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Agressão a assistente social em Belo Horizonte intensifica pedidos por mais segurança em Conselhos Tutelares

Agressão a assistente social em Belo Horizonte intensifica pedidos por mais segurança em Conselhos Tutelares

Um episódio de violência chocou a comunidade e reacendeu o debate sobre a segurança de profissionais que atuam na linha de frente da proteção de crianças e adolescentes em Belo Horizonte. Na tarde da última quinta-feira (13), uma assistente social foi agredida e ameaçada dentro das instalações do Conselho Tutelar do Barreiro, na capital mineira. A suspeita, uma mulher de 34 anos, foi detida por um guarda municipal após tentar fugir do local, marcando mais um capítulo na rotina de desafios enfrentados por esses servidores.

O incidente ocorreu durante o cumprimento de uma decisão judicial delicada: o acolhimento da filha da agressora, uma bebê de apenas seis meses. O boletim de ocorrência detalha que a Justiça havia apontado indícios de negligência nos cuidados com a criança, resultando na suspensão temporária da guarda materna. Esse tipo de situação, embora amparada por lei, frequentemente coloca os profissionais em posições de alta vulnerabilidade, lidando com emoções intensas e, por vezes, reações agressivas.

Ataque no Conselho Tutelar do Barreiro

A assistente social, cuja identidade foi preservada por questões de segurança e que teve a voz modificada em entrevista, revelou que já havia recebido ameaças anteriores da mulher. O medo de represálias é uma constante para muitos que trabalham em contextos de vulnerabilidade social e conflito familiar. Segundo seu relato, a agressora havia prometido que a situação “não ficaria dessa forma” e que ela “iria me pegar”.

O ataque aconteceu em um momento de grande movimentação no Conselho Tutelar. A profissional foi surpreendida por um soco no rosto. “Me desferiu um soco, acertando meu olho. É você mesmo que eu estou querendo”, contou a vítima, descrevendo a agressão direta e premeditada. Após o golpe, colegas da assistente social intervieram, e a mulher tentou fugir, mas foi prontamente detida por um guarda municipal que patrulhava a região e levada à delegacia.

A Natureza Sensível do Trabalho Tutelar

O trabalho dos Conselhos Tutelares é fundamental para a efetivação dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esses órgãos autônomos, encarregados de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, atuam em situações complexas que envolvem negligência, maus-tratos, exploração e abandono. A natureza dessas intervenções, que muitas vezes implicam em afastar crianças de seus responsáveis para garantir sua segurança, naturalmente gera atritos e resistência.

Conselheiros tutelares e assistentes sociais são a ponte entre a justiça e as famílias em crise, tomando decisões difíceis que, embora necessárias, podem ser mal interpretadas ou recebidas com hostilidade. Victor Campos, conselheiro tutelar, ressalta que ameaças e intimidações são parte da rotina, pois os profissionais acabam sendo vistos como “inimigos” por aqueles que discordam das medidas protetivas. Essa percepção equivocada coloca em risco a integridade física e psicológica dos servidores.

Clamor por Segurança e Protocolos Urgentes

O incidente em Belo Horizonte não é isolado e reforça um clamor antigo por mais segurança nos ambientes de trabalho dos Conselhos Tutelares. Desde 2024, profissionais da área têm cobrado a implementação de um plano de segurança e um protocolo de atendimento específico, especialmente após casos de ameaças de morte a conselheiros. A criação de um protocolo é vista como urgente para estabelecer medidas claras de proteção, tanto para os trabalhadores quanto para os usuários dos serviços.

A conselheira tutelar Edna Ribeiro enfatiza a “chateação” e a “exposição” a que os profissionais estão submetidos. “A gente não sai de casa para sofrer qualquer tipo de agressão. É um trabalho que exerce com cuidado e zelo”, afirmou, destacando o impacto emocional das ameaças e agressões. A presença mais frequente da Guarda Municipal nos conselhos, como a viatura que esteve no Conselho Tutelar do Barreiro para rondas de rotina, é uma das pautas discutidas pela categoria, embora a necessidade de um plano estruturado vá além do patrulhamento ostensivo.

O Impacto da Violência nos Servidores Públicos

A agressão à assistente social em Belo Horizonte é um sintoma de um problema maior: a crescente violência contra servidores públicos que atuam em áreas sensíveis. Profissionais da saúde, educação e assistência social, que lidam diretamente com o público em situações de vulnerabilidade e conflito, frequentemente se tornam alvos de agressões verbais e físicas. Essa realidade não apenas compromete a segurança individual desses trabalhadores, mas também afeta a qualidade dos serviços prestados à população, gerando um ambiente de medo e desmotivação.

A garantia de um ambiente de trabalho seguro para esses profissionais é um dever do Estado e um pilar para a manutenção de serviços essenciais. A discussão sobre a segurança nos Conselhos Tutelares, portanto, transcende o episódio isolado e se insere em um contexto mais amplo de valorização e proteção dos servidores que dedicam suas vidas ao bem-estar coletivo. A sociedade como um todo se beneficia quando esses trabalhadores podem exercer suas funções sem o temor constante de represálias.

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