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Família de jovens mortos em Joaíma contesta versão da PM sobre colisão com viatura

Família de jovens mortos em Joaíma contesta versão da PM sobre colisão com viatura
Caroline Del Piero

A morte de dois jovens após uma colisão envolvendo uma motocicleta e uma viatura da Polícia Militar em Joaíma, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, na madrugada de domingo, gerou comoção e controvérsia na cidade. Familiares das vítimas contestam veementemente a versão apresentada pela corporação, levantando sérios questionamentos sobre a conduta dos policiais no local do incidente.

Victor Emanuel de Souza Oliveira, de 21 anos, e um adolescente de 17 anos perderam a vida no episódio que, segundo a irmã de Victor, Laiane Joyce, foi marcado por falhas no procedimento de socorro e uma suposta alteração da cena. A família exige uma investigação rigorosa e transparente para esclarecer os fatos, que divergem significativamente do relato oficial da PM.

A versão da família e os questionamentos à Polícia Militar

Laiane Joyce, irmã de Victor Emanuel, apresenta uma narrativa que contradiz a da Polícia Militar. Segundo ela, imagens de câmeras de segurança mostram claramente a viatura atingindo a motocicleta. O impacto, conforme seu relato, foi tão forte que seu irmão foi arremessado a uma distância considerável, e ainda estaria vivo após a batida.

O ponto central da contestação da família reside na ausência de socorro imediato. Laiane afirma que os policiais não acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), essencial em situações de emergência. “Qual era a deles? Chamar o Samu, entendeu? Chamar o Samu para poder tentar reanimar, para fazer os procedimentos corretos”, desabafou a irmã, evidenciando a indignação com a falta de assistência médica profissional.

Além disso, a família questiona a retirada dos corpos dos jovens do local do acidente. Laiane relata que os policiais colocaram Victor e o adolescente de 17 anos dentro da própria viatura e deixaram a cena. Posteriormente, um policial teria retornado para remover a motocicleta, guardando o veículo em um imóvel próximo. “Se eles não deviam, por que que eles limparam a cena do crime? Por que eles não acionaram o Samu?”, indaga Laiane, sugerindo uma tentativa de ocultar evidências.

A narrativa da Polícia Militar sobre o incidente

Em contrapartida, a Polícia Militar apresentou uma versão diferente dos acontecimentos. A corporação informou que os dois jovens foram avistados durante um patrulhamento no bairro Ipê. De acordo com a PM, o piloto da motocicleta aparentava portar uma arma de fogo na cintura e, ao receber ordem de parada, os ocupantes teriam tentado fugir.

Ainda segundo o relato policial, durante a suposta fuga, o motociclista teria perdido o controle da direção, colidindo contra o meio-fio antes de atingir a lateral da viatura. Na sequência, a motocicleta teria colidido com um poste de iluminação pública. A PM afirmou que os policiais correram em direção aos jovens imediatamente após a colisão, prestando socorro e os levando a um hospital, onde ambos vieram a óbito. Imagens divulgadas por portais de notícias, como o g1.globo.com, mostram policiais correndo em direção às vítimas logo após a batida, mas não esclarecem a dinâmica exata da colisão ou o procedimento de socorro inicial.

Repercussão e manifestação popular em Joaíma

A tragédia rapidamente mobilizou a comunidade de Joaíma. Na tarde de domingo, familiares e amigos dos jovens organizaram uma manifestação em frente à Prefeitura para exigir justiça e esclarecimentos. O ato, que começou pacificamente, escalou para um confronto com a Polícia Militar.

A PM, em nota, informou que, após o início pacífico, parte dos manifestantes se dirigiu à residência do prefeito, onde teriam causado danos ao portão da casa e de um imóvel vizinho. O grupo então teria retornado em direção ao quartel da PM, portando pedras e lançando fogos de artifício contra os militares. Diante do que classificou como risco de agressão e após tentativas de diálogo, a corporação utilizou munições químicas para dispersar os manifestantes. Ninguém foi preso durante o ato, segundo a PM, devido ao grande número de pessoas, incluindo crianças, e ao risco de um confronto direto. A corporação afirmou que as providências para apuração dos fatos relacionados à manifestação estão sendo tomadas.

Investigação em andamento e apoio às famílias

Diante da gravidade do ocorrido e da pressão popular, a Prefeitura de Joaíma divulgou uma nota de pesar, informando que a Secretaria Municipal de Assistência Social está prestando apoio às famílias enlutadas. A administração municipal também se comprometeu a solicitar ao Governo de Minas Gerais uma apuração rigorosa e transparente dos fatos.

A Polícia Civil, por sua vez, iniciou as investigações. Nesta segunda-feira, a perícia esteve no local da colisão e realizou levantamentos para auxiliar na apuração da dinâmica do acidente. Os veículos envolvidos também foram periciados, e os corpos dos jovens foram encaminhados ao Posto Médico-Legal (PML) da região para exames. Contudo, a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre a dinâmica da colisão ou o andamento da investigação até o momento.

A Polícia Militar foi novamente procurada para responder especificamente aos questionamentos da irmã de Victor sobre o atendimento às vítimas, a retirada dos jovens do local e a remoção da motocicleta. No entanto, a nota enviada pela corporação abordou apenas a manifestação de domingo, sem responder às indagações cruciais da família. A falta de um posicionamento claro sobre esses pontos específicos intensifica a busca por respostas e a demanda por justiça por parte dos familiares e da comunidade de Joaíma.

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