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Analfabetismo no Brasil atinge menor taxa histórica, mas persiste como desafio para milhões

© Geovana Albuquerque/Agência Brasília
© Geovana Albuquerque/Agência Brasília

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo de sua série histórica, iniciada em 2016. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): Educação, divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais ainda não sabem ler e escrever, correspondendo a uma taxa de 4,9%. Apesar da redução expressiva, o cenário aponta para desafios persistentes, especialmente entre grupos etários mais velhos e regiões específicas do país.

A queda de 0,4 ponto percentual (p.p.) em relação a 2024 representa uma diminuição de cerca de 592 mil pessoas analfabetas em um ano. Em um período de nove anos, desde 2016, quando a taxa era de 6,7%, a redução acumulada foi de 1,8 p.p., consolidando um avanço significativo na luta contra o analfabetismo no país. Contudo, a análise aprofundada dos números revela que a educação ainda é um vetor de desigualdade social, com impactos notáveis na vida de milhões de cidadãos.

Avanços e desafios na erradicação do analfabetismo

A redução da taxa de analfabetismo é um indicador positivo do progresso educacional no Brasil, refletindo esforços contínuos e políticas de escolarização. No entanto, o contingente de 8,4 milhões de pessoas que ainda não dominam a leitura e a escrita representa um obstáculo significativo para o desenvolvimento pleno do país e para a inclusão social desses indivíduos. A capacidade de ler e escrever é fundamental para o acesso a informações, oportunidades de emprego, participação cívica e autonomia pessoal, impactando diretamente a qualidade de vida.

Apesar dos avanços gerais, a concentração do analfabetismo em determinadas regiões e faixas etárias acende um alerta. A Região Nordeste, por exemplo, concentra a maior parte dos analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas, o que corresponde a 57,4% do total nacional. Essa disparidade regional sublinha a necessidade de políticas públicas mais focadas e adaptadas às realidades locais, visando mitigar as desigualdades históricas e promover a equidade educacional em todo o território brasileiro.

Desigualdades persistentes: idade, raça e gênero no analfabetismo

O estudo do IBGE destaca que o analfabetismo atinge desproporcionalmente a população mais velha. Em 2025, 4,8 milhões de analfabetos tinham 60 anos ou mais, representando 14,9% desse grupo etário e impressionantes 58% do total de analfabetos do país. Essa concentração reflete um legado de menor acesso à educação em gerações passadas, quando as oportunidades de escolarização eram mais limitadas.

A desigualdade racial também é um fator marcante. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos (20,6%) foi quase três vezes superior à de brancos (7,3%). Essa diferença ressalta as barreiras históricas e estruturais que afetaram o acesso à educação para a população negra e parda no Brasil. Em contraste, as novas gerações mostram maior acesso à escolarização, com a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 a 59 anos sendo de 2,6%, indicando que a alfabetização ocorre predominantemente na infância.

No que tange ao gênero, a pesquisa aponta para uma reversão histórica. Em 2025, a taxa de analfabetismo entre mulheres de 15 anos ou mais foi de 4,6%, ligeiramente menor que a dos homens (5,2%). Na faixa etária de 60 anos ou mais, onde historicamente as mulheres apresentavam taxas mais altas, elas agora registram 13,7% de analfabetismo, contra 14,1% dos homens. Essa mudança sugere avanços na escolarização feminina ao longo das gerações, corrigindo desigualdades educacionais passadas e refletindo uma maior permanência e conclusão de ciclos educacionais por parte das mulheres.

O panorama da escolarização: creche e abandono escolar

A pesquisa do IBGE também aborda a educação infantil e o abandono escolar, elementos cruciais para entender o fluxo educacional. Em 2025, a principal razão para crianças de 0 a 3 anos não frequentarem creche foi a opção dos pais ou responsáveis, seguida pela falta de escola ou vaga na localidade. Esses dados indicam que, embora a demanda por creches seja alta, a oferta e as condições familiares ainda são determinantes para o acesso à educação básica.

No ensino médio, o cenário é preocupante: 7,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos não haviam completado essa etapa em 2025. A necessidade de trabalhar foi o motivo mais citado para o abandono escolar (43%), evidenciando a pressão econômica sobre as famílias. Em segundo lugar, a falta de interesse em estudar (25,6%) registrou um aumento, sinalizando um possível desalinhamento entre as expectativas dos jovens e o modelo educacional vigente. A gravidez, problemas de saúde e afazeres domésticos também contribuem para a evasão, especialmente entre mulheres e jovens de baixa renda.

A proporção de jovens de 15 a 29 anos que não trabalham, não estudam e nem se qualificam profissionalmente, os chamados “nem-nem”, recuou para 17,5% em 2025, uma queda de 4,9 p.p. em relação a 2019. Apesar da melhora, esse grupo ainda representa um desafio significativo para o desenvolvimento social e econômico do país, demandando políticas integradas de educação, trabalho e qualificação profissional.

Os dados da PNAD Contínua: Educação 2025 reforçam a importância de políticas públicas contínuas e multifacetadas para a educação. É fundamental não apenas garantir o acesso à escolarização para crianças e jovens, mas também investir em programas de alfabetização de adultos e idosos, além de abordar as causas do abandono escolar. A superação do analfabetismo e a promoção da educação de qualidade são pilares para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, onde todos tenham a oportunidade de desenvolver seu potencial.

Para mais informações sobre os dados da pesquisa, acesse a Agência Brasil.

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