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Engenheiros se unem em grupo de Whatsapp para guiar resgates no Nepal

Engenheiros se unem em grupo de Whatsapp para guiar resgates no Nepal
Foto: Reprodução/Youtube G1

Em meio à devastação causada pelas recentes enchentes no Nepal, uma iniciativa de solidariedade digital tem se mostrado crucial para as operações de resgate. Um grupo de WhatsApp, composto por mais de 500 engenheiros e especialistas, está desempenhando um papel fundamental na orientação das equipes de busca por sobreviventes. Através do aplicativo de mensagens, esses profissionais compartilham informações técnicas vitais, como plantas de usinas hidrelétricas, mapas de túneis e dados de trabalhadores desaparecidos, auxiliando os socorristas em áreas tomadas por lama e destroços.

A colaboração, que ganhou força após o desastre, já rendeu resultados positivos. Na última sexta-feira (4), dois funcionários de uma hidrelétrica foram encontrados com vida, nove dias após a catástrofe. Este avanço sublinha a importância da tecnologia e do conhecimento especializado na resposta a crises humanitárias de grande escala, oferecendo uma luz de esperança em um cenário de grande sofrimento e perda.

A Devastação no Vale do Rio Trishuli

O Nepal foi atingido por uma inundação repentina em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira desencadeou uma avalanche de água, gelo, rochas e lama. A enxurrada devastou o vale do rio Trishuli, uma região estratégica próxima à fronteira com a China, destruindo estradas, cidades e, crucialmente, várias usinas hidrelétricas que são vitais para a infraestrutura do país.

A magnitude da tragédia é alarmante, com mais de 1.200 pessoas mortas e milhares ainda desaparecidas. Estima-se que cerca de 900 dos desaparecidos eram trabalhadores envolvidos em seis projetos hidrelétricos. Há uma esperança considerável de que muitos deles possam ter encontrado refúgio nos túneis das usinas antes da passagem da enxurrada, o que torna a busca por esses locais uma prioridade.

As operações de resgate, no entanto, enfrentam desafios imensos. A inundação deixou um rastro de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas de lama e detritos por todo o vale, soterrando completamente as entradas de muitos túneis. Em diversos pontos, a primeira etapa do trabalho dos socorristas é simplesmente identificar e localizar esses acessos, uma tarefa que exige precisão e informações detalhadas.

Colaboração Digital: O Grupo de WhatsApp de Engenheiros

O grupo de WhatsApp que hoje auxilia os resgates já existia antes do desastre, mas foi rapidamente expandido para atender às necessidades urgentes da crise. Atualmente, mais de 500 pessoas, incluindo engenheiros ativos, ex-funcionários de hidrelétricas e outros profissionais com profundo conhecimento das instalações atingidas, participam da conversa.

Pelo aplicativo, esses especialistas compartilham uma vasta gama de documentos e informações. Plantas baixas, desenhos técnicos e detalhes sobre a complexa rede de túneis das usinas são trocados em tempo real. Este material permite que as equipes de resgate consultem a configuração exata de instalações que foram cobertas por lama e pedras, muitas vezes com seus acessos completamente obstruídos, facilitando a identificação de possíveis rotas e abrigos.

Informações Cruciais para as Operações de Resgate

A contribuição do grupo de engenheiros tem sido sentida em diversas frentes das operações de busca e salvamento. Em Chilime, por exemplo, um funcionário do governo solicitou as plantas da usina local e recebeu, em questão de minutos, desenhos detalhados da casa de força e dos túneis de acesso, agilizando a ação dos socorristas.

Em Rasuwagadhi, onde se acredita que 46 pessoas possam estar presas em uma câmara com suprimentos de comida e água, as equipes de resgate conseguiram avançar cerca de 250 metros por um túnel antes de encontrar uma obstrução. Ex-funcionários, por meio do WhatsApp, passaram a orientar as equipes sobre a rede subterrânea, indicando caminhos alternativos e pontos críticos.

A ajuda também se estendeu à busca por celulares de desaparecidos. Integrantes do grupo reuniram nomes e números de telefone para que as autoridades pudessem consultar as operadoras e tentar rastrear a última localização registrada pelos aparelhos, um esforço que pode ser decisivo para encontrar mais sobreviventes.

Esperança em Meio aos Destroços: Sobreviventes Encontrados

A eficácia da colaboração foi comprovada com o resgate de Sanjay Sah e Kabir Maharjan. Os dois trabalhadores, da área de mecânica, foram encontrados com vida após passarem nove dias presos na hidrelétrica Upper Trishuli 3A. Eles foram prontamente levados para um hospital em Katmandu, representando os primeiros funcionários das usinas atingidas a serem encontrados vivos desde o desastre.

Em seu relato à Reuters, Sah contou que permaneceu em uma sala de controle para auxiliar outros trabalhadores a escapar. Durante o período em que esteve preso, ele manteve contato com três ou quatro pessoas, o que alimenta a esperança de que outros sobreviventes ainda possam ser localizados. As buscas continuam intensas, impulsionadas por cada nova informação e cada vida resgatada. Acompanhe as últimas notícias sobre desastres naturais e esforços de resgate globais.

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