O retorno de um tesouro histórico mineiro
Após um hiato de quase 10 anos, a comunidade de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, celebrou nesta terça-feira (23) o retorno de 11 imagens sacras do século 18. As peças, que possuem valor inestimável para o patrimônio cultural brasileiro, foram apresentadas em uma cerimônia realizada na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, situada no distrito de Cachoeira do Campo.
restauração: cenário e impactos
O processo de recuperação foi conduzido pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop). O trabalho de conservação foi minucioso, exigindo técnicas especializadas para reverter décadas de desgaste e imperfeições, garantindo que a integridade artística e as características originais das esculturas fossem preservadas. De acordo com a instituição, uma 12ª peça do conjunto ainda permanece em laboratório, passando pela recomposição de um olho de vidro.
A relevância artística e o legado de Aleijadinho
As esculturas, entalhadas em madeira durante a primeira metade do século 18, representam um capítulo fundamental do barroco mineiro. Entre o conjunto restaurado, destaca-se a imagem de Nossa Senhora do Carmo, obra atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. A importância da preservação dessas peças foi ressaltada por Dom Airton José dos Santos, arcebispo metropolitano de Mariana, que enfatizou que o ato de restaurar não se trata de recriar, mas de devolver à comunidade a dignidade e a história contida em cada detalhe das obras.
O presidente da Faop, Rodrigo Câmara, reforçou que o acervo não é apenas um patrimônio regional, mas um marco da identidade nacional. A preservação dessas peças permite que as futuras gerações tenham contato direto com a técnica e a devoção que moldaram a arte colonial brasileira.
Significado religioso e o destino das obras
Além do valor artístico, as peças carregam um peso espiritual significativo. Valéria França, coordenadora do núcleo de conservação e restauração da Faop, destacou que três das imagens restauradas possuem registros históricos que as apontam como milagrosas. Segundo a especialista, essas esculturas de origem portuguesa são citadas no livro Santuário Mariano, uma obra de referência que documenta a fé e as tradições religiosas da época em São Bartolomeu.
Embora tenham sido exibidas em Cachoeira do Campo, o destino final das imagens é a Matriz de São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto. O retorno definitivo ao seu local de origem, contudo, depende da conclusão das obras de restauração da própria igreja, que estão previstas para serem finalizadas no início de julho. Até lá, o público pode acompanhar o desdobramento deste projeto de preservação através das atualizações do Portal de Notícias do Kardec, que segue comprometido em trazer informações relevantes sobre a cultura e a história do Brasil.