A comissão mista responsável pela análise da Medida Provisória (MP) 1357/2026, que propõe o fim da chamada “taxa das blusinhas”, adiou a votação do relatório da senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) para a próxima quarta-feira (2), às 10h. O adiamento ocorre em um momento de intensa articulação política, com o objetivo de consolidar ajustes finais no texto antes de submetê-lo ao crivo dos parlamentares.
Contexto e urgência legislativa
A medida em questão busca suspender a cobrança do imposto federal de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, valor que hoje equivale a aproximadamente R$ 257. A tramitação da matéria ocorre sob pressão de um cronograma apertado: a MP perde sua validade legal no dia 8 de setembro. Caso não seja aprovada pelo Congresso Nacional até essa data, o texto caduca, mantendo as regras atuais de tributação.
O cenário é de urgência, visto que o Legislativo realiza nesta semana o último esforço concentrado de votações antes das eleições de outubro. Após a possível aprovação na comissão mista, o texto ainda precisará percorrer um caminho legislativo rigoroso, passando pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para ser validado.
Regras atuais e o impacto tributário
Atualmente, o Regime de Tributação Simplificada permite que o ministro da Fazenda altere alíquotas do Imposto de Importação. Sob as normas vigentes, é possível reduzir a zero a tributação na faixa de até US$ 50, ou fixá-la em 30% para compras de até US$ 3 mil. Essas diretrizes são aplicadas exclusivamente a plataformas certificadas pelo programa Remessa Conforme, da Receita Federal, que centraliza o recolhimento dos tributos no momento da aquisição do produto.
É importante ressaltar que a eventual alíquota zero no âmbito federal não desonera o consumidor de todos os encargos. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência estadual, permanece inalterado. De acordo com dados da Receita Federal, mesmo com a isenção federal, o ICMS continua sendo aplicado, com alíquotas que variam entre 17% e 20%, dependendo da legislação de cada estado brasileiro.
Desdobramentos no Congresso
A discussão sobre a “taxa das blusinhas” insere-se em um pacote de pautas econômicas e sociais que mobilizam o Congresso neste período de esforço concentrado. A expectativa é que o debate na quarta-feira traga definições sobre a viabilidade política da proposta, que impacta diretamente o comportamento de consumo digital no país e a arrecadação federal.
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