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Boitel em Minas Gerais transforma a pecuária com foco em eficiência e redução de custos

Boitel em Minas Gerais transforma a pecuária com foco em eficiência e redução de custos
1 de 3 Cristiano pecuarista de Cláudio — Foto: TV Integração/Reprodução

A pecuária mineira vive uma transformação silenciosa, mas estratégica, impulsionada pela adoção de modelos de confinamento especializado conhecidos popularmente como boitel. Na cidade de Cláudio, no Centro-Oeste de Minas, essa modalidade de “hotel para gado” tem se consolidado como uma solução eficaz para produtores que buscam otimizar a engorda, reduzir custos operacionais e acelerar o ciclo de comercialização dos animais.

A lógica operacional do confinamento especializado

Diferente do sistema tradicional, onde o gado permanece em pastagens por longos períodos, o boitel funciona como uma estrutura de alta performance. Ao chegar ao local, o animal é submetido a um protocolo rigoroso de saúde, que inclui a aplicação de vacinas voltadas para doenças respiratórias e o controle efetivo de parasitas. Esse manejo inicial é fundamental para garantir que o rebanho responda positivamente ao ganho de peso acelerado.

A nutrição é o pilar central dessa estratégia. Os animais recebem uma dieta balanceada, composta por silagem de milho, grão reidratado e concentrados formulados especificamente para a fase de terminação. O cuidado com a alimentação é minucioso: o trato é realizado três vezes ao dia, acompanhado pela limpeza constante dos cochos, o que evita o desperdício e assegura que o alimento esteja sempre em condições ideais para o consumo.

Vantagens competitivas para o produtor rural

A principal vantagem do modelo é a previsibilidade. Em um período médio de 60 dias, o gado atinge o peso ideal para o abate, um intervalo significativamente menor do que o observado em sistemas extensivos. Segundo o pecuarista Cristiano Naves, que utiliza a estrutura em Cláudio, a terceirização da engorda permite que o produtor descanse suas pastagens e foque na reposição do rebanho com maior agilidade.

“Quando o boi chega a 12 arrobas nós trazemos para o confinamento e isso acelera a minha reposição, descansa a minha fazenda e eles têm um ganho de peso bem maior”, afirma Naves. Para o produtor, a margem financeira compensa o investimento, já que o giro do negócio é mais rápido e o custo de manutenção na propriedade própria seria mais elevado.

Impacto econômico e desenvolvimento regional

O empreendimento em Cláudio, que iniciou suas atividades em 2020, reflete a força do agronegócio na região, setor que responde por 40% do PIB municipal. Com capacidade atual para 1.200 animais e planos de expansão para 2 mil cabeças, o boitel de Adriano Pinto Francino foi inspirado em modelos de sucesso de estados como São Paulo e Mato Grosso, adaptando a tecnologia para a realidade mineira.

Além da eficiência produtiva, o projeto possui um viés de desenvolvimento local ao gerar empregos e movimentar a economia da cidade. A equipe multidisciplinar, que conta com veterinários, zootecnistas e especialistas em nutrição, atua diretamente na maximização dos resultados. A região, que já se destaca nacionalmente com a produção de até 100 mil litros de leite por dia e o envio mensal de milhares de cabeças de gado para frigoríficos, encontra no boitel uma ferramenta essencial para manter sua competitividade no mercado global de carnes.

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