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Interiorização da violência: cidades menores do Triângulo e Alto Paranaíba lideram taxas de homicídio

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Reprodução G1

Um fenômeno preocupante tem redefinido o mapa da criminalidade no Brasil e, de forma acentuada, em regiões como o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba: a interiorização da violência. Cidades de médio e pequeno porte, que antes eram percebidas como refúgios de tranquilidade, agora concentram as maiores taxas proporcionais de homicídios, superando até mesmo grandes centros urbanos. Essa mudança reflete uma tendência nacional que se intensifica nos últimos anos, exigindo uma nova abordagem das políticas de segurança pública.

No cenário mineiro, municípios como Patos de Minas, Araguari e Araxá destacam-se negativamente no ranking de homicídios por habitante. Embora possuam populações menores, seus índices proporcionais superam os de cidades como Uberlândia e Uberaba, que registram números absolutos maiores de crimes. Os dados, extraídos do Atlas da Violência 2026, uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), confirmam que o crime organizado está se deslocando das capitais para o interior do país.

O avanço da violência para o interior de Minas Gerais

A interiorização da violência não é um fenômeno recente, mas sua aceleração nos últimos anos tem sido notável. Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência, explica que esse processo se manifesta em diversas regiões brasileiras, incluindo o Sudeste, e não se restringe apenas a Minas Gerais. Paralelamente, observa-se uma concentração de crimes em algumas cidades maiores, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, impulsionada por conflitos entre facções pelo domínio territorial e pontos de venda de drogas.

Essa dinâmica complexa indica que, enquanto grandes centros urbanos podem estar experimentando uma estabilização ou até redução em certos tipos de criminalidade, o interior se torna um novo palco para a expansão e diversificação das atividades criminosas. A capilaridade do crime organizado representa um desafio significativo para as estruturas de segurança pública, muitas vezes menos robustas em municípios menores.

A expansão das facções criminosas e a disputa territorial

A proliferação de facções criminosas é apontada como um dos principais motores da interiorização da violência. A partir da década de 2010, o Brasil testemunhou uma transformação no cenário do crime organizado, passando de um ambiente dominado por poucas grandes organizações para um panorama fragmentado, com mais de 80 facções espalhadas pelo país. Muitas delas são grupos locais menores, que emergem da disputa por pontos de tráfico de drogas, elevando os índices de violência em cidades pequenas.

Cerqueira destaca que a corrida geopolítica e econômica entre as facções maiores para arregimentar membros acabou por criar uma

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