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Falha em arma salva vida de mulher em Vespasiano durante tentativa de feminicídio

Falha em arma salva vida de mulher em Vespasiano durante tentativa de feminicídio
Foto: TV Globo/ Reprodução

A cidade de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi palco de um evento que desafia a lógica e ressalta a fragilidade da vida diante da violência de gênero. Na última quarta-feira (15), a trancista e empresária Susi Monteiro, de 40 anos, escapou por pouco de uma tentativa de feminicídio, atribuindo sua sobrevivência a um verdadeiro milagre. O ex-companheiro, de 37 anos, foi preso em flagrante após a arma que ele tentou usar contra Susi falhar no momento crucial, um detalhe técnico que se revelou a diferença entre a vida e a morte.

“Eu me vi morta ali. Eu acredito que estou viva por um milagre mesmo. Foi Deus que me deu essa segunda chance”, desabafou Susi, ainda em choque com a brutalidade da experiência que viveu. O caso reacende o debate sobre a persistência da violência doméstica e a importância de identificar e agir diante dos sinais de um relacionamento abusivo.

O fim do relacionamento e a emboscada

O relacionamento de Susi e seu ex-companheiro durou cerca de dois anos e havia chegado ao fim há aproximadamente duas semanas. Um período curto, mas suficiente para que a ruptura desencadeasse uma reação violenta e premeditada por parte do homem. O cenário da tentativa de crime foi a própria casa da vítima, um local que deveria ser de segurança e refúgio.

Susi relatou que o ex-parceiro a abordou em uma moto em frente ao imóvel. Sob o pretexto de uma conversa, ele a forçou a entrar na garagem, um espaço que rapidamente se transformou em uma armadilha. “Ele fechou o portão, tirou o revólver e falou: ‘Vamos fazer o seguinte: eu estou sofrendo demais e vamos acabar com essa história toda. Eu vou tirar minha vida, mas primeiro eu vou tirar a sua. Vamos acabar com isso logo'”, contou Susi, revivendo os momentos de terror. Foi nesse instante que a arma, um revólver, “mascou”, ou seja, falhou em disparar.

A fuga desesperada e a intervenção

A providencial falha da arma abriu uma janela de oportunidade para Susi. No mesmo instante, uma cliente chegou ao imóvel e bateu no portão, criando uma distração vital. A vítima não hesitou: aproveitou a chance para fugir desesperadamente. Imagens de câmeras de segurança registraram Susi correndo pela rua em direção a uma escola localizada em frente à sua casa, buscando refúgio e ajuda.

O agressor tentou segui-la para dentro da instituição de ensino, mas foi impedido pela rápida e corajosa intervenção de um funcionário da escola. Dentro do local, em segurança, Susi conseguiu acionar a Polícia Militar. A resposta foi rápida, e o homem foi detido pelas autoridades enquanto saía da casa da ex-companheira, onde a moto utilizada na abordagem permaneceu na garagem.

O detalhe técnico que salvou uma vida

A investigação policial revelou um fator crucial para a sobrevivência de Susi: a incompatibilidade das munições. A pistola semiautomática, calibre 380, estava municiada não apenas com cartuchos de seu calibre correto, mas também com munições calibre 9 mm. O tenente-coronel Diego Silva, da Polícia Militar, explicou a falha técnica que se tornou um milagre para Susi.

“A arma era uma pistola semiautomática calibre 380, estava municiada com munições de 380, mas também com munições calibre 9 mm. Essas munições calibre 9 mm, por serem incompatíveis com a arma, não chegaram a ser deflagradas, o que acabou salvando a vida da vítima”, detalhou o tenente-coronel. A arma foi encontrada escondida em um banheiro em obras na residência, indicando a tentativa do agressor de ocultar o instrumento do crime.

Repercussão, proteção e o alerta contra a violência de gênero

Após o ocorrido, Susi Monteiro conseguiu uma medida protetiva contra o ex-companheiro, um instrumento legal fundamental para garantir a segurança de vítimas de violência doméstica. Mãe solo de três filhos, ela agora enfrenta o desafio de recomeçar a vida, marcada pela experiência traumática, mas fortalecida pela segunda chance que recebeu.

O caso de Susi é um lembrete doloroso da realidade da violência de gênero no Brasil, onde o feminicídio, tipificado pela Lei 13.104/2015, é a expressão máxima desse tipo de agressão. A lei define o feminicídio como o assassinato de uma mulher “por razões da condição de sexo feminino”, incluindo violência doméstica e familiar ou menosprezo/discriminação à condição de mulher. A história de Susi ressalta a importância da denúncia e da atenção aos sinais de alerta.

“Hoje foi comigo, e eu não desejo isso para ninguém. O meu conselho hoje, que dou para todas as mulheres, é para não ignorar sinais, por menores que sejam”, alertou Susi, transformando sua experiência em um chamado à vigilância. A conscientização sobre os ciclos de violência e a busca por ajuda em redes de apoio, como delegacias especializadas, centros de referência e organizações não governamentais, são passos cruciais para romper o ciclo da violência e proteger vidas.

Para mais informações sobre a Lei do Feminicídio e como buscar ajuda, consulte o portal do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

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