A cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, lamenta a perda de Tarumã, uma macaca-prego que havia conquistado a atenção e a comoção pública. O primata, resgatado de uma situação de maus-tratos e que recentemente havia estendido a mão a um veterinário em um gesto tocante de busca por segurança, não resistiu aos ferimentos após sofrer uma descarga elétrica e foi submetida à eutanásia nesta terça-feira (12).
Tarumã estava sob os cuidados do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (HV-UFU) quando o incidente ocorreu. Sua morte reacende o debate sobre a proteção animal e as sequelas profundas deixadas pela crueldade humana, trazendo à tona a complexidade dos desafios enfrentados por animais silvestres em recuperação.
O trágico desfecho e a decisão da eutanásia
De acordo com Márcio Bandarra, veterinário-chefe do Hospital Veterinário da UFU, o quadro clínico de Tarumã era irreversível. Embora houvesse uma pequena melhora inicial que gerou esperança na equipe, a situação da primata evoluiu de forma complicada, atingindo um ponto em que não existiam mais recursos técnicos capazes de reverter seu sofrimento.
Bandarra explicou que a eutanásia é uma medida extrema, adotada apenas quando todas as alternativas e tentativas de tratamento foram esgotadas e não há mais possibilidade de recuperação. Nesses casos, o procedimento é realizado para evitar que o animal continue em agonia, sendo uma forma de proporcionar uma morte sem dor e digna, minimizando o prolongamento do sofrimento.
O gesto que comoveu: a mão estendida da macaca-prego
Durante o período de tratamento de Tarumã no HV-UFU, um momento particularmente comovente foi registrado: a primata estendeu a mão a um dos veterinários da equipe. O profissional, Márcio Bandarra, retribuiu o gesto, oferecendo apoio e segurança ao animal. A imagem rapidamente se espalhou, tocando o coração de muitas pessoas.
Para Bandarra, esse momento transcendeu uma simples cena de carinho. Ele interpretou o gesto como uma revelação das marcas profundas de um passado de maus-tratos sofridos pela macaca. Tarumã possuía mais de dez marcas de projéteis de balas de chumbinho pelo corpo e, sempre que tinha contato com seres humanos, protegia o pescoço. Esse comportamento, segundo o veterinário, indicava uma busca constante por proteção e segurança, que se manifestou ao segurar a mão do profissional.
Um passado de sofrimento: o resgate do criadouro
A história de Tarumã e de outros quatro macacos-prego que chegaram a Uberlândia em abril deste ano teve início em uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em um criadouro de Santa Catarina. A ação visava resgatar animais que viviam em condições de maus-tratos severos.
O Ibama constatou que os animais eram mantidos em espaços inadequados, sem estrutura compatível com os hábitos naturais da espécie, o que comprometia gravemente sua movimentação e bem-estar. Eles eram manejados por meio do medo, com o uso de jatos de água, e permaneciam em recintos sem condições adequadas para se movimentarem pelo ar. Muitos apresentavam ferimentos nos dedos, causados pelo contato constante e atrito com o chão, evidenciando a negligência e a crueldade a que eram submetidos. Após o resgate, o Ibama buscou instituições em diferentes regiões do Brasil para receber, cuidar e reabilitar esses animais, com o objetivo de, futuramente, devolvê-los à natureza.
A fuga, o acidente e as consequências dos maus-tratos
As tratativas para trazer os cinco macacos-prego para Uberlândia começaram em 1º de abril, e eles chegaram à cidade do Triângulo Mineiro em 8 de abril, um mês antes da fuga de Tarumã. Desde a chegada, os primatas permaneciam no HV-UFU, onde passavam por uma série de exames e avaliações.
Segundo o veterinário-chefe, as fêmeas estavam abaixo do peso, e todos os animais apresentavam suspeita de diabetes. Além disso, os maus-tratos sofridos no criadouro de Santa Catarina haviam provocado alterações comportamentais significativas. Foi durante um desses exames que Tarumã conseguiu fugir do hospital, caminhou sobre fios de energia e acabou sendo eletrocutada. Apesar de ter sido prontamente resgatada e receber tratamento intensivo, a macaca-prego não resistiu aos ferimentos e faleceu. A tragédia ressalta a vulnerabilidade de animais com histórico de trauma e a complexidade de sua reabilitação. Para mais informações sobre a proteção da fauna silvestre, visite o site oficial do Ibama.
A história de Tarumã é um lembrete contundente da importância da defesa dos direitos animais e do combate aos maus-tratos. Para continuar acompanhando notícias relevantes, análises aprofundadas e reportagens que impactam a sociedade, convidamos você a explorar o Portal de Notícias do Kardec, seu compromisso com informação de qualidade e diversidade de temas.