A Rockstar Games, hoje sinônimo de superproduções como Grand Theft Auto e Red Dead Redemption, nem sempre operou no ritmo de lançamentos espaçados que a caracteriza atualmente. Houve um tempo em que o estúdio, e sua controladora Take-Two Interactive, era uma força prolífica no mercado, publicando e desenvolvendo uma vasta gama de títulos anualmente. No entanto, a ascensão de GTA V, que vendeu mais de 230 milhões de unidades desde 2013, e a imensa expectativa em torno de GTA VI, previsto para 19 de novembro de 2026, acabaram por ofuscar grande parte do seu catálogo anterior.
Nesse cenário de jogos cada vez mais ambiciosos e caros, o legado da Rockstar vai muito além dos seus blockbusters mais conhecidos. Muitos títulos, que foram cruciais para a formação da identidade da empresa, acabaram caindo no esquecimento. O Portal de Notícias do Kardec mergulha na história da desenvolvedora para resgatar dez desses jogos que, apesar de terem sido lançados sob o selo da Rockstar, são pouco lembrados pelo público geral.
Rockstar e a evolução da indústria de games
Fundada em 1998 em Nova Iorque por Terry Donovan, Gary Foreman, Jamie King e os irmãos Dan e Sam Houser, a Rockstar Games nasceu como uma subsidiária da Take-Two Interactive. Rapidamente, incorporou diversas produtoras adquiridas pelo conglomerado, como a DMA Design, que mais tarde se tornaria a Rockstar North, peça fundamental na criação de Grand Theft Auto. Nos seus primeiros anos, a empresa não apenas desenvolvia franquias próprias, mas também atuava como uma publicadora ativa, expandindo seu catálogo com títulos de variados gêneros e origens. Essa fase de experimentação e diversificação é um contraste marcante com a estratégia atual, focada em poucas, mas gigantescas, produções.
Títulos inesperados e parcerias marcantes
A lista de jogos menos conhecidos da Rockstar revela uma diversidade surpreendente, incluindo licenças de filmes e incursões em gêneros que hoje seriam impensáveis para o estúdio. Muitos desses jogos foram desenvolvidos por estúdios parceiros ou subsidiárias que ainda estavam se consolidando sob a bandeira da Rockstar.
- Austin Powers: Oh, Behave! (2000 – Game Boy Color): Desenvolvido pela Tarantula Studios, este jogo de minigames inspirado na comédia de espionagem dos anos 90 foi criticado pela execução precária e baixa qualidade.
- Austin Powers: Welcome to My Underground Lair! (2000 – Game Boy Color): Lançado junto com o anterior, também para Game Boy Color, seguia a mesma premissa de minijogos, mas com foco no vilão Dr. Evil. A recepção da crítica foi igualmente desfavorável.
- Evel Knievel (1999 – Game Boy Color): Um jogo de plataforma labiríntico onde o jogador pilota uma moto, buscando bandeiras e gerenciando combustível e vida. O controle truncado e a dificuldade em manobrar o veículo tornaram a experiência desafiadora.
- Oni (2001 – PS2): Um jogo de ação e ficção científica com estética de anime, produzido pela Bungie (hoje conhecida por Halo e Destiny). A versão para PS2 foi desenvolvida pela divisão canadense da Rockstar. Elogiado pela animação e combate, teve recepção mediana, com a ausência de multiplayer em LAN sendo um ponto negativo.
- Earthworm Jim 3D (1999 – Nintendo 64): A Rockstar Games foi a distribuidora nos Estados Unidos para este título que marcou uma transição conturbada da franquia para o 3D. O jogo perdeu muito do charme dos originais e teve um ciclo de desenvolvimento problemático.
- Wild Metal Country / Wild Metal (1999/2000 – PC, Dreamcast): Publicado pela Rockstar e desenvolvido pela DMA Design (futura Rockstar North), este jogo de combate tático entre tanques em planetas desérticos foi elogiado pelo gameplay, mas criticado pelos cenários vazios e ritmo lento.
- State of Emergency (2002 – PS2, Xbox, PC): Um jogo de ação caótico que colocava o jogador em meio a tumultos e protestos. Apesar de ter sido um dos primeiros títulos da Rockstar a explorar temas de desordem social, não alcançou o mesmo reconhecimento de outros jogos da empresa.
- The Warriors (2005 – PS2, Xbox): Baseado no clássico filme de culto de 1979, este beat ‘em up foi elogiado por sua fidelidade à obra original e pela jogabilidade envolvente, sendo considerado um dos melhores jogos baseados em filmes da época.
- Manhunt 2 (2007 – PS2, PSP, Wii, PC): A sequência do controverso Manhunt, conhecida por sua violência gráfica e atmosfera sombria. O jogo enfrentou problemas de censura em vários países, mas manteve a reputação da Rockstar de desafiar limites.
- Midnight Club: L.A. Remix (2008 – PSP): Uma versão portátil do popular jogo de corrida de mundo aberto Midnight Club: Los Angeles. Embora tenha sido bem recebido como uma adaptação para o portátil, é frequentemente ofuscado pelos títulos maiores da franquia.
O legado além dos blockbusters
Apesar de muitos desses jogos não terem atingido o status de cult ou o sucesso comercial de Grand Theft Auto ou Red Dead Redemption, eles representam uma parte importante da trajetória da Rockstar. Eles mostram a evolução do estúdio, sua disposição para experimentar diferentes gêneros e licenças, e o caminho percorrido até se tornar a potência que é hoje. Aclamada pela crítica, a Rockstar possui jogos como GTA IV (nota 98 no Metacritic), GTA V e Red Dead Redemption 2 (ambos com 97), e GTA III e GTA: San Andreas (ambos com 95), que solidificaram sua reputação de excelência.
Com a indústria de videogames em constante transformação, é fascinante olhar para trás e reconhecer as raízes de um dos maiores nomes do entretenimento. Esses 10 jogos esquecidos são um lembrete de que o sucesso atual da Rockstar é fruto de uma longa história de inovação, riscos e, por vezes, de títulos que, embora não tenham se tornado ícones, contribuíram para moldar o que a empresa é hoje.
Para continuar explorando as curiosidades do mundo dos games, tecnologia e muito mais, acompanhe o Portal de Notícias do Kardec. Nosso compromisso é trazer informações relevantes, atualizadas e contextualizadas para você.