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Epic Games Store retorna ao iPhone no Brasil com foco em concorrência

Epic Games Store retorna ao iPhone no Brasil com foco em concorrência
Foto: Divulgação/Epic Games

A Epic Games Store está oficialmente de volta ao ecossistema iOS no Brasil. Após um hiato de aproximadamente seis anos, a loja de aplicativos da desenvolvedora de Fortnite volta a permitir que usuários de iPhone instalem seus títulos diretamente, sem a necessidade de passar exclusivamente pela App Store da Apple. O movimento, que teve início nesta quinta-feira (30), é um desdobramento direto da longa disputa judicial e regulatória entre as duas gigantes da tecnologia.

O retorno da loja e a estratégia de mercado

A chegada da plataforma ao mercado brasileiro oferece aos usuários o acesso direto a títulos como Fortnite e Rocket League Sideswipe. Além da conveniência, a Epic aposta em um incentivo financeiro: um cashback de 20% em compras realizadas dentro da plataforma. Segundo a empresa, esse benefício é inviável dentro da loja oficial da Apple devido às políticas de taxas e restrições impostas pela fabricante do iPhone, que a desenvolvedora classifica como predatórias.

O processo de instalação, contudo, não é automático. Para viabilizar o acesso, o usuário deve acessar o site oficial da Epic Games e seguir um fluxo de autorização nas configurações do sistema, que exige a permissão explícita para que a “Epic Games Inc” instale um marketplace de aplicativos. A empresa critica essa burocracia, alegando que a Apple desenhou um caminho com nove etapas para desencorajar o uso de alternativas.

Tensões e críticas à política da Apple

Em entrevista coletiva, o CEO da Epic Games, Tim Sweeney, não poupou críticas à conduta da Apple. O executivo comparou a experiência brasileira com a europeia, onde a pressão de órgãos reguladores forçou a Apple a reduzir o processo de instalação de 15 para seis etapas. Segundo a Epic, essa simplificação na União Europeia resultou em uma queda de 60% na taxa de abandono durante a instalação da loja.

Além da complexidade de instalação, Sweeney apontou uma série de taxas que considera abusivas. Entre elas, destacam-se a cobrança de 21% sobre compras feitas com sistemas de pagamento de terceiros e uma taxa de 5% sobre transações em lojas alternativas. A exigência de que desenvolvedores reportem à Apple todas as transações realizadas fora de sua plataforma também foi alvo de questionamentos, com a Epic alegando que isso expõe informações comerciais confidenciais.

Impacto financeiro e futuro da plataforma

Questionado sobre os prejuízos causados pela ausência da loja no Brasil, Sweeney afirmou que o impacto financeiro, na casa das centenas de milhões de dólares, é apenas uma parte do problema. Para o executivo, o dano mais grave é a limitação de alcance e a barreira imposta à inovação no setor de jogos móveis. Ele reforçou que a empresa já apresentou essas preocupações às autoridades brasileiras de defesa da concorrência, buscando um ambiente de mercado mais equilibrado.

Por enquanto, o catálogo da Epic Games Store no iOS brasileiro é composto apenas por jogos da própria desenvolvedora. O plano, no entanto, é expandir a oferta conforme a empresa se adequa aos requisitos técnicos impostos pela Apple para a operação de marketplaces de terceiros. Para incentivar a adesão, a Epic lançou recompensas exclusivas, como a skin Yeddy, disponível para jogadores que baixarem o Fortnite e completarem missões específicas até 10 de agosto de 2026.

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