O que começou como uma simples ideia para reforçar a segurança de uma chácara em Uberlândia, Minas Gerais, transformou-se em uma impressionante obra arquitetônica. Juliano Braga, um ex-piloto executivo de 68 anos, construiu um castelo de cerca de 17 metros de altura no bairro Mansões Aeroporto, uma estrutura que se destaca pela originalidade e pela paixão de seu criador.
A iniciativa, que inicialmente previa apenas uma guarita em formato de castelo, ganhou proporções inesperadas à medida que as paredes subiam. Sem formação em arquitetura ou engenharia, Juliano se guiou pela intuição e por uma antiga paixão por história, resultando em um projeto único que reflete suas experiências e criatividade.
A Materialização de um Sonho Medieval
A inspiração para o castelo de Uberlândia veio das inúmeras viagens de Juliano à França, onde visitava sua filha e seus netos. Durante essas visitas, ele teve a oportunidade de conhecer diversos castelos europeus, absorvendo elementos da arquitetura medieval que mais tarde seriam incorporados à sua própria construção. “Eu sempre fui apaixonado por história. No colégio, eu sempre gostei disso. Aí minha filha mudou para a França, casou com francês e visitei a França algumas vezes e fui em alguns castelos”, relatou.
O processo de construção foi orgânico e sem um projeto arquitetônico formal. Juliano orientava o pedreiro à medida que a obra avançava, ajustando proporções e detalhes no próprio terreno, com o auxílio de moldes improvisados. Essa abordagem resultou em uma edificação personalizada, com torres pontiagudas, arcos, escadas em espiral e janelas desenhadas sob medida. As torres, por exemplo, foram concebidas com estruturas metálicas para garantir leveza e segurança.
Iniciada em 2020 e concluída por volta de 2024, a parte interna do castelo conta com cozinha, banheiro social, uma suíte e outros ambientes, embora com um estilo mais contemporâneo, contrastando com a fachada medieval. A torre mais alta abriga uma escada caracol que leva a uma janela a aproximadamente 17 metros de altura, proporcionando uma vista privilegiada da propriedade.
Além das Muralhas: Um Vulcão e Outras Invenções
A criatividade de Juliano não se limitou ao castelo. No terreno de cerca de 5 mil metros quadrados, ele também construiu uma réplica do Monte Fuji, o icônico vulcão japonês. Essa homenagem é dedicada à sua esposa, Masako Kotani, carinhosamente chamada de Terezinha, que é descendente de japoneses. O vulcão é moldado em concreto e possui um engenhoso sistema de água e iluminação vermelha que simula a erupção de lava.
A propriedade ainda é enriquecida por uma piscina, pequenas pontes, uma cachoeira que alimenta um riacho, uma roda d’água e dois monjolos de madeira. Todos esses elementos não apenas embelezam o cenário, mas também fazem parte de um sistema de circulação de água e possuem funções práticas, como auxiliar na manutenção da piscina. Para mais notícias e informações relevantes, acompanhe o Portal G1.
Uma Construção Feita com Paixão e Sem Pressa
Juliano não conseguiu precisar o custo total da obra, pois parou de registrar os gastos à medida que a construção avançava. A natureza artesanal e personalizada do projeto exigiu soluções improvisadas e a colaboração de profissionais que, como o serralheiro responsável pelas torres, nunca haviam trabalhado em estruturas semelhantes. O próprio Juliano participou ativamente, ajudando na preparação da massa e orientando o pedreiro.
Ele enfatiza que a intenção por trás do castelo não era ostentar riqueza ou poder, mas sim realizar um desejo pessoal, uma paixão por “coisas antigas”. Para Juliano, a construção é um prazer estético, comparável a alguém que adquire um carro antigo por puro apreço ao estilo.
Um Legado para as Crianças e a Comunidade
A inspiração para o castelo também se conecta ao desejo de Juliano de criar um espaço que possa ser desfrutado por crianças. Com quatro netos – três na França e um no Brasil –, ele sonha em ampliar a estrutura para receber grupos de visitação, especialmente de escolas. “Tem três coisas que criança é apaixonada: castelo, avião e mágica”, disse ele, revelando planos futuros de adquirir um avião em tamanho real para a propriedade e aprender truques de mágica.
A ideia de abrir o local ao público ganhou força após as imagens do castelo circularem na internet, gerando grande repercussão. Juliano, que inicialmente não planejava divulgar a construção, mudou de ideia ao perceber o potencial de “levar alegria para as pessoas, para as crianças principalmente”, e de “engrandecer o visual aqui do bairro, da cidade”.
Raízes em Minas Gerais: A Trajetória de Juliano Braga
Embora o castelo esteja em Uberlândia, Juliano Braga é natural de São Bernardo do Campo, São Paulo, e cresceu em São José do Rio Pardo. Sua chegada ao Triângulo Mineiro, aos 24 anos, foi motivada pela profissão de piloto, trabalhando em uma empresa que antecedeu o Grupo Martins, onde permaneceu por 34 anos. Foi em Uberlândia que ele construiu sua vida, formou família e viu seu filho, Leonel Kotami Braga, seguir seus passos na aviação.
Juliano guarda uma relação especial com a cidade e com Minas Gerais, lembrando de uma coincidência na infância, aos 11 anos, quando encontrou uma representação do mapa do estado em um antigo porão. Esse episódio, para ele, foi um presságio de seu destino. “Eu tive assim uma impressão que o meu destino era vir morar aqui em Minas, no Triângulo”, contou.
O Prazer de Envelhecer e Criar
Atualmente aposentado da rotina de piloto, Juliano dedica seu tempo à chácara, à jardinagem – que ele cuida pessoalmente – e às inúmeras invenções que ainda deseja tirar do papel. Para ele, a paixão pelo castelo, pelos aviões e pela jardinagem está intrinsecamente ligada à passagem do tempo e a uma redescoberta da infância. “Depois que vai envelhecendo, vai virando criança outra vez”, resumiu, expressando a satisfação com a vida que construiu e a alegria de continuar criando.
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