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SUS amplia teleatendimento para jogadores compulsivos em resposta à crescente demanda

© Tânia Rêgo/Agência Brasil
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério da Saúde está preparado para uma significativa ampliação de seus serviços de teleatendimento, focados em indivíduos que enfrentam a dependência em jogos de apostas. A medida, impulsionada por uma notável e crescente demanda, visa a fortalecer a rede de apoio a jogadores compulsivos por meio de atendimentos telefônicos e videochamadas, garantindo acesso facilitado e gratuito a um tratamento essencial. Esta iniciativa, prevista para ocorrer ainda em 2026, reflete uma preocupação crescente com os impactos da dependência em jogos na saúde mental da população brasileira.

A decisão de reforçar a atual estratégia de teleatendimento será operacionalizada pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), que ficará responsável pela contratação de empresas especializadas. Este passo é crucial para garantir a capacidade de atendimento necessária diante do volume de usuários já cadastrados e do potencial aumento futuro, consolidando o compromisso do SUS em oferecer suporte abrangente e acessível a quem precisa.

Investimento e Estratégia para o Combate à Compulsão por Jogos

A expansão do teleatendimento representa um investimento substancial de aproximadamente R$ 70 milhões até o final deste ano. Este montante faz parte de um plano de ações mais amplo do Ministério da Saúde, implementado em 2026, que engloba prevenção, qualificação profissional e a ampliação do acesso populacional aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). O objetivo é incrementar a assistência a pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas, reconhecendo a complexidade e a multifacetada natureza dessa dependência.

Além do reforço no teleatendimento, a pasta destinará R$ 6 milhões para financiar uma pesquisa nacional inédita. Este estudo aprofundado buscará compreender como os jogos e apostas afetam a saúde dos brasileiros, identificando os grupos mais vulneráveis e os principais riscos associados à prática. As informações coletadas serão fundamentais para embasar a formulação de políticas públicas mais eficazes, tanto em termos de atendimento quanto de prevenção, otimizando os recursos e direcionando as ações para onde são mais necessárias.

Acesso Facilitado e Ferramentas Digitais do SUS

O serviço de teleatendimento em saúde mental do SUS, focado em jogo de apostas, foi inaugurado em março de 2026, em uma parceria estratégica com o Hospital Sírio-Libanês. Em apenas três meses de operação, a plataforma já registrou 6.912 usuários cadastrados, evidenciando a alta demanda e a necessidade urgente de tais serviços. Para acessar o suporte, os interessados devem se cadastrar através do aplicativo Meu SUS Digital.

Após o cadastro, o usuário precisa baixar o aplicativo, disponível gratuitamente para Android, iOS e em versão web, e criar ou utilizar sua conta Gov.br. O Meu SUS Digital não se limita ao teleatendimento; ele também oferece uma vasta gama de conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e o impacto dos jogos na saúde mental. Uma ferramenta crucial é o autoteste validado por especialistas: ao responder o questionário, se o resultado indicar risco moderado ou elevado, o usuário é automaticamente encaminhado para o teleatendimento. Casos de menor risco recebem orientação para buscar apoio em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS), garantindo um fluxo de cuidado contínuo e adaptado à necessidade individual. A Ouvidoria do SUS, acessível pelo telefone 136, também está preparada para oferecer orientações, seguindo rigorosamente as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O Cenário da Compulsão por Jogos no Brasil e Medidas de Prevenção

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os problemas com jogos de apostas como um comportamento potencialmente prejudicial à saúde mental, associado diretamente a condições como ansiedade, depressão, outros comportamentos compulsivos e um risco elevado de suicídio e autolesão. No Brasil, os dados reforçam essa preocupação: entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o número de atendimentos pelo SUS relacionados a jogo patológico e mania de jogo e aposta registrou um aumento alarmante de 104%.

Nesse período, foram contabilizadas 10.553 ocorrências, sendo 4.316 ambulatoriais e 6.237 na Atenção Primária à Saúde. A prevalência é maior entre homens e pessoas na faixa etária de 20 a 49 anos, embora o crescimento de casos envolvendo jovens esteja chamando a atenção dos especialistas. Diante desse cenário, diversas iniciativas públicas foram lançadas. Em dezembro de 2025, o governo federal implementou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, permitindo que indivíduos bloqueiem seu próprio acesso a sites de apostas autorizados. Até o final de maio de 2026, mais de meio milhão de pessoas já haviam utilizado essa ferramenta. Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde também disponibilizou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, um material abrangente para orientar o acolhimento, acompanhamento e tratamento. Mais recentemente, em 19 de junho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 13.033, que visa a intensificar o combate ao mercado ilegal de apostas, permitindo que recursos confiscados sejam usados na luta contra o crime organizado.

Financiamento e Sustentabilidade dos Serviços de Saúde

A execução do plano de ações ministerial é parcialmente custeada por recursos provenientes da destinação social. Em 2025, o Ministério da Saúde recebeu R$ 45,7 milhões (em valores não corrigidos) dessa fonte. Este valor corresponde a 1% do Produto da Arrecadação total de tributos pagos por empresas e apostadores, que em 2025 atingiu R$ 4,5 bilhões. A Lei nº 14.790, de 2023, estabelece a divisão desses recursos entre diversas áreas, como saúde (1%), educação (10%), turismo (28%), esportes (36%), segurança pública (13,6%), seguridade social (10%) e outras destinações (1,4%).

É fundamental que, conforme a legislação, todo o dinheiro repassado ao Ministério da Saúde seja empregado especificamente em medidas de prevenção, controle e mitigação dos danos sociais decorrentes da prática de jogos. Embora o ministério não consiga mensurar o custo exato dos atendimentos específicos para jogadores compulsivos, já que estes são integrados a outros serviços de média e alta complexidade da Rede de Atenção Psicopsocial (Raps) – que somaram aproximadamente R$ 2,5 bilhões somente em 2025 –, a pasta assegura que a destinação social representa uma fonte de financiamento relevante, complementada por recursos do orçamento próprio.

Acompanhar as iniciativas do governo para lidar com questões de saúde pública como a compulsão por jogos é essencial para entender os desafios e as soluções em andamento. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que impactam a sociedade brasileira, continue acessando o Portal de Notícias do Kardec. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, abordando uma variedade de assuntos que fazem a diferença no seu dia a dia.

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