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Medicamento do SUS impulsiona queda recorde de malária no Brasil

Medicamento do SUS impulsiona queda recorde de malária no Brasil
© Alex Pazuello/Secom

O Brasil alcançou um marco histórico na luta contra a malária, registrando a menor taxa de casos da doença em 47 anos. Os dados, divulgados pelo Ministério da Saúde, apontam uma significativa redução de 30% nas mortes em 2025, com os óbitos caindo de 56 em 2024 para 39 no ano passado. Além disso, os casos da forma mais grave da doença tiveram uma retração de 30,7%.

No total, foram 118.037 registros de malária contraídos em território nacional em 2025, representando um recuo de 15% em comparação com 2024. Este número é o menor desde 1978, consolidando um avanço notável na saúde pública brasileira, impulsionado, em grande parte, pela introdução de um novo medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Queda histórica e o papel da tafenoquina

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, celebrou os resultados durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília. “Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história”, afirmou Padilha, destacando a relevância do feito para a saúde do país.

Essa queda expressiva é atribuída principalmente à oferta da tafenoquina no SUS, um medicamento utilizado em dose única desde 2024 para prevenir novas manifestações da malária. A estratégia foi complementada pela ampliação do diagnóstico, com maior oferta de testes e tratamento adequado, formando um conjunto de ações eficazes no combate à doença.

Tafenoquina: um avanço no tratamento da malária

Considerada pelo Ministério da Saúde como um dos principais avanços nos tratamentos disponíveis no SUS, a tafenoquina foi incorporada em 2023 para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso mínimo de 35 quilos. Sua ação prolongada, em dose única, é crucial para evitar que a doença retorne após o tratamento inicial.

Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas já haviam recebido tratamento com tafenoquina no Brasil. Desse total, 3.920 tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), áreas historicamente mais vulneráveis à malária. O ministro ressaltou que o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a incorporar este medicamento, especialmente relevante para regiões como a Amazônia brasileira, que concentra a maior incidência de casos.

“Tivemos redução de mais de 40% de redução em terra indígena, mais de 40% de malária em áreas de assentamento rural e em assentamentos na região amazônica brasileira, que é uma das maiores em incidência de casos de malária. O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina, que é uma nova medicação para o tratamento da malária”, informou o ministro.

Impacto transformador em terras indígenas

Os dados do Ministério da Saúde evidenciam um impacto particularmente positivo no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, onde 1.515 pessoas foram tratadas com a tafenoquina. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em comparação com o mesmo período de 2025.

No período de janeiro a julho de 2026, os casos da doença diminuíram 55% no território Yanomami, passando de 17 mil para 7,6 mil, em relação ao ano anterior. O ministro Padilha destacou que a área Yanomami foi a primeira terra indígena a receber a aplicação do medicamento, contribuindo para interromper o que ele descreveu como um “verdadeiro genocídio”.

“Conseguimos felizmente interromper o verdadeiro genocídio que acontecia no povo Yanomami. Tivemos redução de mais de 50% nos casos de malária no território Yanomami e mais de 70% nos óbitos por malária. Isso não só com as ações combinadas contra a malária, mas com a recuperação nutricional daquele povo”, disse Padilha.

Tratamento ampliado para crianças

A tafenoquina também teve seu alcance ampliado para o público infantil. Desde março de 2026, uma formulação específica para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos está disponível. Até junho do mesmo ano, 1.446 crianças e adolescentes já haviam recebido este tratamento no país, reforçando o compromisso do SUS com a saúde de todas as faixas etárias.

Reforço na vacinação contra o sarampo

Além dos avanços no combate à malária, o ministro Alexandre Padilha também abordou a necessidade de reforçar a vacinação contra o sarampo em todo o Brasil. A medida vem após o registro de 38 casos importados da doença, identificados em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins.

Padilha lembrou que, em 2024, o Brasil recuperou o certificado de país livre de sarampo. Apesar dos 38 casos importados em 2025, o país conseguiu manter o certificado graças às ações de vacinação. Ele contrastou a situação com 2019, quando o Brasil perdeu o certificado devido à falta de controle da doença, resultando em cerca de 20 mil casos apenas na capital paulista, além de ocorrências em Guarulhos e São Bernardo.

Atualmente, nessas cidades, a faixa vacinal foi ampliada, com a imunização de todos a partir de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal. “Já ultrapassamos 70 mil pessoas vacinadas na cidade de São Paulo”, afirmou o ministro. Os casos importados foram associados a cepas que circularam nos Estados Unidos e no Canadá, países que, junto com o México, respondem por mais de 75% dos casos de sarampo no continente americano desde 2025.

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