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Ensino superior global dobra de tamanho em duas décadas, aponta relatório da Unesco

ensino superior no planeta, “que desempenha um papel insubstituível na construçã
Reprodução Agência Brasil

Expansão sem precedentes no acesso à graduação

O cenário do ensino superior no mundo passou por uma transformação profunda nas últimas duas décadas. Segundo o primeiro relatório global sobre tendências educacionais divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o número de estudantes matriculados mais que dobrou desde o início do século. Em 2000, o contingente era de 100 milhões de alunos; em 2024, esse total atingiu a marca de 269 milhões de pessoas, alcançando 43% da população mundial na faixa etária entre 18 e 24 anos.

O documento, que consolida dados de 146 países, destaca que o crescimento da demanda reflete a importância estratégica das universidades na construção de sociedades sustentáveis. No entanto, o diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, ressalta que o aumento quantitativo não garante, por si só, a equidade. O desafio atual das nações é conciliar essa expansão com a oferta de qualidade e modelos de financiamento que permitam a inclusão real de grupos historicamente sub-representados.

Disparidades regionais e o peso do setor privado

Apesar do avanço global, o acesso ao ensino superior permanece desigual. Enquanto a Europa Ocidental e a América do Norte registram taxas de matrícula de 80%, regiões como a África Subsaariana contam com apenas 9% de adesão. Na América Latina e no Caribe, o índice é de 59%. O relatório aponta que a estrutura das instituições também varia significativamente: o setor privado detém um terço das matrículas mundiais, com forte predominância na América Latina e no Caribe, onde chega a 49%.

Em nações como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, a dependência do ensino privado é ainda mais acentuada, com quatro em cada cinco estudantes frequentando instituições particulares. Apenas um terço dos países pesquisados garante, por lei, o ensino superior público e gratuito, o que coloca o custo da educação como uma barreira central para o desenvolvimento social em diversas partes do globo.

Mobilidade estudantil e o papel da tecnologia

A mobilidade internacional de estudantes triplicou no período, saltando de 2,1 milhões em 2000 para 7,3 milhões em 2024. Embora o fluxo tenha crescido, ele ainda atinge apenas 3% do total de estudantes. Tradicionalmente, países como Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia concentram metade desse movimento. Contudo, destinos emergentes como Turquia e Emirados Árabes Unidos têm ganhado protagonismo, atraindo cada vez mais estudantes de suas próprias regiões.

Outro ponto de atenção é a digitalização. Embora a inteligência artificial (IA) esteja redefinindo o aprendizado, o relatório aponta um descompasso institucional: em 2025, apenas uma em cada cinco universidades possuía uma política formal para o uso de IA. A falta de diretrizes claras pode comprometer a qualidade acadêmica em um momento em que a tecnologia avança mais rápido que a regulação educacional.

Desafios de gênero e inclusão de refugiados

Um dado positivo é a paridade de gênero. Atualmente, há 114 mulheres matriculadas para cada 100 homens no ensino superior global. A exceção permanece sendo a África Subsaariana, onde as taxas de conclusão ainda são desfavoráveis. Apesar da predominância numérica, as mulheres ainda enfrentam o chamado “teto de vidro” no ambiente acadêmico, sendo sub-representadas em cursos de doutorado e em cargos de liderança sênior.

Para refugiados, o cenário é ainda mais complexo. Embora o acesso tenha subido de 1% em 2019 para 9% em 2025, a validação de diplomas e qualificações ausentes impede que muitos avancem em suas carreiras. Iniciativas como o Passaporte de Qualificações da Unesco buscam mitigar essas barreiras, sendo implementadas em países como Iraque, Quênia e Uganda.

O Portal de Notícias do Kardec segue acompanhando os desdobramentos das políticas educacionais globais e seu impacto na sociedade brasileira. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas e dados atualizados sobre os temas que moldam o futuro da educação e da tecnologia.

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