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Operação Estorno desvenda organização criminosa que movimentou R$ 45 milhões em golpes de celular

Moto aquática apreendida durante operação em Juiz de Fora Marcus Pena/TV Integra
Moto aquática apreendida durante operação em Juiz de Fora Marcus Pena/TV Integra

A Polícia Civil de Minas Gerais, em uma ação conjunta com as forças de segurança do Paraná e Rio de Janeiro, desarticulou uma sofisticada organização criminosa que movimentou impressionantes R$ 45 milhões em golpes de celular e fraudes bancárias. A revelação veio à tona com a deflagração da segunda fase da operação “Estorno” nesta terça-feira, 16 de novembro, expondo a audácia e a estrutura técnica de um grupo liderado por jovens que financiavam um estilo de vida luxuoso com o dinheiro desviado.

O delegado Márcio Rocha, responsável pela investigação, destacou a dimensão do esquema, enfatizando que “não estamos falando de uma ‘fraudezinha’ qualquer”. Em menos de cinco anos, a quadrilha conseguiu acumular uma fortuna, demonstrando a crescente sofisticação do crime cibernético no Brasil e a necessidade de uma resposta igualmente robusta das autoridades. Até o momento, 10 pessoas foram presas, mas as investigações continuam para identificar outros envolvidos e localizar um suspeito foragido.

A Escalada dos Golpes de Celular: R$ 45 Milhões em Fraudes

A cifra de R$ 45 milhões movimentada pela organização criminosa em um período tão curto sublinha a gravidade e o impacto desses golpes de celular na segurança financeira dos cidadãos. O grupo, composto majoritariamente por indivíduos entre 20 e 30 anos, utilizava os recursos obtidos ilegalmente para manter um padrão de vida elevado, com viagens internacionais, roupas de grife e bens de luxo, contrastando com a imagem tradicionalmente associada a criminosos de menor porte.

A atuação desses jovens, que à primeira vista poderia parecer menos ameaçadora, revela uma estrutura complexa e bem organizada, capaz de operar em múltiplos estados. A Polícia Civil ressalta que a combatividade contra essas organizações é fundamental, dada a sua capacidade de causar prejuízos financeiros significativos e abalar a confiança nos sistemas bancários digitais.

O Modus Operandi: Da Compra de Dados ao Sequestro de Linhas

O esquema criminoso operava em uma rede intrincada que conectava Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, com o núcleo de comando sediado em Juiz de Fora. A fraude era meticulosamente dividida em três etapas cruciais:

  • Compra de dados: Os líderes da quadrilha adquiriam listas vazadas de correntistas com alto poder aquisitivo, principalmente no Rio de Janeiro. Esses dados eram a porta de entrada para os ataques subsequentes.
  • Sequestro e espelhamento: Com as informações em mãos, a organização realizava o “sequestro” da linha telefônica da vítima, transferindo-a para um chip controlado pelo grupo. Esse processo, conhecido como SIM swap, permitia que os criminosos tivessem acesso total aos aplicativos bancários e outras plataformas digitais da vítima. O delegado Márcio Rocha detalhou que, enquanto a vítima ficava impedida de acessar seus próprios aplicativos, os criminosos espelhavam o telefone e invadiam as contas.
  • Lavagem de dinheiro: Uma vez com acesso às contas, os criminosos efetuavam transferências e Pix para diversas contas. Para “escoar” os valores e dificultar o rastreamento, o grupo investia em produtos de luxo em sites de e-commerce ou utilizava cartões clonados em máquinas adulteradas de comerciantes parceiros na Zona da Mata mineira, transformando o dinheiro ilícito em bens e serviços.

As Duas Fases da Operação Estorno e Seus Resultados

A desarticulação do esquema teve início em novembro de 2025, a partir de uma denúncia no Paraná que apontava Juiz de Fora como o epicentro da articulação criminosa. A operação “Estorno” foi dividida em duas fases distintas:

Primeira Fase: As Primeiras Prisões e Apreensões

Na primeira etapa, foram cumpridos 10 mandados de busca e cinco prisões em Juiz de Fora. Entre os detidos estavam um suspeito de 23 anos no bairro Paineiras e outro de 21 anos no Centro. As prisões em flagrante incluíram um homem de 29 anos no Jardim Laranjeiras, por posse ilegal de arma de fogo e receptação; um comerciante de 43 anos no Santa Luzia, por favorecimento real e desobediência; e uma mulher de 27 anos no Ipiranga, por receptação. Na ocasião, a polícia apreendeu uma vasta gama de bens de luxo, veículos, uma moto aquática e uma arma de fogo, evidenciando o padrão de vida financiado pelos crimes.

Segunda Fase: Novas Detenções e a Busca pelo Foragido

A fase mais recente da operação resultou na prisão em flagrante de cinco investigados, com idades entre 22 e 28 anos, em diferentes bairros de Juiz de Fora, como Santa Luzia, Santos Dumont, Monte Castelo, Caiçaras e Marilândia. Durante esta etapa, um sexto suspeito conseguiu romper a tornozeleira eletrônica e fugiu em Belmiro Braga, tornando-se alvo de uma intensa busca policial. Foram apreendidos diversos celulares, chips, cartões bancários, dinheiro em espécie e produtos de grife adquiridos fraudulentamente, consolidando as provas contra a organização.

Repercussões e o Combate Contínuo ao Crime Cibernético

Os investigados enfrentarão acusações sérias, incluindo organização criminosa, estelionato, fraude bancária e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil reafirmou seu compromisso em manter as investigações ativas, com o objetivo de identificar outros comércios que possam ter sido cúmplices na lavagem de dinheiro e, crucialmente, localizar o suspeito que se evadiu.

Este caso serve como um alerta contundente sobre a evolução dos crimes digitais e a necessidade de vigilância constante por parte dos usuários e das instituições financeiras. A complexidade e o volume financeiro envolvidos na operação “Estorno” demonstram que as fraudes bancárias e os golpes de celular não são incidentes isolados, mas sim parte de um ecossistema criminoso organizado que exige uma resposta multifacetada e contínua das autoridades.

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