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Perigo no céu de Divinópolis: piloto de aeronave de saúde flagra laser durante voo noturno

Perigo no céu de Divinópolis: piloto de aeronave de saúde flagra laser durante voo noturno
Piloto flagra laser apontado para aeronave durante voo noturno em Divinópolis

Um piloto do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais registrou um momento de grande preocupação para a segurança aérea: um feixe de laser foi apontado diretamente para a aeronave que ele comandava durante um voo noturno sobre a cidade de Divinópolis. O incidente, que ocorreu na noite de uma sexta-feira (14), ressalta os perigos crescentes que essa prática irresponsável representa para as operações de voo e para a vida dos tripulantes e passageiros.

O tenente Rafael Almeida, que conduzia a aeronave da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) de volta para Belo Horizonte, fazia um registro casual a 7 mil pés de altitude quando, por coincidência, capturou o momento exato em que o laser atingiu o cockpit. A aeronave retornava de uma missão de transferência hospitalar, transportando um paciente de Caxambu para São Sebastião do Paraíso, evidenciando o risco imposto a voos essenciais, como os de saúde.

O incidente em Divinópolis e o relato do piloto

O piloto Rafael Almeida descreveu a situação com clareza, destacando a frequência com que esses eventos ocorrem. “Nós estamos voltando de uma transferência hospitalar com um paciente de Caxambu para São Sebastião do Paraíso. No retorno, passando por Divinópolis, eu fiz o registro até por coincidência e acabei flagrando o laser apontado para a aeronave”, relatou o tenente em entrevista. Ele enfatizou que, ao longo de seus cinco anos de carreira, presenciou inúmeras situações semelhantes, tornando-se uma preocupação constante para a aviação noturna.

Apesar de o voo estar em fase de cruzeiro no momento do incidente – uma etapa geralmente mais estável e com menor demanda operacional para a tripulação –, o risco não é desprezível. O tenente Almeida ressaltou que a prática de apontar lasers para aeronaves “acaba ofuscando nossa visão e isso atrapalha nossa operação”, comprometendo a capacidade dos pilotos de manterem a atenção e o controle da aeronave.

Riscos iminentes à segurança aérea

A Força Aérea Brasileira (FAB) tem alertado repetidamente sobre os graves perigos associados ao uso de lasers contra aeronaves. Os feixes de luz, mesmo os de baixa potência, podem causar uma série de efeitos adversos nos pilotos, incluindo distração, ofuscamento e, em casos mais severos, cegueira momentânea. Esses efeitos são particularmente críticos, pois podem comprometer a capacidade de reação da tripulação em momentos decisivos.

Em cenários extremos, a interferência de um laser pode levar à perda de controle da aeronave, um risco ampliado em aviões operados por apenas um piloto. Os momentos de pouso e decolagem são considerados os mais críticos de um voo, e a exposição a lasers durante essas fases aumenta exponencialmente a probabilidade de um acidente. A visão comprometida do piloto pode resultar em erros de julgamento, desorientação espacial e falha em procedimentos essenciais, colocando em risco a vida de todos a bordo e em solo.

Implicações legais e dados alarmantes

A FAB classifica a conduta de apontar lasers para aeronaves como um ato criminoso, passível de enquadramento no artigo 261 do Código Penal brasileiro. Este artigo trata de colocar em perigo embarcação ou aeronave, ou praticar ato que impeça ou dificulte a navegação marítima, fluvial ou aérea. A pena prevista para tal crime é de reclusão de dois a cinco anos, demonstrando a seriedade com que a legislação trata a questão.

Dados do Portal Único de Notificações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelam a dimensão do problema no Brasil. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, foram registradas 15 notificações relacionadas à emissão de laser contra aeronaves. Somente em 2026, 12 registros foram feitos. A maioria desses incidentes ocorreu durante os procedimentos de pouso e decolagem, quando os riscos são mais elevados.

Curiosamente, o caso flagrado em Divinópolis não foi oficialmente notificado no sistema do Cenipa, uma vez que ocorreu durante a fase de cruzeiro, considerada de menor risco operacional. No entanto, a própria FAB adverte que o número de notificações pode não refletir a quantidade real de ocorrências, sugerindo que muitos incidentes permanecem sem registro oficial, o que dificulta a compreensão completa da extensão do problema. Para mais informações sobre segurança aérea, você pode consultar o site da Força Aérea Brasileira.

A importância da denúncia e a conscientização

O tenente Rafael Almeida fez um apelo à população, desmistificando a ideia de que apontar um laser para uma aeronave seja uma brincadeira inofensiva. “Algumas pessoas podem encarar a tentativa de acertar a aeronave com laser uma brincadeira, mas não é. Isso traz riscos sérios à operação”, alertou o piloto. Ele reforçou que qualquer pessoa que presencie esse tipo de ação deve fazer a denúncia, ligando para o número 190, da Polícia Militar.

A conscientização sobre os perigos e as consequências legais dessa prática é fundamental para garantir a segurança dos céus. A aviação é um setor que exige precisão e atenção contínua, e qualquer interferência externa pode ter resultados catastróficos. A colaboração da sociedade é essencial para coibir essas ações e proteger as operações aéreas, que muitas vezes são vitais, como no caso dos voos de saúde e resgate. Para mais informações sobre segurança aérea e outros temas relevantes, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec, seu portal multitemático com foco em informação de qualidade e contextualizada.

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