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Licença de delegada casada com empresário acusado de matar gari é prorrogada em Minas Gerais

mais 60 dias, conforme publicação no Diário Oficial de Minas Gerais desta quarta
Reprodução G1

A delegada de polícia Ana Paula Lamego Balbino, cujo marido, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, é réu pelo assassinato de um gari, teve sua licença médica prorrogada por mais 60 dias. A decisão, publicada no Diário Oficial de Minas Gerais nesta quarta-feira (10), mantém a servidora afastada de suas funções na Polícia Civil enquanto as investigações sobre sua própria conduta e o processo criminal contra seu esposo avançam.

O afastamento da delegada, que se iniciou dois dias após o crime ocorrido em agosto de 2025, tem gerado discussões sobre os limites da licença médica em casos de grande repercussão e as implicações para a imagem da instituição policial. A nova prorrogação estende sua ausência até 9 de agosto, aproximando-a da marca de um ano completo longe das atividades, que será atingida em 13 de agosto, caso não retorne ao trabalho.

Afastamento e o Caso Renê Nogueira Júnior

A delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira está afastada desde agosto de 2025, logo após o trágico incidente que vitimou o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos. O crime ocorreu em 11 de agosto de 2025, no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, enquanto Laudemir realizava seu trabalho de coleta de lixo. Segundo as investigações, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, marido da delegada, teria se irritado com a interrupção momentânea do trânsito causada pela operação de limpeza, discutido com os trabalhadores e disparado contra a vítima.

Renê foi preso horas depois e, em abril de 2026, a Justiça decidiu levá-lo a júri popular. Ele é réu por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e fraude processual. A acusação sustenta que a arma utilizada no assassinato pertencia à delegada, e que Renê teria instruído a esposa a entregar uma arma diferente aos investigadores, configurando uma tentativa de fraude processual.

Investigações sobre a Conduta da Delegada

A conduta da delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira tem sido alvo de rigorosa apuração pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais. Procedimentos foram instaurados para investigar possíveis infrações funcionais, incluindo o acesso indevido ao sistema interno da corporação para consultar informações sobre a ocorrência envolvendo seu marido e a suposta omissão diante do crime.

Em abril de 2026, a Polícia Civil confirmou a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar essas alegações. A gravidade das acusações contra um membro da força policial, especialmente em um caso de tamanha repercussão, levanta questões importantes sobre a integridade e a transparência das instituições de segurança pública. A manutenção de sua licença médica, enquanto essas investigações correm, adiciona uma camada de complexidade ao cenário.

Aspectos Legais do Afastamento e Repercussão Social

A legislação de Minas Gerais, por meio de lei estadual e decreto, regulamenta a licença médica para servidores públicos. No caso da Polícia Civil, um estatuto específico detalha as condições para afastamentos por motivos de saúde, garantindo a remuneração integral durante o período. O advogado Fabrício Duarte explica que, se um policial se afasta por mais de 90 dias em um período de 12 meses, contínuos ou descontínuos, ele deve ser submetido a perícia para avaliar uma possível invalidez.

A delegada pode permanecer afastada nessas condições por até dois anos. Caso o afastamento perdure por mais de dois anos, a aposentadoria por invalidez é compulsória. A prorrogação de sua licença, portanto, está dentro dos parâmetros legais, mas o contexto do caso de seu marido e as investigações sobre sua própria conduta amplificam o escrutínio público.

O assassinato de Laudemir de Souza Fernandes gerou grande comoção e mobilização em Minas Gerais. Familiares, colegas de trabalho e entidades ligadas à categoria dos trabalhadores da limpeza urbana têm clamado por justiça, transformando o caso em um símbolo da luta contra a violência e a impunidade. A situação da delegada, esposa do réu, adiciona uma dimensão complexa a essa busca por justiça, colocando em evidência a necessidade de uma apuração transparente e imparcial.

O Caminho para o Júri Popular e a Busca por Justiça

A decisão de levar Renê da Silva Nogueira Júnior a júri popular, proferida em abril de 2026, representa um passo crucial no processo judicial. O júri popular, composto por cidadãos comuns, terá a responsabilidade de analisar as provas e decidir sobre a culpa do empresário. Este mecanismo é fundamental em casos de crimes contra a vida, garantindo a participação da sociedade na administração da justiça.

A expectativa é que o julgamento traga respostas e, se for o caso, a devida punição para o responsável pela morte de Laudemir. A repercussão do caso e o acompanhamento atento da sociedade mineira reforçam a importância de que todas as etapas do processo, incluindo as investigações sobre a conduta da delegada, sejam conduzidas com a máxima seriedade e transparência, assegurando a credibilidade do sistema de justiça.

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