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Governo federal debate futuro da exploração de terras raras no Sul de Minas

MG Fabiana Assis/g1
MG Fabiana Assis/g1

Uma comitiva de alto nível do governo federal realizou, entre esta quinta-feira (25) e sexta-feira (26), uma série de encontros estratégicos em Poços de Caldas e municípios vizinhos, no Sul de Minas Gerais. O objetivo central da visita foi aprofundar o debate sobre os impactos e o futuro da exploração de terras raras, minerais de crescente importância global, na região. A agenda intensa reuniu representantes governamentais, agentes políticos locais, moradores e empresas com interesse direto na atividade, sinalizando a relevância que o tema adquiriu no cenário nacional.

A presença federal sublinha a complexidade e o potencial que a mineração de terras raras representa para o Brasil, especialmente em uma área com histórico mineral como o Planalto de Poços de Caldas. As discussões abrangeram desde as oportunidades econômicas e tecnológicas até as preocupações ambientais e sociais levantadas pelas comunidades locais, buscando um equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade.

Terras raras: minerais estratégicos para o futuro

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de uma vasta gama de tecnologias modernas. Sua importância estratégica reside na aplicação em setores de ponta, como a indústria de carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos de defesa e tecnologias de energia renovável. A demanda por esses minerais tem crescido exponencialmente em escala global, impulsionando a busca por novas fontes e a reavaliação de depósitos existentes.

No Brasil, o Sul de Minas, particularmente a caldeira vulcânica de Poços de Caldas, emergiu como uma região de grande potencial. A mineradora Viridis, por exemplo, já produz carbonato de terras raras na localidade, demonstrando a viabilidade da exploração. Estima-se que o Planalto de Poços de Caldas possa, em menos de dois anos, corresponder a 15% das terras raras do planeta, um dado que coloca a região no centro das atenções globais e nacionais para o setor.

Diálogo e demandas da sociedade civil

Um dos primeiros compromissos da comitiva federal foi no campus do Instituto Federal do Sul de Minas (IF Sul de Minas), em Poços de Caldas. Ali, os integrantes receberam um dossiê detalhado, elaborado por entidades da sociedade civil, que continha sugestões e demandas cruciais para a implantação da nova atividade na região. Daniel Tygel, presidente da Aliança em Prol da APA da Pedra Branca, destacou a importância dessa interlocução.

“Essa é uma demanda que nós temos feito já há dois anos e meio. Que o governo federal venha para cá, conheça a nossa realidade, a nossa economia, a nossa cultura, a nossa população e entenda o que está em jogo de maneira aprofundada a respeito desses projetos de mineração de terras raras”, afirmou Tygel. A fala ressalta a necessidade de que as decisões sobre a exploração mineral sejam tomadas com base em um conhecimento profundo das particularidades locais, garantindo que os benefícios sejam compartilhados e os impactos negativos, mitigados.

Pesquisa e desenvolvimento para uma mineração sustentável

A agenda da comitiva não se limitou apenas aos aspectos econômicos e sociais da exploração, mas também incluiu discussões sobre pesquisa e desenvolvimento. O IF Sul de Minas, em parceria com a Universidade Federal de Alfenas (Unifal), apresentou ao Ministério da Ciência e Tecnologia uma proposta ambiciosa: a criação de um centro de pesquisas em terras raras no Parque Tecnológico da instituição, em Poços de Caldas.

Rafael Neves, diretor do IF Sul de Minas, campus Poços de Caldas, enfatizou a relevância da iniciativa. “A contribuição da academia é fundamental no sentido de trazer luz e conhecimento a uma temática de interesse mundial”, disse Neves, ao mencionar que a proposta busca financiamento via FINEP e conta com o apoio ministerial. A instalação de um centro de pesquisa local pode ser um diferencial para o desenvolvimento de tecnologias de extração mais limpas e eficientes, além de promover a formação de mão de obra especializada e a agregação de valor aos minerais extraídos.

Reuniões com a comunidade e o futuro da região

Além dos encontros fechados na Prefeitura de Poços de Caldas, que contaram com a participação de representantes do município e da cidade vizinha de Caldas, a comitiva federal também abriu espaço para o diálogo direto com a população. Na quinta-feira, uma reunião foi realizada na Escola Municipal Maria Ovídia Junqueira, em Poços de Caldas, permitindo que os moradores expressassem suas preocupações e expectativas.

A agenda se estendeu para a sexta-feira, com encontros em Caldas pela manhã e em Andradas no fim da tarde, mantendo a participação popular como um pilar fundamental do debate. Essas reuniões são cruciais para que o governo federal compreenda a fundo os impactos sociais, ambientais e econômicos que a exploração de terras raras pode trazer para as comunidades do Planalto de Poços de Caldas, uma região que já vivenciou um ciclo mineral intenso há cerca de 40 anos, ligado ao passado nuclear do país, e agora se prepara para um novo capítulo de sua história econômica e ambiental. Para mais informações sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec, seu canal de informação atualizada e contextualizada.

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