oficial, destacou que acompanha de perto o desenrolar da situação e solicitou informações pormenorizadas sobre as medidas de contenção adotadas e os efeitos da ocorrência na regularidade do projeto aprovado, bem como nas condições de uso do lote.

Suframa cobra responsabilidade e coordenação no Distrito Industrial

A Suframa enfatizou a responsabilidade intrínseca das empresas em garantir a segurança de suas instalações. A superintendência ressaltou que o Distrito Industrial de Manaus é um espaço de competências compartilhadas, exigindo um protocolo de atuação coordenado entre entidades públicas federais, estaduais e municipais em casos de sinistros como o ocorrido.

Em suas atribuições, a Suframa gerencia os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, analisa projetos industriais e administra os lotes de sua propriedade. Contudo, a operação segura das instalações é uma obrigação direta da empresa, conforme as licenças que detém. A autarquia assegurou que a apuração das causas e suas decorrências sanitárias, ambientais e de saúde do trabalhador será feita pelos órgãos competentes, e a Suframa acompanhará integralmente os resultados.

O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, utilizou suas redes sociais para reforçar o acompanhamento da situação, destacando a segurança das atividades industriais e a proteção da população como prioridades. “A preocupação da Suframa é com os trabalhadores que aqui labutam e com os trabalhadores que estão no entorno do Distrito Industrial”, afirmou Montenegro, garantindo que a autarquia prestará todo o suporte necessário na avaliação das etapas produtivas e dos incentivos fiscais.

Impactos na saúde e rotina dos trabalhadores

Apesar da gravidade do incidente, que levou a Suframa a recomendar a liberação de trabalhadores e a adotar o regime de trabalho remoto para seus servidores, a realidade em algumas empresas do Distrito Industrial foi diferente. Muitos funcionários relataram ter sido obrigados a comparecer presencialmente ao trabalho, mesmo com o forte odor de gás ainda presente na região.

Em depoimentos anônimos à imprensa, trabalhadores descreveram sintomas como enjoo, olhos coçando, dor de cabeça e nariz escorrendo. Um funcionário de uma empresa a cerca de dois quilômetros da Innova comparou o cheiro a “thinner, tinta, um cheiro que não fedia muito, mas era sufocante, como ficar cercado de paredes que acabaram de ser pintadas”. Outro relatou ter tentado solicitar dispensa, sendo orientado a procurar um médico e apresentar atestado. Alguns trabalhadores chegaram a usar máscaras faciais por conta própria para tentar mitigar os efeitos.

A Secretaria de Estado de Saúde confirmou que 16 pessoas buscaram atendimento em unidades da rede estadual de saúde na quarta-feira (15) em decorrência do vazamento. A Prefeitura de Manaus, por sua vez, decretou estado de alerta e recomendou que a população evite circular pela área afetada e, em casa, feche portas e janelas caso sinta o odor. Também orientou a busca por atendimento médico em caso de sintomas como falta de ar, tosse intensa, dor no peito, tontura, desmaio ou ardência nos olhos e na garganta.

Detalhes do incidente e resposta de emergência

O vazamento, que teve início por volta das 17h36 de quarta-feira (15), foi controlado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) com o apoio de cerca de dez viaturas, quatro canhões de água e 35 homens, além dos brigadistas da própria empresa. Segundo o CBMAM, o incidente ocorreu em um dos tanques da Innova e foi provocado pelo próprio sistema de segurança do equipamento, acionado para evitar uma possível explosão devido a uma elevação anormal de temperatura do líquido.

A Innova, em nota, informou que “não houve vítimas de qualquer natureza” e que a “intercorrência foi controlada”. A empresa detalhou que a liberação de vapores ocorreu de forma controlada pelos dispositivos de segurança e que todo o resíduo proveniente recebeu destinação adequada para tratamento. Apesar do cheiro forte, a Innova assegurou que “não há risco à saúde das pessoas e de contaminação ao meio ambiente”, uma afirmação que contrasta com os relatos de trabalhadores e as recomendações das autoridades de saúde.

A situação no Distrito Industrial de Manaus sublinha a importância da fiscalização rigorosa e da comunicação transparente em casos de emergência. A atuação coordenada entre órgãos reguladores, empresas e a comunidade é fundamental para garantir a segurança e a saúde pública em um polo industrial tão vital para a economia regional e nacional.

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