A semana na Zona da Mata mineira foi marcada por uma combinação de celebração cultural, desdobramentos judiciais de grande impacto e o enfrentamento de traumas coletivos. O noticiário regional destacou a coroação da nova Miss Brasil Gay, o avanço de processos para indenizar vítimas de um incêndio histórico em Juiz de Fora e as histórias de resiliência de sobreviventes seis meses após as chuvas que devastaram a região.
Allessa Paes é coroada Miss Brasil Gay 2026
O brilho e a tradição do Miss Brasil Gay retornaram a Juiz de Fora para a sua 44ª edição. O evento, que se consolidou como um dos maiores símbolos de resistência e orgulho LGBT+ no país desde 1976, consagrou Allessa Paes, representante do Pará, como a grande vencedora. A noite de gala, que ocorreu entre os dias 22 e 23 de agosto, contou com a presença de personalidades como Viviane Araújo e David Brazil.
Além do título principal, Allessa demonstrou domínio na passarela ao conquistar as categorias de Melhor Traje Típico e Melhor Traje de Gala. O pódio foi completado por Mary Miller, do Distrito Federal, em segundo lugar, e Wend Caster, do Rio de Janeiro, na terceira posição. O concurso reafirma a importância de Juiz de Fora no cenário cultural brasileiro, mantendo vivo o legado de seu fundador, o cabeleireiro Francisco Mota.
Leilão judicial busca indenizar vítimas de incêndio
No campo jurídico, a 8ª Vara Cível de Juiz de Fora deu um passo decisivo para encerrar um capítulo doloroso da cidade. A Justiça autorizou o leilão de uma unidade comercial localizada no imóvel onde funcionava o antigo Castelo da Borracha, na Avenida Getúlio Vargas. O espaço, atualmente ocupado por uma drogaria, foi avaliado em R$ 4,39 milhões.
O objetivo da medida é arrecadar fundos para o pagamento de indenizações por danos morais a mais de 30 pessoas afetadas pelo incêndio ocorrido em outubro de 2011. Enquanto a empresa Tetê Festas já quitou sua parte na dívida, estimada em R$ 1,6 milhão, o processo contra o Castelo da Borracha ainda tramita, com um passivo de cerca de R$ 1,37 milhão. A defesa do estabelecimento informou que contesta os valores, alegando excesso de execução.
Seis meses após a tragédia das chuvas: o recomeço
O tempo não apaga as marcas deixadas pelo temporal de fevereiro de 2026, que resultou em 74 mortes na Zona da Mata. Seis meses depois, o Portal de Notícias do Kardec acompanha o esforço de sobreviventes para reconstruir suas trajetórias. Histórias como a de Taciélle Rufino Cunha, moradora do bairro Paineiras, ilustram a dor da perda e a luta pela superação. Ela perdeu o noivo, o policial penal Reinaldo Neiva Ferreira, que morreu ao salvá-la durante o soterramento do prédio onde viviam.
A tragédia também atingiu duramente famílias como a de Renata Garcia Silva, que perdeu 17 parentes, e pequenos empreendedores como Edna Almeida, em Ubá. Após três meses com as portas fechadas devido às enchentes, Edna reabriu seu restaurante, simbolizando a tentativa de retomar a normalidade. O trauma, porém, permanece latente, com muitos sobreviventes relatando medo constante em dias de chuva.
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