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PRF flagra caminhoneiro sob efeito de maconha após 24 horas ao volante em rodovia de MG

24 horas seguidas em MG Policia Rodoviária Federal/ Divulgação O motorista de um
Reprodução G1

O domingo (28) terminou com um alerta significativo para a segurança nas estradas de Minas Gerais. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou um motorista de carreta na BR-262, em Bom Despacho, na região Centro-Oeste do estado, em uma abordagem que revelou uma série de irregularidades graves. O condutor, de 54 anos, foi flagrado com porções de maconha e, o que é ainda mais preocupante, estava ao volante há 24 horas ininterruptas, desrespeitando as normas de descanso obrigatórias para profissionais do transporte.

A ocorrência, que destaca a vigilância constante da PRF nas rodovias federais, expõe os riscos inerentes à combinação de fadiga extrema e uso de substâncias ilícitas na direção de veículos de grande porte. A fiscalização rotineira, neste caso motivada por um veículo que excedia as dimensões permitidas para circulação noturna, acabou por desvendar uma situação que poderia ter consequências trágicas para o próprio motorista e para outros usuários da via. A apreensão da droga e do veículo, juntamente com a lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), sublinha a complexidade e a seriedade das infrações cometidas.

Fadiga ao Volante: Um Risco Latente para a Segurança nas Estradas

A descoberta de que o motorista dirigia por 24 horas seguidas é um ponto de extrema preocupação. A legislação brasileira, por meio da Lei do Motorista (Lei nº 13.103/2015), estabelece rigorosamente os períodos de descanso para condutores profissionais, exigindo um mínimo de 11 horas de repouso a cada 24 horas de trabalho, além de pausas durante a jornada. A fadiga é um dos principais fatores que contribuem para acidentes de trânsito, equiparando-se, em muitos aspectos, aos perigos da embriaguez ao volante. A privação de sono afeta drasticamente a capacidade de reação, a percepção de risco e a tomada de decisões, elementos cruciais para quem opera um veículo pesado como uma carreta.

A fiscalização da PRF utilizou o cronotacógrafo, um equipamento de segurança obrigatório em veículos de carga e passageiros, para verificar a jornada do motorista. Este instrumento registra de forma inalterável a velocidade, o tempo e a distância percorrida, sendo uma ferramenta essencial para garantir o cumprimento das leis de trânsito e as condições de trabalho dos motoristas. A constatação de uma jornada tão exaustiva evidencia não apenas o descumprimento da lei, mas também uma potencial pressão sobre os motoristas para cumprir prazos, muitas vezes em detrimento da própria segurança e da vida de terceiros.

Drogas e Direção: Uma Combinação Perigosa

Além da fadiga, a presença de três porções de maconha na cabine do veículo adiciona uma camada ainda mais grave à ocorrência. O uso de qualquer substância psicoativa, lícita ou ilícita, compromete a capacidade de dirigir com segurança. A maconha, em particular, pode alterar a percepção de tempo e espaço, diminuir a coordenação motora e prejudicar a concentração, aumentando exponencialmente o risco de acidentes. A PRF tem intensificado as ações de combate ao tráfico e ao uso de drogas nas rodovias, ciente do impacto devastador que essa prática pode ter no trânsito.

A BR-262, onde a abordagem ocorreu, é uma importante via de ligação no Centro-Oeste de Minas Gerais, conectando diversas cidades e sendo rota para o escoamento de produção e transporte de mercadorias. A vigilância constante da Polícia Rodoviária Federal em trechos como este é fundamental para coibir práticas ilegais e garantir a fluidez e a segurança do tráfego.

Irregularidades Adicionais e as Consequências Legais

A fiscalização revelou outras infrações que, embora menos graves que a combinação de fadiga e drogas, contribuem para o cenário de risco. O veículo, um rodotrem, excedia as dimensões permitidas para circulação durante o período noturno, o que por si só já representa um perigo, especialmente em estradas com menor visibilidade. Adicionalmente, a documentação da carreta estava vencida, uma infração administrativa que impede a circulação regular do veículo e pode gerar multas e apreensão.

O motorista, após a apreensão da droga e do veículo, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado. O TCO é um procedimento simplificado utilizado para registrar crimes de menor potencial ofensivo, como a posse de drogas para consumo pessoal, lesão corporal leve ou ameaça. Ele dispensa a prisão em flagrante e o pagamento de fiança, encaminhando o caso diretamente para a justiça, onde o autor deverá comparecer para responder pelos atos. No entanto, as infrações de trânsito, como a jornada excessiva e a documentação irregular, acarretam penalidades administrativas e pontos na carteira de habilitação, além da possibilidade de processos judiciais relacionados à posse da substância.

A atuação da PRF em Bom Despacho serve como um lembrete contundente da importância da fiscalização rigorosa para a manutenção da ordem e da segurança no trânsito brasileiro. A combinação de fadiga, uso de drogas e irregularidades veiculares é um coquetel perigoso que exige atenção constante das autoridades e conscientização de todos os envolvidos no transporte rodoviário.

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