Investigação aponta esquema de fraude eleitoral em Santa Vitória
A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que investigava denúncias de irregularidades nas eleições municipais de 2020 em Santa Vitória. O ex-prefeito Isper Salim Curi e o ex-vice-prefeito Renato José de Paula foram indiciados sob a suspeita de liderarem um esquema de compra de votos, além de outras práticas ilícitas. Ao todo, sete pessoas, incluindo aliados políticos e empresários, foram responsabilizadas pela corporação.
política: cenário e impactos
As apurações, que se arrastam desde o período do pleito, indicam que o grupo teria utilizado o fornecimento irregular de combustível como moeda de troca por apoio político. Além da compra de votos, o relatório policial aponta a ocorrência de Caixa 2, falsidade ideológica eleitoral e associação criminosa. O inquérito foi formalmente encaminhado à 308ª Zona Eleitoral de Santa Vitória na quarta-feira (13).
A dinâmica do esquema e a operação Jogo Limpo
O caso ganhou notoriedade ainda em 2020, quando o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou a operação Jogo Limpo. A ação visava desarticular o fornecimento de vantagens indevidas a eleitores. Na ocasião, agentes apreenderam computadores, dispositivos de armazenamento e planilhas contábeis em postos de combustíveis e sedes de empresas ligadas aos investigados.
Segundo o delegado Leonardo Spínola, as provas periciais e análises contábeis foram fundamentais para o desfecho do inquérito. O esquema envolvia não apenas os candidatos, mas também secretários municipais da época, coordenadores de campanha e proprietários de estabelecimentos comerciais que facilitavam a distribuição do combustível. As penas somadas para os crimes investigados podem atingir até 12 anos de reclusão.
Histórico de cassações e idas e vindas na Justiça
A trajetória jurídica deste caso é marcada por sucessivas decisões e anulações. Em 2022, a Justiça Eleitoral de primeira instância chegou a cassar os mandatos de Isper Salim Curi e Renato José de Paula por abuso de poder econômico. A sentença baseou-se na distribuição de mais de R$ 26 mil em combustíveis durante uma carreata, que teria beneficiado pelo menos 553 veículos.
No entanto, o processo enfrentou diversos percalços processuais. Em setembro de 2023, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) anulou a condenação original, citando cerceamento de defesa. Após uma nova sentença de cassação em agosto de 2024, o tribunal voltou a anular o processo em março de 2025 pelo mesmo motivo. Atualmente, a ação de cassação segue em tramitação na comarca local, aguardando um novo desfecho judicial.
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