Uma força-tarefa composta pela Polícia Civil de Minas Gerais e pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo deflagrou, na manhã desta sexta-feira, a operação batizada de Tribunal de rua. A ação, realizada no município de Extrema (MG), resultou na prisão de quatro homens e uma mulher, suspeitos de envolvimento em um homicídio que chocou a região pelo nível de crueldade e pela dinâmica de execução.
Investigação sobre o tribunal do crime
O foco da operação é esclarecer a morte de Cícero Yuri Barbosa de Almeida, cujo corpo foi localizado em 7 de julho deste ano, às margens da rodovia MG-460. Segundo as autoridades, a vítima foi submetida a um chamado “tribunal do crime”, prática comum entre facções criminosas para julgar e sentenciar desafetos ou membros que descumprem regras internas. A polícia identificou 11 investigados no total e solicitou a prisão preventiva de todos os envolvidos por crimes de homicídio qualificado e organização criminosa.
Vestígios e a perícia no local do crime
A perícia técnica desempenhou um papel fundamental na elucidação do caso. Como não foram encontrados vestígios de sangue no local onde o corpo foi descartado, os investigadores concluíram que o assassinato ocorreu em outro endereço. A busca levou a uma oficina mecânica, que funcionava como residência de um dos suspeitos. No local, o uso de luminol revelou vestígios de sangue que haviam sido lavados na tentativa de ocultar provas.
Além disso, a polícia apreendeu objetos cruciais, como um pedaço de fio de cobre semelhante ao utilizado para amarrar a vítima e um colete refletivo com partículas de areia compatíveis com as encontradas no corpo. Dados de georreferenciamento de tornozeleiras eletrônicas confirmaram a presença de um dos suspeitos no imóvel durante o horário estimado do crime.
Dinâmica da execução e relato de testemunha
O inquérito conta com o depoimento de uma testemunha que presenciou momentos de tensão na noite do crime. Segundo o relato, a vítima estava sentada em um sofá, sendo interrogada por três homens, enquanto outros integrantes da facção acompanhavam o “julgamento” por meio de uma chamada de vídeo. O motivo da execução teria sido uma suposta ligação de Almeida com uma facção rival e a cobrança de uma dívida relacionada ao tráfico de drogas.
Após a sentença de morte, a vítima foi amarrada com fios de cobre e estrangulada com o auxílio de uma barra de ferro. Posteriormente, o corpo foi transportado até a rodovia. A moto de Almeida foi encontrada queimada nas proximidades da rodovia Fernão Dias, e um dos suspeitos confessou ter incendiado o veículo, embora a polícia tenha descartado a alegação de coação moral apresentada pelo investigado. Para mais detalhes sobre o combate ao crime organizado e outras notícias da região, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec, seu compromisso diário com a informação apurada e transparente.