O Monte Everest, com seus imponentes 8.848 metros de altitude, é o ápice do desafio para muitos alpinistas ao redor do mundo. Para Francisco Márcio Campos, de 38 anos, natural de São Lourenço, no Sul de Minas Gerais, esse sonho se tornou realidade no último domingo (18). Ele alcançou o cume da montanha mais alta do planeta às 8h52 (horário local), durante uma expedição desafiadora na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre Nepal e Tibete. Com essa façanha, Francisco se junta a um seleto grupo, tornando-se o 43º brasileiro a conquistar o topo do mundo.
A jornada, no entanto, foi muito além da emoção da chegada ao cume. O alpinista relata uma experiência “surreal”, mas também repleta de momentos de risco extremo, especialmente durante a descida, considerada a etapa mais perigosa da expedição.
A jornada até o topo do mundo
O interesse de Francisco Márcio Campos pelo alpinismo surgiu em 2019, quando ele residia na China e teve os primeiros contatos com as regiões próximas ao Himalaia. “Comecei em montanhas de 5 mil metros de altitude e fui desenvolvendo esse interesse pelo alpinismo”, relembra. A ideia de escalar o Everest, contudo, ganhou força em 2021, durante uma visita ao campo base da montanha. “Foi meio que um estalo: ‘uai, eu quero subir no topo do Everest’”, contou.
A partir desse momento, o objetivo de conquistar o Everest se tornou o foco central de sua vida. A decisão impulsionou uma preparação rigorosa, que exigiu não apenas força física e técnica apurada, mas também uma resiliência mental inabalável para enfrentar os desafios extremos das grandes altitudes.
Preparação intensa e o chamado do Himalaia
Morando atualmente nos Estados Unidos, Francisco dedicou cerca de um ano exclusivamente aos treinos, escalando montanhas no Colorado para aprimorar suas habilidades e resistência. Sua preparação incluiu expedições em picos notáveis, como o Aconcágua, na América do Sul, e o Manaslu, no Nepal, a oitava montanha mais alta do mundo, que serviram como etapas cruciais para aclimatação e teste de limites. A expedição ao Everest teve início em abril deste ano, com a viagem até o Nepal, passando pela capital Catmandu e pela cidade de Lukla, conhecida como a porta de entrada para o Everest.
Durante a ascensão, os desafios foram constantes: frio intenso, baixa concentração de oxigênio e o risco iminente de acidentes. A cada metro conquistado, a montanha testava os limites do corpo e da mente do alpinista, exigindo foco e determinação ininterruptos. Para entender mais sobre os desafios e a história do alpinismo, você pode consultar fontes especializadas em montanhismo.
A “zona da morte” e a apreensão familiar
Enquanto Francisco avançava rumo ao cume, sua família acompanhava a jornada à distância, vivendo momentos de profunda apreensão. A preocupação se intensificou quando ele ficou incomunicável na temida “zona da morte”, uma área acima de 8.000 metros de altitude onde a escassez de oxigênio e as condições climáticas extremas tornam a sobrevivência extremamente difícil. “Foi um momento de apreensão total. Teve uma hora que ele ficou sem comunicação e minha mãe ficou muito nervosa”, relatou o irmão, Matias Campos.
Essa fase da escalada é conhecida por ser o ponto crítico, onde muitos alpinistas enfrentam o limite de suas capacidades físicas e mentais, e onde a margem para erros é praticamente inexistente. A comunicação precária ou a ausência dela adiciona uma camada extra de angústia para os que esperam notícias.
A conquista do Everest e a dura realidade da descida
A chegada ao topo do Everest foi, para Francisco, o ponto mais marcante de toda a jornada. “Quando você chega no topo, a sensação é surreal. Começa a passar um filme na sua cabeça. Eu abri mão de muita coisa pra estar ali, é um investimento alto. Na hora você pensa: ‘nossa, consegui chegar aqui’”, descreve o alpinista. Ele afirma que a experiência transformou sua percepção sobre o medo e a capacidade humana. “Você muda toda sua visão. Quando chega lá em cima, percebe que é capaz”, afirma.
No entanto, a euforia da conquista logo dá lugar à cautela. Francisco enfatiza que a descida é a etapa mais perigosa da expedição. “Na descida acontecem muitos acidentes, porque o corpo já está muito cansado”, explica. A realidade brutal da montanha se manifesta de forma crua: “Na descida, você vê corpo na montanha que até hoje não conseguiram retirar. Aquilo faz você lembrar que a morte é real. Aí precisa focar e continuar descendo”, conta. Durante a expedição, o alpinista também soube de três óbitos na região, embora não tenham ocorrido no ataque ao cume.
O apoio familiar foi, segundo ele, fundamental durante toda a preparação e a execução da escalada. “Minha família me apoiou muito. Muita gente fala que é loucura, mas meus pais sabiam que era um sonho”, conclui Francisco, que agora celebra não apenas a conquista de um pico, mas também a superação de seus próprios limites.
Para continuar acompanhando histórias inspiradoras de superação, desafios e as últimas notícias do Brasil e do mundo, fique conectado ao Portal de Notícias do Kardec. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, abordando uma variedade de temas que importam para você.