Em uma série de entrevistas com os principais candidatos ao Governo de Minas Gerais, o candidato Mateus Simões apresentou suas propostas em um debate aprofundado no programa MG1 da TV Integração, em Uberlândia. A entrevista, realizada nesta segunda-feira (31), destacou um plano ambicioso para a infraestrutura do estado, com foco na duplicação da BR-262, além de abordar temas cruciais como equilíbrio fiscal, educação, saúde, segurança pública e privatizações.
A participação de Simões marcou o início da série de entrevistas que a TV Integração promove com os postulantes ao governo, baseadas na pesquisa Quest de intenção de voto divulgada em 25 de agosto. O objetivo é oferecer aos eleitores uma visão clara das plataformas de cada candidato, permitindo uma escolha informada.
Duplicação da BR-262: uma prioridade com histórico pessoal
A proposta central de Mateus Simões que mais chamou a atenção foi a duplicação da BR-262, uma rodovia federal que conecta o Triângulo Mineiro e o Centro-Oeste a Belo Horizonte. Apesar de ser uma estrada sob responsabilidade federal e já concedida à empresa Way, Simões defende que o Estado de Minas Gerais deve assumir parte do investimento.
O candidato planeja utilizar uma parcela dos R$ 6 bilhões que Minas Gerais paga anualmente à União como parte de sua dívida. O custo estimado para a duplicação completa entre Belo Horizonte e Uberaba seria de R$ 2,5 bilhões. Simões ressaltou a periculosidade da rodovia, citando perdas pessoais – ele perdeu o irmão mais velho em 1988 e os pais em 1996 na BR-262, próximo a Campos Altos.
Ele expressou a intenção de dialogar com o próximo presidente da República para garantir que os recursos necessários para a obra permaneçam no estado. Além da BR-262, Simões mencionou a necessidade de manutenção em outras rodovias, como a MGC-497 (Uberlândia a Prata) e a BR-452 (Uberlândia a Araxá), e propôs concessões para os corredores Noroeste (Montes Claros a Uberlândia) e Zona da Mata (Ponte Nova a Juiz de Fora).
Equilíbrio Fiscal e Compromissos Sociais
Diante de uma dívida de R$ 187 bilhões de Minas Gerais com a União, Mateus Simões reconheceu que o orçamento público exige “renúncias”. Isso implica que nem todas as obras desejadas poderão ser realizadas e que reajustes salariais anuais para os servidores nem sempre serão possíveis, exceto em casos específicos.
No entanto, o candidato garantiu que o piso salarial da educação será reajustado anualmente, conforme as diretrizes do Governo Federal. Ele enfatizou seu compromisso com a valorização dos professores, reconhecendo as limitações orçamentárias que impedem um aumento real, mas assegurando a aplicação do piso.
Saúde, Privatizações e Desenvolvimento Regional
Na área da saúde, Simões descartou a terceirização da administração, defendendo o reforço da descentralização dos hospitais e a construção de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para fortalecer a atenção primária. Ele citou investimentos em hospitais de Iturama, Araxá e a abertura do Hospital Regional de Divinópolis.
Sobre privatizações, o candidato afirmou que não venderá a participação de 17% do Governo de Minas na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Contudo, defendeu a privatização da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), argumentando que a empresa não presta o serviço adequado e que o Triângulo Mineiro possui um potencial de gás inexplorado. A privatização da Gasmig, segundo ele, poderia gerar empregos e atrair indústrias, especialmente com a criação de um gasoduto de biometano na região.
Para Divinópolis, que enfrenta desafios econômicos, Simões propôs a reindustrialização da região, aproveitando o ramal de gás já existente para atrair indústrias de consumo de calor, como siderúrgicas, metalúrgicas e alimentícias.
Segurança Pública e Habitação
No setor de segurança pública, Mateus Simões descartou o aumento do efetivo da Polícia Militar para 51 mil, como sugerido por especialistas, mas garantiu a recomposição contínua do efetivo atual de 42 mil policiais. Sua prioridade é o aumento do efetivo da Polícia Civil, com a meta de contratar mais 3 mil agentes para atingir 13 mil, mediante autorização judicial.
Além disso, ele pretende investir massivamente em tecnologia para auxiliar as forças de segurança, especialmente no cercamento digital das divisas do estado. O objetivo é combater o crime organizado e o crime rural, que muitas vezes são praticados por quadrilhas de fora de Minas Gerais.
Na habitação, a proposta é adotar Parcerias Público-Privadas (PPPs) para locação de imóveis. Simões acredita que essa modalidade atenderia a uma nova geração que, muitas vezes, não tem interesse em financiar uma casa por 30 anos, citando o sucesso do modelo em São Paulo.
Ao final da entrevista, Mateus Simões reiterou seu compromisso de continuar o trabalho de evolução dos últimos anos, buscando um desenvolvimento compatível com a realidade orçamentária do estado. A série de entrevistas da TV Integração continua ao longo da semana, com outros candidatos apresentando suas visões para o futuro de Minas Gerais.
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