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Cuidado em casa: Ministério da Saúde lança programa de atenção domiciliar para idosos

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Saúde lançou, nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, no Rio de Janeiro, o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), uma iniciativa ambiciosa que promete transformar o cuidado com a população idosa do país. Com um investimento previsto de R$ 500 milhões, o programa visa estruturar e expandir a atuação de equipes multiprofissionais, levando atendimento especializado diretamente aos lares de idosos com limitações funcionais que enfrentam dificuldades de deslocamento até as unidades de saúde.

A medida representa um passo significativo na adaptação do Sistema Único de Saúde (SUS) às crescentes demandas de uma população que envelhece rapidamente, garantindo que a assistência médica e social chegue a quem mais precisa, no conforto e segurança de seu próprio ambiente.

Padi Brasil: um novo horizonte para a atenção domiciliar de idosos

O investimento total de R$ 500 milhões será distribuído estrategicamente, com R$ 163,2 milhões destinados para o ano de 2026 e R$ 329,3 milhões para 2027. Essa alocação de recursos permitirá que as administrações municipais solicitem a criação de novas equipes de atenção domiciliar ou a ampliação das já existentes na atenção básica. A flexibilidade do programa abrange o aumento da carga horária de atendimento e a contratação de novos profissionais, incluindo médicos especialistas, essenciais para um cuidado abrangente.

A adesão ao Padi Brasil tem sido expressiva em todo o território nacional. Até o momento, 2.733 municípios já manifestaram interesse, solicitando a implementação de um total de 3.677 equipes. Este engajamento demonstra a percepção local da urgência e da necessidade de um modelo de cuidado mais próximo e acessível para os idosos. O programa prevê um incremento mensal de até R$ 10 mil para cada equipe, podendo atingir o valor de até R$ 57,5 mil mensais, dependendo da modalidade da equipe multiprofissional (Ampliada, Complementar ou Estratégica), o que garante um suporte financeiro robusto para a manutenção e qualificação dos serviços.

Equipes multiprofissionais levam atendimento especializado ao lar

A espinha dorsal do Padi Brasil são as equipes multiprofissionais, compostas por um leque diversificado de especialistas que atuam de forma integrada às equipes de Saúde da Família. Conforme detalhado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esses grupos de trabalho são desenhados para oferecer um “olhar especial” às condições dos idosos, muitos dos quais possuem dificuldades de mobilidade e não conseguem realizar atividades físicas ou se deslocar para consultas.

“O idoso vai receber a visita de profissionais especializados com um olhar especial para as condições deles, que têm dificuldades de mobilidade e não conseguem fazer atividades físicas. Serão desde médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais até assistentes sociais”, afirmou o ministro. Essa abordagem holística permite que o cuidado seja adaptado às necessidades individuais de cada paciente, promovendo não apenas a saúde física, mas também o bem-estar mental e social. Cada município tem a autonomia para escolher a composição profissional ideal de suas equipes, a partir de um “cardápio” de opções oferecido pelo Ministério da Saúde, garantindo que os recursos humanos sejam alinhados às especificidades locais.

O envelhecimento populacional e a demanda por atenção domiciliar

O lançamento do Padi Brasil reflete uma realidade demográfica incontornável no Brasil: o rápido envelhecimento da população. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que a expectativa de vida ao nascer no país alcançou 76,6 anos em 2024, um aumento significativo que, embora celebre a melhoria das condições de vida, também impõe novos desafios ao sistema de saúde. Atualmente, uma parcela massiva da população idosa, cerca de 80%, depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para seus atendimentos médicos, evidenciando a importância de políticas públicas robustas e acessíveis.

A necessidade de programas como o Padi Brasil é ainda mais acentuada pela estimativa de que existem aproximadamente 3 milhões de idosos acamados em território nacional, muitos dos quais já são acompanhados pela atenção primária. Para esse grupo, a dificuldade de acesso a serviços de saúde fora de casa é uma barreira constante, tornando o atendimento domiciliar não apenas uma conveniência, mas uma necessidade vital. O programa, portanto, não apenas amplia o acesso, mas também humaniza o cuidado, reconhecendo a dignidade e as particularidades de cada idoso em seu próprio ambiente.

Estratégias complementares e a inspiração para o Padi Brasil

O Padi Brasil não surge isolado, mas se integra a um conjunto de iniciativas do governo federal voltadas para a melhoria da qualidade de vida dos idosos. O ministro Alexandre Padilha destacou a sinergia com programas já consolidados, como o Farmácia Popular, que assegura o acesso a medicamentos essenciais para condições como hipertensão e diabetes, além de fraldas geriátricas. Outro exemplo é o Mais Especialistas, que tem contribuído para reduzir as filas de espera por cirurgias e exames especializados. “Estamos reorganizando o SUS para cuidar melhor dos idosos no nosso país”, ressaltou Padilha, sublinhando o compromisso com a reestruturação do sistema para atender às necessidades desse grupo.

A gestão da saúde do idoso também é fortalecida por ferramentas como a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, disponível em formato físico e no aplicativo Meu SUS Digital, que serve como um instrumento estratégico para monitorar as condições de saúde e promover o autocuidado. Além disso, o Ministério da Saúde disponibiliza materiais educativos valiosos, direcionados a cuidadores, familiares e profissionais de saúde, abordando temas cruciais como a prevenção de quedas e a comunicação eficaz em casos de demência.

Um aspecto notável do lançamento do Padi Brasil foi a homenagem à médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes. Sua visão e pioneirismo na década de 1990, quando atuava no Hospital Municipal Paulino Werneck, na Ilha do Governador, foram a semente para o programa nacional. Guilhermina percebeu que muitos idosos retornavam ao hospital após a alta por falta de acompanhamento adequado em casa. Liderou, então, a criação de um Programa de Atenção Domiciliar (PAD) local, oferecendo assistência médica, de enfermagem, fisioterapia, psicologia e apoio aos cuidadores familiares diretamente nas residências. Sua iniciativa, que antecipou em décadas a necessidade de um cuidado mais humanizado e descentralizado, é agora reconhecida como a inspiração fundamental para o Padi Brasil.

Para acompanhar de perto os desdobramentos do Padi Brasil, entender como ele impacta a saúde pública e se aprofundar em outros temas relevantes para o dia a dia do brasileiro, continue navegando no Portal de Notícias do Kardec. Nosso compromisso é oferecer informação de qualidade, com análise aprofundada e contextualização, para que você esteja sempre bem informado.

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