Um caso grave de violação de privacidade e importunação sexual veio à tona em Santa Juliana, no Alto Paranaíba, colocando sob os holofotes a conduta de um empresário local. Hélio Borges Junior, de 53 anos, é alvo de uma investigação da Polícia Civil após uma ex-funcionária, de 26 anos, descobrir que estava sendo filmada nua no banheiro da imobiliária onde trabalhava. O caso, registrado em 29 de junho de 2026, revelou um padrão de comportamento que, segundo denúncias anteriores, já vitimava outras mulheres no ambiente de trabalho.
Histórico de denúncias e importunação
A descoberta das imagens ocorreu de forma fortuita. A vítima teve acesso ao celular do empresário para realizar um pagamento a pedido dele e, ao verificar as abas abertas no aparelho, deparou-se com fotos e vídeos em que aparecia sem roupas. A mulher, que registrou um boletim de ocorrência, relatou ter sofrido uma crise de pânico ao constatar a violação. Em depoimento, o empresário admitiu ter instalado o aparelho no banheiro, mas negou que tenha compartilhado o conteúdo.
Contudo, o episódio de 2026 não é um fato isolado. Investigação aponta que Hélio Borges Junior já havia sido denunciado por outras três mulheres em 2023 e 2024. Uma das vítimas, que trabalhava na imobiliária aos 17 anos, relatou que o empresário costumava exibir partes íntimas para ela, aproveitando-se de sua vulnerabilidade. O relato descreve situações em que ele se sentava de frente para a jovem, sem utilizar roupas íntimas, sob o pretexto de estar em trajes informais.
Relatos de assédio e a rotina de medo
Outras duas ex-funcionárias, de 19 e 25 anos à época dos fatos, também buscaram as autoridades em 2024 para denunciar toques sem consentimento. Em um dos casos, uma funcionária foi convocada para um trabalho extra em um sábado, sob a promessa de pagamento, apenas para ser submetida a importunação sexual. Ela relatou que, após a conclusão da tarefa, o empresário exibiu o órgão genital e tocou em partes de seu corpo sem sua permissão.
O medo de represálias e a dependência financeira foram fatores que silenciaram as vítimas por um longo período. Uma das mulheres afirmou que, mesmo após ter sido assediada, sentiu-se obrigada a retornar ao trabalho por receio de não receber pelo serviço prestado. Além disso, o temor de enfrentar uma família influente na região impedia que muitas das vítimas buscassem auxílio policial imediatamente após os abusos.
Desdobramentos jurídicos e institucionais
O caso, que tramita sob segredo de Justiça, gerou uma resposta das autoridades. Enquanto a Polícia Civil conduz o inquérito sobre a denúncia mais recente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) decidiu abrir um procedimento investigativo para apurar as irregularidades trabalhistas e a conduta do empresário no ambiente corporativo. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) confirmou que o suspeito não deu entrada no sistema prisional.
A defesa de Hélio Borges Junior, representada pelo advogado Cássio Ernani Costa, informou que não irá se pronunciar sobre as acusações. A repercussão do caso em Santa Juliana reforça a importância da denúncia e do suporte às vítimas de assédio sexual. O Ligue 180 é um dos canais disponíveis para orientação e denúncia de casos de violência contra a mulher em todo o país.
O Portal de Notícias do Kardec segue acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em trazer informações apuradas e relevantes para a sociedade. Continue conosco para se manter atualizado sobre os fatos que impactam nossa região e o cenário nacional.