A justiça de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, proferiu uma sentença de 17 anos e seis meses de reclusão contra Evandro Gomes dos Santos, acusado de assassinar um instrutor de autoescola. A decisão foi anunciada durante um júri popular realizado na terça-feira (4), marcando um novo capítulo em um caso que chocou a comunidade local e levantou questões sobre premeditação e motivação.
O crime, classificado como homicídio qualificado, vitimou Ramon Dierik Alves da Silva em 18 de setembro de 2024. O instrutor foi morto a tiros no bairro Renascença, por volta das 6h30 da manhã, enquanto se dirigia ao trabalho, em um ato que as autoridades descreveram como meticulosamente planejado.
O Crime e a Investigação Inicial em Montes Claros
A manhã do dia 18 de setembro de 2024 começou de forma trágica para a família de Ramon Dierik Alves da Silva. O instrutor de autoescola, em sua rotina diária, foi surpreendido e alvejado fatalmente. A cena do crime no bairro Renascença rapidamente mobilizou as forças de segurança, que iniciaram uma apuração minuciosa para desvendar os fatos.
Desde os primeiros momentos, a Polícia Civil e a Polícia Militar trabalharam em conjunto para coletar evidências. A delegada Francielle Drumond, responsável pelo caso, destacou que a investigação apontou para um cenário de premeditação, com o autor do crime demonstrando conhecimento prévio do itinerário da vítima e adotando medidas para dificultar a própria identificação e captura.
A Trama da Premeditação e a Motivação Suspeita
As evidências coletadas pela polícia revelaram um planejamento detalhado por parte de Evandro Gomes dos Santos. Câmeras de segurança da residência do acusado foram desligadas por volta das 5h50, pouco antes do homicídio, um indício claro de que o ato foi premeditado. Além disso, foi comprovado que Evandro conhecia o trajeto diário de Ramon, o que permitiu a emboscada.
A motivação, embora não comprovada judicialmente, foi apontada pela delegada como um possível relacionamento extraconjugal entre a esposa do acusado e a vítima. A esposa de Evandro havia sido aluna de Ramon, o que teria gerado um contexto de ciúmes e ressentimento. Para tentar criar um álibi, Evandro utilizou a rotina de levar os filhos à escola, na tentativa de desviar o foco da investigação.
A Captura do Acusado e os Detalhes da Prisão
A prisão de Evandro Gomes dos Santos ocorreu em 25 de janeiro de 2025, após a expedição de um mandado judicial. A Inteligência da Polícia Militar desempenhou um papel crucial na localização do acusado, que, segundo o tenente-coronel Wellington Mourão, comandante do 50º Batalhão da Polícia Militar, também havia premeditado sua fuga, buscando refúgio em áreas rurais e, posteriormente, no bairro Alterosa.
Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram que Evandro já havia ameaçado o instrutor anteriormente, reforçando a tese de um crime passional e premeditado. Devido à informação de que a esposa do acusado possuía uma pistola 9mm registrada em seu nome, uma equipe especializada foi acionada para realizar a abordagem, garantindo a segurança da operação. No entanto, os laudos periciais de balística confirmaram que a arma utilizada no homicídio foi um revólver calibre 38, e não a pistola registrada.
O Julgamento do Homicídio em Montes Claros e os Recursos
A condenação de Evandro Gomes dos Santos a 17 anos e seis meses de prisão por homicídio qualificado representa uma etapa significativa no processo judicial. Contudo, a decisão não encerra o caso, pois tanto a defesa quanto o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) anunciaram que irão recorrer.
O advogado de defesa, Claudio Antunes de Sá, manifestou “integral inconformismo com a decisão do Conselho de Sentença”, argumentando que o “veredicto dos jurados confronta diretamente as provas do processo” e que “os elementos contidos nos autos comprovam que o réu não praticou o fato delituoso”. Por outro lado, o MPMG também recorrerá, buscando o aumento da pena. A promotoria alega que a sentença não considerou os maus antecedentes do réu, que já possui duas condenações por roubo, e a ausência de fixação de reparação mínima de danos às vítimas indiretas, os familiares de Ramon Dierik. Para mais informações sobre o sistema judiciário e os processos de recurso, consulte o Ministério Público de Minas Gerais.
Este caso complexo continua a ser acompanhado de perto pela comunidade e pelas autoridades. Para ficar por dentro de todas as atualizações sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec, seu portal de informação confiável e aprofundada, com compromisso com a verdade e a contextualização dos fatos.