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Dívida, segurança e privatização pautam o primeiro debate dos candidatos ao governo de Minas Gerais

Dívida, segurança e privatização pautam o primeiro debate dos candidatos ao governo de Minas Gerais

Os eleitores de Minas Gerais tiveram o primeiro grande confronto de ideias entre os candidatos ao governo do estado neste domingo, 16 de agosto de 2026. Realizado pela Band, o debate reuniu Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD) para discutir temas cruciais que afetam a vida dos mineiros. O encontro, inicialmente agendado para a semana anterior, foi adiado devido a indefinições nas candidaturas.

O debate foi estruturado em quatro blocos dinâmicos, com perguntas do mediador, questionamentos de jornalistas e embates diretos entre os postulantes ao Palácio da Liberdade. A ausência de Patrus Ananias (PT), que justificou a falta por um evento com o presidente Lula (PT) em São Paulo, foi notada, mas não diminuiu a intensidade dos confrontos sobre a dívida estadual, segurança pública, privatização e outros pontos sensíveis.

A Dívida de Minas Gerais no Centro da Discussão

A situação financeira do estado foi o ponto de partida do debate, com os candidatos apresentando suas visões para os primeiros 100 dias de governo. A dívida de Minas Gerais com a União, um passivo que se arrasta por anos, gerou diferentes propostas e críticas.

Alexandre Kalil (PDT) foi enfático ao criticar o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), classificando-o como uma “agressão a Minas Gerais”. Para o candidato, as regras atuais comprometem a capacidade financeira do estado e sua prioridade seria buscar uma nova negociação em Brasília.

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) defendeu o diálogo com o próximo presidente da República, independentemente do partido. Ele apontou a revisão de benefícios fiscais, o combate à sonegação e o aumento da arrecadação como caminhos para a redução do endividamento, ressaltando que nenhum governador conseguiria quitar o passivo em um único mandato.

Flávio Roscoe (PL) prometeu mobilizar a bancada mineira no Congresso Nacional para renegociar as condições do Propag, que, em sua visão, limita investimentos públicos. Roscoe também propôs a redução de entraves burocráticos para estimular o empreendedorismo e, consequentemente, ampliar a arrecadação estadual.

Em defesa do acordo, Gabriel Azevedo (MDB) argumentou que o programa foi amplamente debatido e permite ao estado quitar o débito sem juros, desde que haja controle de despesas. Ele propôs equilibrar as contas públicas, rever incentivos fiscais e criar um órgão independente para monitorar os gastos governamentais. Para aprofundar o entendimento sobre o tema, o Portal de Notícias do Kardec recomenda a leitura de análises sobre a dívida de Minas Gerais.

O governador Mateus Simões (PSD) defendeu a gestão atual, afirmando que parte da dívida já foi reduzida e que as negociações com a União devem continuar. Ele criticou o governo federal, alegando que Minas não recebe investimentos proporcionais aos recursos enviados, e cobrou agilidade na análise das propostas estaduais para o pagamento do débito.

Segurança Pública e o Combate ao Feminicídio

Um dos momentos de maior tensão foi o confronto direto entre Mateus Simões e Alexandre Kalil sobre o feminicídio e a segurança pública. Simões questionou Kalil sobre declarações de 2022 a respeito da violência doméstica, pedindo explicações sobre seu posicionamento.

Kalil, por sua vez, direcionou as críticas à segurança pública em Minas, apontando a falta de policiais, a política salarial da categoria e o enfraquecimento da estrutura de proteção às mulheres. Ele citou a criação da Casa Sempre Viva, em sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte, como exemplo de ação para acolhimento de vítimas.

Na réplica, Simões acusou Kalil de transferir a responsabilidade e defendeu as ações de sua gestão, destacando que as polícias Militar e Civil são comandadas por mulheres e mencionando a ampliação de delegacias especializadas e programas de acompanhamento de vítimas. Kalil, na tréplica, reiterou a eficácia de suas políticas como prefeito e manteve as críticas à perda de capacidade de resposta do estado na segurança e no atendimento às mulheres.

O Futuro da Cemig e a Privatização em Debate

A possível privatização da Cemig, a Companhia Energética de Minas Gerais, foi outro tema que gerou forte debate entre Cleitinho Azevedo e Gabriel Azevedo. Cleitinho se posicionou contra a venda da estatal, citando seu lucro anual de R$ 5 bilhões, mas criticou a empresa por ter se tornado um “cabide de emprego e negociação política”. Ele defendeu que o lucro deveria se reverter em tarifas mais baratas para cidadãos e produtores rurais.

Gabriel Azevedo concordou com a oposição à privatização, afirmando que a Cemig “já está sendo privatizada” informalmente ao se tornar um “feudo de indicação política”. Ele revelou que a estatal foi avaliada em R$ 13,5 bilhões e incluída na lista de R$ 88 bilhões em ativos oferecidos pelo governo do estado à União para amortizar 20% da dívida pública. Gabriel prometeu que, em seu governo, a Cemig não será privatizada e investirá em tecnologia fotovoltaica, exploração de lítio e pesquisas para baratear a conta de luz.

Mineração, Infraestrutura e IPVA: Outros Pontos de Tensão

A mineração na Serra do Curral foi abordada em um embate entre Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe. Roscoe defendeu a mineração legal como “vital” para a economia do estado, argumentando que o setor ajuda a preservar áreas de conservação. Ele frisou que a Serra do Curral é tombada e deve ser preservada, com punição rigorosa para empreendimentos irregulares.

Gabriel Azevedo rebateu, propondo a criação do Parque Metropolitano da Serra do Curral para proibir a mineração no local. Ele também sugeriu um fundo soberano para que os recursos da mineração sejam aplicados em desenvolvimento educacional e infraestrutura, como ferrovias, em vez de gastos correntes.

A infraestrutura das rodovias estaduais foi questionada por Flávio Roscoe a Mateus Simões, que destacou o maior volume de investimentos em recuperação asfáltica das últimas três décadas, mas admitiu a necessidade de R$ 4 bilhões anuais, contra os R$ 2 bilhões atualmente investidos.

O IPVA e a apreensão de veículos também geraram debate entre Cleitinho Azevedo e Gabriel Azevedo. Cleitinho se mostrou contra a apreensão de carros apenas por débitos do imposto, prometendo impedir tal prática por decreto, caso eleito. Gabriel criticou a política tributária do estado, que, segundo ele, penaliza pequenos contribuintes enquanto beneficia grandes empresas.

O debate ainda abordou propostas para trabalhadores por aplicativo, com Gabriel Azevedo questionando Alexandre Kalil sobre o tema. Kalil defendeu seu histórico de diálogo e negou ter atuado contra a categoria, ironizando as críticas do adversário. O primeiro debate eleitoral em Minas Gerais foi um palco de intensos confrontos e propostas, delineando os caminhos que os candidatos pretendem seguir para o futuro do estado.

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