A família do pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morador de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, vive dias de angústia e mobilização após a trágica morte do religioso nos devastadores terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24). Para custear o complexo e oneroso translado do corpo ao Brasil, estimado em R$ 50 mil, os parentes iniciaram uma campanha de arrecadação online, buscando solidariedade e apoio para trazer Romildo de volta para um velório digno.
A tragédia também deixou a esposa do pastor, Carlha Nacarid, ferida e internada no país vizinho, adicionando mais uma camada de dor e preocupação à família. A sobrinha, Jhulya Ribeiro de Lima, tem sido a porta-voz da família, relatando as dificuldades enfrentadas desde a confirmação da morte de seu tio.
A tragédia que abalou a Venezuela e a família do pastor
Os terremotos que ceifaram a vida do pastor Romildo Batista de Lima foram os mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século. Na noite de quarta-feira (24), dois sismos em sequência devastaram a região norte do país, incluindo a capital Caracas, onde o casal estava. Além de mortes, os tremores derrubaram edifícios e deixaram um rastro de destruição. O governo venezuelano atualizou, no domingo (28), o balanço da catástrofe para 1.450 mortos, 3.150 feridos e cerca de 50 mil desaparecidos, números que revelam a dimensão da tragédia humanitária.
Romildo e Carlha estavam em Caracas para visitar a família dela, e a viagem tinha um motivo especial: quatro dias antes da tragédia, em 21 de maio, o pastor havia celebrado seu 69º aniversário. O casal planejava retornar ao Brasil na sexta-feira (26). No momento dos tremores, eles tentaram se abrigar, mas uma parede desabou sobre eles. Romildo foi resgatado com vida e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo na madrugada seguinte. Carlha, embora tenha sobrevivido, sofreu uma fratura na bacia e permanece hospitalizada, profundamente abalada pela perda do marido.
A difícil jornada para o translado do corpo
A notícia da morte de Romildo chegou à família de forma inesperada, após verem uma reportagem sobre o terremoto e tentarem contato com o casal. Horas depois, Carlha conseguiu se comunicar e relatou o ocorrido. Desde então, a família enfrenta uma verdadeira odisseia para trazer o corpo do pastor de volta ao Brasil, lidando com a burocracia e a falta de informações claras.
Após diversos contatos, a embaixada brasileira na Venezuela deu andamento aos trâmites necessários para o retorno do corpo, incluindo a emissão da certidão de óbito. Contudo, a logística se mostrou um desafio ainda maior. A família chegou a conseguir um voo comercial para o transporte no sábado (27), mas, após a liberação para a funerária, foram informados de que o estado de conservação do corpo não permitia o embarque em uma aeronave comum. Essa reviravolta exigiu a busca por uma alternativa de translado especializada, cujo custo estimado é de aproximadamente R$ 50 mil.
Mobilização e apelo por solidariedade
Diante dos altos custos e da urgência da situação, os familiares criaram uma vaquinha virtual, divulgada nas redes sociais, para arrecadar o valor necessário. O objetivo principal é garantir que o corpo de Romildo possa ser velado e sepultado em Uberlândia, próximo de seus entes queridos. Além disso, parte dos recursos será destinada a auxiliar Carlha, que segue internada e precisará de apoio para sua recuperação.
Jhulya Ribeiro de Lima expressou o desespero da família: “Como os custos são muito altos, a vaquinha online vai tanto ajudar a custear o translado, como também ajudar a Carla, esposa do meu tio que segue internada”. A sobrinha ressaltou a importância de um velório digno para Romildo, um desejo que impulsiona a campanha e o apelo por solidariedade.
O posicionamento das autoridades e a busca por respostas
A família tem relatado dificuldades e frustrações com a comunicação e o andamento do processo. “É muito desesperador porque queremos trazer meu tio, principalmente para fazer um velório digno para ele. Eles ficam jogando o contato um para o outro”, desabafou Jhulya, evidenciando a sensação de descaso e a demora na obtenção de informações concretas.
Questionado sobre o translado e a previsão de chegada do corpo, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que acompanha a situação da comunidade brasileira na Venezuela, prestando assistência consular conforme a legislação. No entanto, o órgão destacou que, em respeito ao direito à privacidade e à Lei de Acesso à Informação, não divulga nem confirma dados pessoais de cidadãos, tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada. O governo brasileiro confirmou a morte de dois brasileiros, sem divulgar suas identidades, e reiterou o apoio consular às famílias.
Legado e memória do pastor Romildo
Natural de Chapada de Minas (MG), Romildo Batista de Lima construiu sua vida em Uberlândia, onde residia há mais de uma década. Pastor evangélico, embora não estivesse em atuação ativa, era lembrado por sua família como um homem de fé, afetuoso e apaixonado por viajar e aproveitar a vida. “Meu tio era uma pessoa muito boa, uma pessoa radiante, que adorava viajar e aproveitar a vida. É muito triste ver pessoas assim perderem a vida dessa forma, ainda mais com tal grau de descaso”, lamentou Jhulya, expressando a dor da perda e a indignação com as dificuldades enfrentadas.
Apesar de todos os obstáculos, a família mantém a esperança de que o corpo de Romildo chegue a Uberlândia ainda nesta semana para o sepultamento, permitindo que se despeçam dele com a dignidade que ele merece. A campanha online continua sendo a principal ferramenta para concretizar esse desejo e oferecer suporte à esposa Carlha em sua recuperação.
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