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Violência contra crianças e adolescentes dispara no Brasil, com aumento de 125% em cinco anos

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

As denúncias de violência contra crianças e adolescentes no Brasil mais que dobraram em apenas cinco anos, revelando um cenário alarmante que exige atenção urgente. Dados recentes do Ministério da Saúde, compilados pelo Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) e analisados pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), apontam para um crescimento exponencial que sublinha a persistência e a gravidade do problema em todo o território nacional.

Em 2020, o Sinan registrou 73.635 ocorrências de violência infantojuvenil. Esse número saltou para 165.413 em 2025, representando um aumento impressionante de 125%. No período compreendido entre 2020 e 2025, o sistema contabilizou um total de 685.629 notificações envolvendo vítimas de 0 a 18 anos, evidenciando a dimensão da crise.

O Cenário Preocupante da Violência Infantojuvenil no Brasil

A análise detalhada da SPDM, divulgada nesta terça-feira (30), oferece uma visão aprofundada sobre a escalada da violência. O crescimento percentual de 125% não é apenas um dado estatístico; ele reflete a intensificação de um problema social complexo, com impactos profundos na vida de milhares de jovens e crianças. A capacidade de notificação e o aumento das denúncias, embora positivos por um lado, também expõem a realidade brutal que muitas famílias enfrentam.

A atuação de entidades como a SPDM na compilação e divulgação desses dados é crucial para sensibilizar a sociedade e as autoridades sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes e de uma rede de proteção mais robusta. A transparência desses números é o primeiro passo para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e intervenção.

Perfil das Vítimas e as Formas Mais Comuns de Agressão

O estudo revela um perfil preocupante das vítimas. A maioria das denúncias foi protocolada por garotas, que representaram 62% dos casos, enquanto os meninos apareceram em 38% das ocorrências. Essa disparidade de gênero é um indicativo importante para a compreensão das dinâmicas da violência, especialmente em relação à violência sexual.

Em termos de perfil racial, a pesquisa mostra que 49,1% das vítimas foram classificadas como pardas, 35,7% como brancas e 7,6% como negras. Essa distribuição racial sugere que grupos específicos podem estar mais vulneráveis, demandando abordagens que considerem as interseções de raça e classe social na formulação de políticas de proteção.

A análise por faixa etária também é reveladora. A adolescência (13 a 18 anos) concentra 43% das notificações, com 294.010 registros. A primeira infância (até 6 anos) registrou 256.601 casos (37,5%), e a segunda infância (entre 7 e 12 anos) contabilizou 135.018 casos (20%). Cada faixa etária apresenta vulnerabilidades distintas e exige respostas adaptadas.

Quanto aos tipos de violência, a sexualidade apareceu como a ocorrência mais frequente, concentrando 34% das notificações. Em seguida, vêm os casos de negligência e abandono, com 33,3%, e a violência física, com 32,9%. A proximidade percentual entre essas três categorias demonstra a complexidade e a multiplicidade das formas de agressão sofridas por crianças e adolescentes.

O Lar como Palco e a Urgência da Intervenção Familiar

Um dos dados mais chocantes do estudo é a constatação de que o ambiente doméstico é o local onde ocorre a maioria das agressões. Mais alarmante ainda é a identificação dos agressores: a mãe da vítima foi apontada em 34% dos casos, enquanto o pai teve envolvimento em 26% das ocorrências registradas. Esses números sublinham a necessidade urgente de intervenções que apoiem as famílias e abordem as raízes da violência dentro do próprio lar, que deveria ser um porto seguro.

A complexidade de lidar com a violência intrafamiliar exige uma abordagem multifacetada, que inclua desde o apoio psicológico e social para as famílias em situação de vulnerabilidade até a capacitação de profissionais para identificar e intervir em casos de abuso, sem estigmatizar ou criminalizar automaticamente, mas garantindo a proteção da criança e do adolescente.

Desafios Regionais e o Apelo por Ações Integradas

O psiquiatra e presidente da SPDM, Ronaldo Laranjeira, ressalta que o volume de notificações demonstra que a violência contra crianças e adolescentes “segue como um grave e persistente problema no país”. Ele enfatiza que os impactos podem se estender por toda a vida da vítima, comprometendo seu desenvolvimento e aumentando vulnerabilidades futuras. “Por isso, é fundamental fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça”, afirma Laranjeira.

A análise geográfica dos dados revela que todas as regiões do Brasil registraram aumento nas notificações no período. Os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, juntos, concentram 52% de todas as notificações. No entanto, o Nordeste liderou o ranking de variação percentual, com um salto de 1.200%, seguido pelas regiões Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%). Essa variação regional indica a necessidade de políticas públicas adaptadas às realidades e desafios de cada localidade.

Fortalecendo a Rede de Proteção e Prevenção Contínua

Diante desse cenário, a SPDM reforça a importância da qualificação contínua dos profissionais para a identificação precoce dos sinais de violência. É vital que a rede de proteção seja fortalecida, envolvendo não apenas os serviços de saúde e assistência social, mas também escolas, conselhos tutelares e a comunidade em geral. A ampliação das ações de prevenção, voltadas às famílias e comunidades, é um pilar essencial para reverter essa tendência alarmante.

A luta contra a violência infantojuvenil é uma responsabilidade coletiva. A conscientização, a denúncia e o apoio às vítimas são passos fundamentais para construir um futuro mais seguro e digno para todas as crianças e adolescentes brasileiros. Acesse a Agência Brasil para mais informações sobre este e outros temas relevantes.

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