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Consumidores denunciam constrangimento e preços abusivos em stand de doces na Expocrato

Consumidores denunciam constrangimento e preços abusivos em stand de doces na Expocrato
Reprodução G1

Fiscalização aponta irregularidades em stand de doces

A participação da Doceria Deleites na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Ceará, tornou-se alvo de uma série de denúncias por parte de consumidores. Relatos de clientes apontam uma dinâmica de venda que, segundo os frequentadores, utiliza o constrangimento como forma de forçar o pagamento de valores elevados, que em alguns casos chegaram a R$ 330. A repercussão negativa do caso motivou uma ação do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), do Ministério Público do Ceará (MPCE).

Durante a fiscalização, o órgão constatou que a precificação no estabelecimento não seguia as normas de clareza exigidas pelo Código de Defesa do Consumidor. A ausência de informações precisas sobre o peso ou o valor final das porções antes do corte impossibilitava que o cliente tivesse noção real do custo da compra. O MPCE notificou a empresa, alertando que a falta de adequações imediatas pode resultar na interdição do stand no evento.

Relatos de coação e constrangimento público

Diversos clientes relataram situações de forte pressão psicológica no momento da pesagem. Priscila Justino, que viajou de Granito para visitar a feira, afirmou ter sido coagida a finalizar a compra após o vendedor cortar porções maiores do que as solicitadas. Segundo ela, o funcionário alegou que, uma vez cortado, o produto não poderia retornar à vitrine, ignorando as tentativas da cliente de desistir ou reduzir o pedido.

O cenário de tensão se repetia no caixa, onde, segundo relatos, funcionários insistiam na obrigatoriedade do pagamento, gerando situações de exposição pública. O biólogo Márcio Holanda, que pagou R$ 177 por dois pedaços de doce, descreveu ter se sentido atordoado pela abordagem agressiva. “Fiquei tão constrangido que cheguei a parcelar no cartão, mesmo sem ter o costume de usar esse meio de pagamento”, relatou.

Defesa da empresa e o argumento do corte

Em resposta às acusações que circulam nas redes sociais, um representante da Doceria Deleites, identificado como Fausto, negou a existência de qualquer prática de “golpe”. Em vídeo publicado pela empresa, ele defendeu que o modelo de negócio é baseado na liberdade de escolha do cliente, que indica o tamanho da fatia desejada. A empresa sustenta que, por questões de normas sanitárias, o produto cortado não pode ser reaproveitado, o que justificaria a cobrança obrigatória após o fracionamento.

Apesar da defesa, a empresa não se manifestou especificamente sobre as denúncias de tratamento agressivo e coação relatadas pelos consumidores. O caso levanta um debate importante sobre os direitos do consumidor em eventos de grande porte e a responsabilidade dos organizadores em garantir que os expositores sigam as normas vigentes de transparência e respeito ao público.

O papel do consumidor e a proteção legal

Especialistas em direito do consumidor reforçam que, mesmo em situações de venda fracionada, o cliente tem o direito à informação clara e prévia. A prática de induzir o consumidor ao erro, omitindo o peso final ou impedindo a desistência antes da conclusão da transação, configura infração. O empresário Breno de Freitas, que conseguiu evitar a compra após perceber a manobra, destacou a importância de denunciar para proteger pessoas mais vulneráveis, como idosos, que poderiam ser facilmente intimidados pela pressão dos vendedores.

Para acompanhar os desdobramentos desta fiscalização e outras notícias relevantes sobre o cotidiano e os direitos do cidadão, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, com a seriedade e a variedade que o seu dia a dia exige.

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