PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Morte de mulher trans em Minas Gerais: mensagens e cobranças por relação secreta com PM vêm à tona

Morte de mulher trans em Minas Gerais: mensagens e cobranças por relação secreta com PM vêm à tona
Reprodução EPTV

A investigação sobre a morte de Maryna Colucci de Jesus, conselheira tutelar de 34 anos, em Jacuí, Minas Gerais, ganhou novos e complexos contornos. O foco da apuração se voltou para o relacionamento que a vítima mantinha com um policial militar, José Sérgio de Oliveira, que posteriormente confessou o crime. A descoberta de diários, agendas e mensagens pela família de Maryna tem sido crucial para desvendar a dinâmica desse vínculo amoroso e a possível motivação por trás do assassinato.

Os registros policiais indicam que a família, ao buscar informações sobre o desaparecimento de Maryna, ocorrido em 21 de agosto, encontrou materiais que apontavam para uma relação íntima com o 3º sargento PM. Esses achados incluem fotografias do militar, anotações pessoais e declarações de cunho amoroso, que revelam a profundidade do envolvimento entre os dois.

Diários e Mensagens Revelam Vínculo Secreto

Após o registro do desaparecimento de Maryna, a família iniciou uma busca por informações sobre sua rotina. Entre os pertences da vítima, foram encontrados diários e agendas que continham não apenas fotos do sargento José Sérgio, mas também anotações detalhadas sobre ele e mensagens que expressavam um profundo afeto. Esses documentos se tornaram peças-chave para a compreensão do relacionamento.

Além dos registros físicos, a família acessou o perfil de Maryna em uma rede social, onde foram localizadas mensagens trocadas entre ela e o policial. O conteúdo dessas conversas, que se estendiam por vários anos, demonstrava um contato frequente e uma proximidade intensa. As últimas interações, registradas na manhã do dia 21 de agosto, poucas horas antes do desaparecimento, incluíam expressões como “te amo” e “estou com saudades”, evidenciando a natureza amorosa da relação.

Ameaças e Cobranças Marcam a Relação

A apuração policial revelou que o relacionamento entre Maryna e o sargento não era apenas secreto, mas também marcado por episódios de tensão. Familiares relataram ter encontrado conversas que indicavam ameaças por parte de Maryna de divulgar o relacionamento caso o militar se recusasse a encontrá-la. Além disso, teriam sido identificadas mensagens relacionadas a pedidos de dinheiro via Pix, com a condição de que a relação seria tornada pública caso os valores não fossem transferidos.

Um mês antes do desaparecimento, uma publicação em uma conta atribuída a Maryna chamou a atenção dos parentes. A postagem exibia a ilustração de um personagem caracterizado como policial militar de mãos dadas com uma sereia, acompanhada da frase: “Como vou desistir de você, se foi você que me curou”. Embora a imagem não identificasse diretamente os envolvidos, a família interpretou-a como uma referência clara ao relacionamento com o policial, indicando a complexidade emocional do vínculo.

A Versão do Policial Militar e o Desaparecimento

Dias após o desaparecimento de Maryna, o sargento José Sérgio de Oliveira procurou espontaneamente seus comandantes para apresentar sua versão dos fatos. Ele confirmou que mantinha um relacionamento amoroso com Maryna há anos. Segundo seu relato, a discussão que culminou na morte da conselheira tutelar teria começado na manhã de 21 de agosto, após uma conversa por aplicativo.

O militar alegou que Maryna interpretou uma mensagem apagada como um sinal de que ele estaria se comunicando com outra pessoa. Em resposta, ela teria enviado mensagens e áudios exigindo explicações e ameaçando revelar o relacionamento à esposa dele, a moradores da cidade e a membros da corporação. Sérgio afirmou que Maryna o pressionava para deixar a família e assumir publicamente a relação. Ele também mencionou que ela teria enviado uma mensagem à esposa dele revelando a existência do relacionamento, fazendo uma captura de tela antes de apagar o conteúdo, o que, segundo ele, seria uma forma de pressão.

Ainda de acordo com a versão do policial, após as discussões por mensagens, ele buscou Maryna em uma caminhonete e os dois seguiram para uma área rural onde costumavam se encontrar. Lá, a pressão para assumir o relacionamento teria continuado. Sérgio alegou que, durante uma nova discussão, Maryna teria se apoderado de uma faca e tentado golpeá-lo. Foi nesse momento que ele afirmou ter efetuado disparos de arma de fogo contra a vítima e, posteriormente, enterrado o corpo em uma área de mata. A Polícia Civil segue investigando, confrontando a versão do policial com provas periciais e vestígios encontrados.

Prisão Preventiva e Desdobramentos Legais

A Justiça manteve a prisão do policial militar José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, que confessou ter assassinado Maryna Colucci de Jesus. A audiência de custódia, realizada em 26 de agosto, resultou na decretação da prisão preventiva do sargento, que agora responde pela investigação de feminicídio. Inicialmente detido por ocultação de cadáver, o militar está custodiado no batalhão da Polícia Militar em Pouso Alegre, mas o caso será julgado pela Justiça comum.

A defesa de José Sérgio informou que ele está colaborando com as investigações e aguarda a conclusão do inquérito. O corpo de Maryna Colucci de Jesus foi sepultado na noite de 25 de agosto no Cemitério Municipal de Jacuí, em um cortejo que reuniu familiares, amigos e moradores da cidade, marcando um momento de profunda comoção e luto. O caso reforça a urgência do debate sobre a violência de gênero e a necessidade de proteção às mulheres trans no Brasil.

Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos relevantes, além de ter acesso a análises aprofundadas e notícias contextualizadas sobre os mais diversos temas, continue navegando pelo Portal de Notícias do Kardec. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que te mantém atualizado e bem informado sobre o que realmente importa.

Leia mais

PUBLICIDADE