A Expresso Gardenia, tradicional operadora de transporte rodoviário, enfrenta um novo capítulo de instabilidade em suas operações. A empresa busca reverter a suspensão cautelar de sete autorizações de linhas interestaduais que conectam Minas Gerais a São Paulo, medida imposta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no último dia 12 de agosto de 2026. A decisão, fundamentada na Decisão SUFIS nº 6, coloca em xeque a continuidade dos serviços da companhia em rotas estratégicas.
Impactos da crise financeira e reestruturação operacional
Segundo a direção da Expresso Gardenia, o cenário de crise é agravado por um passivo financeiro de aproximadamente R$ 70 milhões. Esse valor estaria diretamente ligado à venda de outorgas de linhas no estado de Minas Gerais, operação que deveria ter injetado capital para a renovação e manutenção da frota. A empresa alega que a Saritur, responsável pela aquisição da maior parte desses ativos, não teria cumprido integralmente as obrigações contratuais, gerando um desequilíbrio que afetou o planejamento operacional.
Em nota oficial, a companhia afirma que está em processo de reestruturação para elevar a qualidade do atendimento e a segurança dos passageiros. Para tentar reverter a suspensão imposta pela ANTT, a empresa aponta que já iniciou medidas corretivas, incluindo:
- Aquisição de quatro novos veículos para reforçar a frota interestadual.
- Contratação de um novo gestor especializado em manutenção mecânica.
- Realização de revisões técnicas rigorosas nos ônibus em circulação.
- Envio de documentação comprobatória à agência reguladora.
A empresa pretende protocolar um requerimento formal solicitando a reavaliação da medida cautelar, argumentando que as exigências de segurança, adequação e conforto estão sendo atendidas. A ANTT, por sua vez, mantém a suspensão até que a viação comprove, de forma definitiva, a regularidade total das condições de conservação dos veículos.
Histórico de instabilidade e fiscalizações
O momento atual é reflexo de um longo período de dificuldades que se intensificou a partir de 2023. Naquele ano, a Expresso Gardenia tornou-se alvo de centenas de reclamações de usuários devido a atrasos recorrentes e precariedade dos veículos. A situação levou a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a solicitar a rescisão de contratos estaduais, após vistorias que contabilizaram centenas de notificações por irregularidades.
O ano de 2024 foi marcado pela intensificação da Operação Ponto Final, conduzida pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) e pelo DER-MG. A ação resultou na retirada de dezenas de ônibus de circulação e, posteriormente, na transferência de serviços intermunicipais para outras empresas, como a Viação Serro e a Santa Cruz, afetando 97 municípios mineiros. A crise também culminou em um processo de recuperação judicial e no desligamento de mais de 200 colaboradores.
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