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Entregadores de aplicativos realizam paralisação nacional por melhores condições

Entregadores de aplicativos realizam paralisação nacional por melhores condições
Foto: Divulgação/99Food

Uma onda de paralisações tomou as ruas das principais capitais brasileiras nesta terça-feira (1º), marcando um novo capítulo na tensão entre trabalhadores de aplicativos e as plataformas de entrega. O movimento, conhecido como “Breque dos Apps”, reuniu motoboys em protestos contra empresas como iFood, 99Food e Keeta, exigindo uma reestruturação profunda na forma como o trabalho é remunerado e gerido no país.

Reivindicações e o impacto nas ruas

A categoria busca, primordialmente, a implementação de uma taxa mínima de R$ 10 para corridas de até quatro quilômetros, valor considerado essencial para cobrir os custos operacionais de manutenção da motocicleta e combustível. Além do aspecto financeiro, os entregadores criticam a falta de transparência nos algoritmos que definem bloqueios de contas, exigindo critérios claros e um canal de contestação mais eficiente para evitar suspensões arbitrárias que retiram o sustento imediato do profissional.

Em São Paulo, o movimento ganhou corpo com uma motociata que reuniu cerca de 300 trabalhadores. O grupo percorreu pontos estratégicos da capital, incluindo as sedes operacionais das empresas de tecnologia. A mobilização também se estendeu para estados como Bahia e Goiás, além do Distrito Federal, demonstrando uma articulação nacional crescente entre os entregadores.

Tensões sobre o PLP 152/2025

O cenário de insatisfação é agravado pelo debate em torno do Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que tramita no Congresso Nacional. A categoria teme que a atual proposta de regulamentação não atenda às necessidades básicas de proteção social e remuneração digna, gerando um clima de desconfiança em relação aos termos que estão sendo discutidos entre o governo, as empresas e os representantes dos trabalhadores.

Outro ponto de atrito é o programa “Mais Entregas”, do iFood, que permite o agrupamento de pedidos em uma única rota. Segundo os entregadores, essa modalidade reduz drasticamente o valor recebido por cada entrega individual, tornando a jornada exaustiva e pouco rentável diante da inflação dos custos de manutenção dos veículos.

Denúncias ao Ministério Público do Trabalho

Durante as manifestações, o clima de confronto se intensificou após denúncias formais feitas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a 99Food e a Keeta. Os representantes dos entregadores acusam as plataformas de tentarem esvaziar o protesto ao oferecerem bônus financeiros — que variam entre R$ 7 e R$ 9 por entrega — para incentivar os profissionais a permanecerem conectados durante o horário da paralisação.

A prática, caso comprovada, pode ser interpretada como uma tentativa de interferência no direito coletivo de greve. O grupo apresentou capturas de tela como evidência e aguarda que o órgão investigue se houve conduta abusiva por parte das empresas. Até o momento, as plataformas citadas não emitiram posicionamentos oficiais sobre as acusações ou sobre as demandas apresentadas pela categoria.

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