Um episódio de violência marcou o transporte de detentos na Região Metropolitana de Belo Horizonte neste sábado (12). Um homem de 35 anos, que cumpre pena e participa de um projeto de ressocialização vinculado à Penitenciária José Maria Alkimin, foi atingido por um disparo de arma de fogo enquanto estava dentro do ônibus que realizava o trajeto entre canteiros de obras em Contagem.
Dinâmica do incidente e socorro médico
O caso veio à tona após a vítima buscar atendimento no Hospital Evangélico, na região de Contagem. Segundo o relato do detento aos policiais militares, o disparo ocorreu durante o deslocamento entre dois pontos de trabalho. O homem foi atingido pelas costas, mas, inicialmente, não soube identificar a autoria do disparo, alegando que o tiro teria partido do banco traseiro do veículo.
O motorista do transporte relatou que o incidente ocorreu por volta das 16h, logo após o embarque de um grupo de detentos na Rua Reginaldo de Souza Lima, no Centro da cidade. Ao ouvir o estampido, o condutor seguiu imediatamente para uma unidade de saúde. Após a negativa de atendimento no Hospital Evangélico, a vítima foi encaminhada ao Hospital de Contagem, onde permanece internada sob escolta da Polícia Penal.
Investigação e contradições entre detentos
A apuração policial enfrentou dificuldades devido a versões conflitantes apresentadas pelos envolvidos. Inicialmente, um detento de 28 anos, identificado pelo apelido de ‘Kamikaze’, assumiu a responsabilidade pelo disparo. Ele afirmou aos militares que teria descartado a arma pela janela do ônibus, mas buscas realizadas no trajeto indicado não localizaram o objeto.
Posteriormente, o suspeito mudou sua versão, alegando que teria confessado o crime apenas para cumprir um suposto acordo interno entre os presos, no qual o integrante mais jovem do grupo deveria assumir a responsabilidade por qualquer ocorrência. Uma denúncia anônima chegou a apontar outro detento como o verdadeiro autor, mas o citado negou qualquer envolvimento, tendo seu aparelho celular apreendido para perícia.
Buscas e desdobramentos na segurança
Com o apoio de cães farejadores da ROCA, a Polícia Militar realizou uma varredura minuciosa no interior do ônibus. Embora a arma do crime não tenha sido encontrada, os agentes localizaram porções de substâncias ilícitas — maconha e cocaína —, além de uma faca e uma pequena quantia em dinheiro. O material foi apreendido e encaminhado à delegacia.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Segurança e Justiça (Sejusp) informou que a direção da Penitenciária José Maria Alkimin adotou todas as medidas administrativas necessárias. O caso segue sob investigação das autoridades competentes para esclarecer a autoria do disparo e como o armamento e os entorpecentes foram introduzidos no veículo de transporte prisional.
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