O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) oficializou a aprovação técnica para a criação do Centro de Inteligência em Terras Raras (Citar), em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. A decisão surge em um momento de intenso debate sobre a exploração desses minerais estratégicos, essenciais para a fabricação de tecnologias de ponta, como veículos elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos.
Estrutura e objetivos do novo centro de pesquisa
O Citar será gerido pelo Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS) e pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG). Segundo Rafael Felipe Coelho Neves, diretor do campus de Poços de Caldas do IFSULDEMINAS, o centro atuará em dois pilares fundamentais: o monitoramento ambiental rigoroso e o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional. A proposta é que a unidade funcione de forma independente, fornecendo dados técnicos que subsidiem as decisões do poder público sobre a atividade mineradora.
A união das duas instituições federais coloca à disposição da região um corpo técnico qualificado, composto por cerca de 180 doutores. Para Leonardo Damasceno, diretor da Unifal-MG em Poços de Caldas, o centro não busca impedir a mineração, mas sim transformá-la. O objetivo é estabelecer padrões de sustentabilidade, eficiência e cuidado com o território, garantindo que o impacto ambiental seja mitigado por meio de estudos científicos integrados.
Pressão por restrições e segurança urbana
Paralelamente à criação do centro, a Prefeitura de Poços de Caldas intensificou as exigências para o licenciamento de novos projetos. O prefeito Paulo Ney (PSD) encaminhou ofícios à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) solicitando restrições severas. A principal preocupação é a proximidade entre as futuras cavas de mineração e a zona urbana, onde residem cerca de 60 mil pessoas na Zona Sul da cidade.
O município exige garantias de preservação da qualidade da água e uma participação mais ativa dos órgãos técnicos locais no processo de licenciamento. Além disso, a prefeitura busca um regime especial de tributação para que os benefícios econômicos da exploração mineral fiquem retidos na cidade, compensando os riscos e o uso do solo local.
O cenário da mineração e o posicionamento das empresas
Atualmente, o foco das atenções está no Projeto Colossus, da mineradora australiana Viridis, que planeja operar em uma área de 373 hectares. O projeto, que já obteve a Licença Prévia, gerou preocupações entre moradores devido à proximidade de 300 metros de casas, escolas e hospitais. O Ibama, em nota técnica recente, recomendou estudos mais aprofundados e integrados para avaliar os impactos cumulativos da mineração no Planalto de Poços de Caldas.
Em resposta, a Viridis afirmou que a área próxima à população será explorada apenas em etapas posteriores, permitindo que os sistemas de controle ambiental estejam plenamente operacionais antes do início da lavra. A empresa também declarou apoio à criação de um polo de refino e reciclagem na cidade, reforçando que busca consolidar Poços de Caldas como um hub tecnológico de minerais críticos no Brasil. Para mais informações sobre o avanço deste projeto e outros temas de relevância regional, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec.