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Homicídio na Br-381: réu é sentenciado a mais de 30 anos por morte de homem carbonizado

Reprodução/Arquivo
Reprodução/Arquivo

O Tribunal do Júri de Governador Valadares, em Minas Gerais, proferiu uma sentença contundente na última quarta-feira (17), condenando Weuves Dionisio Lopes Vasconcelos a 31 anos e 2 meses de reclusão. A decisão judicial se refere ao brutal assassinato de Antônio de Lira Rodrigues, de 65 anos, cujo corpo foi encontrado carbonizado dentro de um veículo às margens da BR-381, próximo ao distrito de Baguari, em julho de 2025. O caso, que chocou a região, teve seu desfecho parcial com a condenação de um dos acusados, marcando um passo importante na busca por justiça.

Além do crime de homicídio qualificado, Weuves Dionisio Lopes Vasconcelos foi também condenado pela destruição do cadáver, uma ação que visava dificultar a identificação da vítima e a apuração dos fatos. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, e a gravidade dos atos levou o juiz a negar ao réu o direito de recorrer em liberdade, reforçando a seriedade da condenação imposta pelo júri popular.

A Sentença e a Gravidade dos Crimes

A decisão do Tribunal do Júri de Governador Valadares foi clara ao reconhecer, por maioria dos votos, a materialidade e a autoria dos crimes atribuídos a Weuves. Os jurados rejeitaram a tese de absolvição apresentada pela defesa e acolheram as qualificadoras de motivo torpe e emboscada, elementos que agravaram a pena do réu. Essas qualificadoras indicam que o crime foi cometido por razões vis e de forma traiçoeira, sem chance de defesa para a vítima.

Na sentença, o juiz Vinícius da Silva Pereira destacou a frieza e o planejamento prévio do acusado. “As circunstâncias do caso […] revela a frieza do acusado a indicar a forte intensidade do dolo em ceifar a vida da vítima além do planejamento prévio do crime, o que merece maior censurabilidade”, afirmou o magistrado. Essa avaliação ressalta a premeditação e a crueldade empregadas na execução do homicídio, fatores determinantes para a alta condenação.

O Planejamento Cruel e a Dívida Fatal

As investigações conduzidas pela Polícia Civil e a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) revelaram que o homicídio foi meticulosamente planejado e motivado por desentendimentos financeiros. A causa do conflito era uma dívida de aproximadamente R$ 200 mil, que Antônio de Lira Rodrigues, conhecido por atuar com empréstimos particulares, vinha cobrando de Weuves. A recusa em quitar o débito e a pressão pela cobrança teriam sido o estopim para o crime.

O planejamento do assassinato incluiu a tentativa de criar um álibi falso, com o acusado deixando seus aparelhos celulares com a mãe antes de se encontrar com Antônio. Além disso, a estratégia envolveu a participação de um comparsa, que acompanhou o carro da vítima, e a carbonização do veículo após o crime, com o objetivo de eliminar vestígios e dificultar a identificação. A violência do ato foi tamanha que o corpo de Antônio só pôde ser liberado para sepultamento 46 dias após o assassinato, após a confirmação da identidade por meio de exame da arcada dentária.

Um detalhe crucial que intensificou o conflito foi a descoberta de que um imóvel oferecido como garantia da dívida teria sido vendido sem a autorização da vítima, agravando ainda mais a situação financeira e pessoal entre os envolvidos.

A Reconstrução do Crime e a Ação Policial

A Polícia Civil desempenhou um papel fundamental na elucidação do caso, utilizando imagens de câmeras de segurança para reconstituir os últimos passos de Antônio de Lira Rodrigues. A apuração detalhou que, em 21 de julho de 2025, a vítima saiu de uma chácara no bairro Vale Pastoril e, por volta das 12h30, encontrou Weuves no Centro de Governador Valadares. Em seguida, ambos seguiram juntos no carro de Antônio em direção à BR-381.

As imagens também registraram um carro branco acompanhando o veículo da vítima, confirmando a presença do comparsa. Pouco tempo depois, por volta das 13h12, o Corpo de Bombeiros foi acionado para combater o incêndio ao automóvel às margens da rodovia, onde o corpo carbonizado foi encontrado. A investigação minuciosa levou à prisão de Weuves Dionisio Lopes Vasconcelos em agosto de 2025, em Governador Valadares. Meses depois, em fevereiro de 2026, Carlos Daniel Feitosa de Souza, apontado como o comparsa que dirigiu o carro de apoio, foi preso em São Mateus, no Espírito Santo. Carlos Daniel responde em processo separado e permanece preso preventivamente, aguardando audiência de instrução e julgamento marcada para 13 de julho.

O Julgamento e a Voz da Justiça

Durante a sessão do Tribunal do Júri, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório de Weuves. O Ministério Público, em seus debates, pediu a condenação do réu pelos crimes de homicídio qualificado e destruição de cadáver, solicitando também o reconhecimento da agravante de a vítima ter mais de 60 anos. A defesa, por sua vez, sustentou a tese de negativa de autoria por insuficiência de provas e, subsidiariamente, pleiteou o afastamento das qualificadoras.

Após a votação dos quesitos pelos jurados, o juiz fixou a pena em 31 anos e 2 meses de reclusão e 12 dias-multa, resultado da soma de 30 anos pelo homicídio qualificado e 1 ano e 2 meses pela destruição de cadáver. O magistrado determinou a execução imediata da pena, garantindo que Weuves permaneça preso, reforçando a mensagem de que crimes de tamanha brutalidade não ficarão impunes.

Dever Cumprido: A Repercussão da Condenação

A condenação de Weuves Dionisio Lopes Vasconcelos foi recebida com satisfação pelas autoridades envolvidas na investigação. O delegado Ciro Roldão de Carvalho, responsável pelo inquérito da Delegacia de Homicídios de Governador Valadares, expressou contentamento com o resultado e manifestou expectativa quanto ao desfecho do processo envolvendo o outro acusado. “O resultado deste julgamento nos deixou muito satisfeitos, felizes em saber que nosso trabalho conseguiu ajudar o Ministério Público na acusação e conseguimos a condenação de Weuves, um dos investigados. Agora esperamos também que o seu comparsa Carlos Daniel também seja condenado, da mesma forma que foi o Weuves. Foi um crime muito cruel, que merece uma punição justa”, afirmou.

A investigadora Geórgia Mata Mascarenhas, que teve papel crucial na análise das imagens de monitoramento e na prisão de Weuves, destacou a importância das provas reunidas. “A sensação é de dever cumprido, pois sabíamos que a participação do envolvido foi muito bem fundamentada nas imagens de monitoramento. A gente sabe que a condenação não trará Antônio de volta para a família, mas considero uma vitória a sentença superior a 30 anos”, concluiu. A condenação representa não apenas um ato de justiça para a vítima e sua família, mas também um reforço à segurança e à confiança na atuação das forças de segurança e do sistema judiciário.

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