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Macaca que desenvolveu diabetes por alimentação humana morre em Uberaba

Macaca que desenvolveu diabetes por alimentação humana morre em Uberaba
Macaca Chica morreu nesta semana no Hospital Veterinário de Uberaba Universidade do Agro/Uniube

A morte da macaca-prego conhecida como Chica, ocorrida nesta semana no Hospital Veterinário da Uniube (HVU), em Uberaba, trouxe à tona um grave problema ambiental e ético: o impacto da interação humana inadequada com a fauna silvestre. O animal, que vivia na Mata do Ipê, foi diagnosticado com diabetes mellitus após o consumo recorrente de alimentos oferecidos por visitantes do parque, uma prática que, embora pareça inofensiva para muitos, revelou-se fatal.

O diagnóstico e a luta pela sobrevivência

Chica foi resgatada em 14 de janeiro por servidores municipais, apresentando um quadro de apatia profunda. Após ser encaminhada ao HVU, exames laboratoriais confirmaram níveis críticos de glicemia, um diagnóstico considerado raro para primatas não humanos em ambiente de vida livre. A condição foi diretamente associada à dieta inadequada imposta pela oferta constante de restos de comida humana, rica em carboidratos simples e açúcares, aos quais o organismo do animal não está adaptado.

Durante o período de internação, a equipe veterinária implementou um protocolo rigoroso de manejo, incluindo dieta controlada e monitoramento glicêmico constante. Embora tenha apresentado uma melhora inicial, o quadro evoluiu para uma complicação severa: a necrose de um dos membros. A equipe médica realizou uma intervenção cirúrgica de amputação na tentativa de salvar a vida da primata, mas o organismo de Chica não respondeu positivamente ao procedimento.

A decisão ética pela eutanásia

Diante da ausência de recuperação e da persistência do sofrimento, a equipe técnica do hospital optou pela eutanásia. A decisão seguiu protocolos rígidos de bem-estar animal, priorizando o encerramento do ciclo de dor do espécime. O caso, que gerou repercussão na região, serve como um alerta sobre as consequências biológicas da interferência humana no comportamento alimentar de animais selvagens.

O médico-veterinário Cláudio Yudi, responsável pelo acompanhamento de Chica, reforçou que a diabetes, uma doença crônica, exigiria cuidados permanentes e ininterruptos. Por essa razão, a soltura do animal na natureza foi descartada, e o Instituto Estadual de Florestas (IEF) chegou a autorizar sua transferência para um mantenedor de fauna silvestre com estrutura adequada para o tratamento contínuo.

Riscos da interação com animais silvestres

Especialistas em fauna alertam que o hábito de oferecer alimentos a animais em parques e reservas urbanas altera o comportamento natural das espécies, induzindo-as a buscar fontes artificiais de energia em vez de seus alimentos nativos. Além da diabetes, essa prática pode causar desnutrição, obesidade e a transmissão de patógenos entre humanos e animais.

A recomendação oficial para quem encontrar animais silvestres feridos ou em situação de risco é evitar qualquer tentativa de captura ou oferta de alimento. O procedimento correto consiste em acionar imediatamente os órgãos ambientais ou de controle de zoonoses responsáveis, garantindo que o atendimento seja realizado por profissionais capacitados. Para mais informações sobre o meio ambiente e o cotidiano da região, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec, seu compromisso com a informação de qualidade e a cobertura aprofundada dos fatos que impactam a nossa sociedade.

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