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Alerta de saúde: Brasil registra alta de internações por VSR e gripe

© Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil enfrenta um cenário de preocupação crescente com o aumento de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) e, em diversas regiões, também por gripe causada pelos vírus influenza A e B. Os dados alarmantes são do mais recente boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na última quinta-feira, 11 de junho. Este levantamento, referente à Semana Epidemiológica 22 (período de 31 de maio a 6 de junho), acende um alerta para as autoridades de saúde e para a população, especialmente com a chegada das temperaturas mais baixas, que favorecem a disseminação desses patógenos em ambientes fechados e com aglomeração.

O InfoGripe, um sistema de monitoramento que acompanha a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, aponta para uma tendência de crescimento que exige atenção redobrada. A análise detalhada permite identificar as regiões mais afetadas e os grupos etários mais vulneráveis, fornecendo subsídios essenciais para a formulação de políticas públicas e campanhas de prevenção.

Cenário preocupante: o avanço dos vírus respiratórios e o aumento de internações

A pesquisa da Fiocruz revelou que 11 das 27 unidades federativas do Brasil estão em níveis de alerta, risco ou alto risco para a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas duas semanas, com indícios de crescimento também na tendência de longo prazo (considerando as últimas seis semanas). Essas unidades incluem Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo. A SRAG é uma condição grave que pode levar à necessidade de internação hospitalar, caracterizada por febre, tosse, dificuldade respiratória e outros sintomas severos.

A queda das temperaturas, típica desta época do ano, contribui significativamente para o aumento da circulação de vírus respiratórios. Pessoas tendem a permanecer mais tempo em locais fechados e com pouca ventilação, facilitando a transmissão de pessoa para pessoa. Este cenário ressalta a importância de medidas preventivas individuais e coletivas para conter o avanço das doenças e evitar a sobrecarga do sistema de saúde.

Impacto regional: diferentes realidades e níveis de alerta

Além dos estados com tendência de crescimento, o InfoGripe também destacou que outras 16 unidades da Federação apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda no número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. Contudo, 12 delas ainda registram incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco. São elas: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro. Essa heterogeneidade regional demonstra a complexidade da vigilância epidemiológica e a necessidade de ações adaptadas a cada contexto local.

Apesar de uma possível estabilização ou queda na curva de casos em algumas dessas regiões, a manutenção do nível de alerta indica que a situação ainda é delicada e requer monitoramento contínuo. A capacidade de resposta dos sistemas de saúde locais é crucial para lidar com as hospitalizações e garantir o tratamento adequado aos pacientes, minimizando o risco de óbitos.

Ações preventivas e a importância da vacinação

Em 2026, o Brasil já registrou 3.591 óbitos por SRAG, um número que sublinha a gravidade da situação. Diante desse quadro, a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça a necessidade de a população adotar medidas de cuidado. Entre as principais recomendações estão a lavagem frequente das mãos, o uso de máscaras em unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar, e o isolamento em caso de sintomas gripais ou de resfriado.

Caso o isolamento não seja viável, a orientação é utilizar máscaras de alta proteção, como as N95 ou PFF2, para reduzir o risco de transmissão. Tatiana Portella enfatiza, ainda, a importância fundamental da vacinação: “É fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”. A imunização é uma das ferramentas mais eficazes para prevenir as formas graves das doenças respiratórias e proteger a saúde pública.

Vírus em foco: quem está mais vulnerável?

Os dados laboratoriais por faixa etária revelam padrões distintos na incidência de SRAG. Em crianças de até 4 anos de idade, o aumento tem sido impulsionado principalmente pelo VSR, um vírus que pode causar bronquiolite e pneumonia, especialmente em bebês. Já entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, o rinovírus tem sido o agente predominante. A compreensão desses perfis epidemiológicos é vital para direcionar campanhas de prevenção e tratamento específicos para cada grupo.

Nas últimas semanas, também foi observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos, indicando a ampla circulação desse subtipo do vírus da gripe. A influenza B, por sua vez, vem apresentando um aumento notável, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos. Essa diversidade viral exige uma vigilância constante e a adaptação das estratégias de saúde pública para proteger todas as camadas da população.

Para mais informações sobre a evolução dos vírus respiratórios e outros temas relevantes para a saúde pública, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, atualizada e contextualizada para que você esteja sempre bem informado sobre os fatos que impactam sua vida e a comunidade.

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