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Deepfake: como agir e proteger sua imagem após uso indevido por IA

Deepfake: como agir e proteger sua imagem após uso indevido por IA
Foto: Arte: TechTudo

A ascensão dos deepfakes e o impacto na vida pública

O uso indevido da imagem da atriz Paolla Oliveira em anúncios falsos, criados por meio de inteligência artificial, trouxe à tona um debate urgente sobre a segurança digital. A técnica, conhecida como deepfake, utiliza algoritmos avançados para manipular vídeos, áudios e fotografias, replicando com precisão impressionante o rosto e a voz de qualquer indivíduo. O que antes era uma tecnologia restrita a produções cinematográficas de alto orçamento, hoje está acessível a qualquer pessoa com acesso à rede, tornando-se uma ferramenta perigosa para a disseminação de fraudes, golpes financeiros e desinformação.

Embora figuras públicas como Paolla Oliveira, William Bonner e Ana Maria Braga sejam alvos frequentes devido à sua alta exposição, o risco é democrático. Qualquer usuário que mantenha fotos ou vídeos em redes sociais pode ter seu conteúdo capturado e transformado em material ilícito. O objetivo dos criminosos varia desde a venda de produtos inexistentes até a extorsão e o constrangimento, utilizando a confiança que a imagem da vítima transmite para enganar terceiros.

Protocolo de ação imediata ao identificar a fraude

Ao se deparar com uma montagem que utiliza sua identidade, a reação imediata costuma ser a exclusão do conteúdo. Contudo, o advogado Alexander Coelho, especialista em Direito Digital e Inteligência Artificial, alerta que a pressa pode ser prejudicial. O primeiro passo deve ser a preservação rigorosa das evidências. É fundamental registrar capturas de tela, gravar a navegação, salvar as URLs e anotar data e horário da publicação antes de qualquer tentativa de remoção.

Após garantir que as provas estão documentadas, o próximo movimento é a denúncia formal nos canais das plataformas onde o material foi veiculado. Redes sociais possuem mecanismos específicos para violação de direitos de imagem. Paralelamente, em casos que envolvem crimes como extorsão ou fraude, o registro de um boletim de ocorrência é indispensável para formalizar a investigação policial. A busca por orientação jurídica especializada também é recomendada para solicitar, via judicial, a preservação de registros eletrônicos que ajudem a identificar os autores.

Erros comuns que comprometem a investigação

A inexperiência diante de um crime digital leva muitas vítimas a cometerem erros que dificultam a punição dos responsáveis. Deletar o post sem salvar evidências é o equívoco mais frequente, pois elimina o rastro digital necessário para o rastreamento da origem da fraude. Além disso, a demora em notificar as plataformas permite que o conteúdo viralize, aumentando o dano à reputação e o alcance do golpe.

Outro ponto de atenção é a crença de que apenas o criador do deepfake pode ser responsabilizado. A legislação brasileira permite que a responsabilidade alcance toda a cadeia de disseminação. Isso significa que pessoas ou empresas que compartilham, anunciam ou lucram com o material ilícito também podem responder civil e criminalmente. A omissão em buscar auxílio jurídico profissional logo nos primeiros momentos é um fator que, frequentemente, impede a reparação dos danos sofridos.

Amparo legal e proteção da imagem no Brasil

Embora o país ainda não possua uma legislação específica e exclusiva para deepfakes, o ordenamento jurídico brasileiro oferece proteção robusta através da Constituição Federal e do Código Civil. Esses dispositivos garantem a inviolabilidade da honra, da imagem e da intimidade. A vítima tem o direito de buscar indenizações por danos morais e materiais decorrentes do uso indevido de sua identidade.

O Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também servem como pilares para exigir que plataformas removam conteúdos ilícitos e colaborem com a justiça. A proteção da identidade digital é um direito fundamental, e a jurisprudência brasileira tem se mostrado cada vez mais atenta à necessidade de punir o uso malicioso da inteligência artificial. Para saber mais sobre como se proteger no ambiente digital, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec, seu compromisso diário com a informação relevante e a segurança tecnológica.

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