O relato de uma gestão sob pressão
A ex-ministra da Saúde e primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, lança nesta quarta-feira (1º), em Brasília, a obra Ainda há tempo: a pandemia de covid-19 e a transformação do futuro. O livro oferece um olhar detalhado sobre os desafios enfrentados durante o período mais crítico da crise sanitária global, trazendo à tona episódios que moldaram a resposta brasileira à doença.
Entre os relatos inéditos presentes na publicação, destacam-se a complexa logística para a criação de um hospital de emergência em Manguinhos e as delicadas negociações diplomáticas e científicas para a transferência de tecnologia da vacina da AstraZeneca. A obra não se limita apenas ao registro histórico, mas busca provocar uma reflexão sobre as lições aprendidas e a necessidade de preparar o sistema de saúde para futuras emergências.
A importância da memória coletiva
Para a autora, o registro documental é uma ferramenta essencial de enfrentamento aos traumas vivenciados pela sociedade. Nísia Trindade enfatiza que o esquecimento é um risco que não pode ser ignorado após uma tragédia de proporções globais.
“O silêncio é o pior adversário diante de traumas, ainda mais quando podemos considerá-los coletivos”, afirma a ex-ministra. O livro chega em um momento em que o Brasil busca consolidar políticas de memória, como a recente instituição do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, celebrado em 12 de março, reforçando o compromisso com a verdade histórica.
Agenda de lançamentos e reflexões
O lançamento oficial ocorre hoje, às 19h, na Livraria da Travessa, localizada no Casa Park Shopping, em Brasília. Na sequência, a autora levará a discussão para o Rio de Janeiro, com um evento agendado para esta quinta-feira (2), às 17h, na PUC-Rio, onde o debate sobre os impactos da pandemia deve ganhar novos contornos acadêmicos e sociais.
Conexão com a exposição Vida Reinventada
Além da publicação, a temática da pandemia é explorada na exposição Vida Reinventada – A Pandemia de Covid-19 e a Transformação do Futuro, inaugurada recentemente no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), no Rio de Janeiro. Com curadoria que envolveu diversos cientistas e cenografia assinada por André Cortês, a mostra utiliza documentos, instalações e minidocumentários para narrar o período.
Segundo Cortês, a exposição busca transmitir uma mensagem clara sobre a capacidade humana de superação, mas também sobre a responsabilidade de não repetir erros. “A nossa mensagem é ‘poderia ter sido diferente’ e lembrar sempre uma forma de não repetir os erros do passado”, pontua o cenógrafo. O projeto reforça o papel da ciência e da cultura como pilares fundamentais na reconstrução da confiança pública após crises severas.
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