Um levantamento recente realizado pela EPR Triângulo, concessionária responsável por nove rodovias estaduais na região do Triângulo Mineiro, acende um alerta preocupante sobre a segurança viária. Os dados, obtidos em primeira mão pela TV Integração, revelam que uma parcela significativa de veículos pesados e leves trafega sem que seus ocupantes utilizem o cinto de segurança, um dispositivo fundamental para a proteção em caso de acidentes.
A pesquisa, conduzida em abril de 2026, utilizou a observação direta de motoristas e passageiros nas cabines de caminhões e outros veículos em oito praças de pedágio. O foco não foi o número total de pessoas, mas sim a quantidade de veículos com ao menos um ocupante sem o cinto. Os resultados são alarmantes e reforçam a necessidade de campanhas contínuas e fiscalização rigorosa para conscientizar os usuários das estradas.
A persistência do risco nas rodovias do Triângulo
No panorama geral dos mais de 600 quilômetros de rodovias administradas pela concessionária, os números são claros: 23,1% dos caminhões, carretas e bitrens foram flagrados com pelo menos um ocupante sem o cinto de segurança. Isso significa que, em média, um a cada quatro veículos pesados que circulam pelo Triângulo Mineiro desrespeita essa norma básica de segurança.
Embora a situação seja mais crítica entre os veículos pesados, a adesão ao cinto em veículos leves também preocupa. O levantamento indicou que 9,4% de carros, caminhonetes e vans passaram pelas praças de pedágio com ao menos um passageiro ou o motorista sem o equipamento de proteção. Essa porcentagem, embora menor, ainda representa um risco considerável para milhares de usuários diariamente.
O cenário crítico por trecho: o ranking da despreocupação
A pesquisa detalhou os trechos mais críticos, revelando onde a negligência com o cinto de segurança é mais acentuada. Entre os veículos pesados, a BR-365, no trecho de Monte Carmelo, lidera o ranking com 42% dos caminhões trafegando sem o cinto. Logo em seguida, a BR-462, em Patrocínio, registra 39% de infrações.
Outros trechos com índices elevados para veículos pesados incluem a MGC-452, em Uberaba (27,5%), a MG-427, em Água Comprida (26,6%), e a LMG-798, em Nova Ponte (22,9%). Para veículos leves, os trechos de Patrocínio (MGC-462, com 14,3%), Monte Carmelo (BR-365, com 14,1%) e Água Comprida (MG-427, com 11%) também se destacam negativamente.
Tecnologia e fiscalização: novas ferramentas contra a infração
Diante desses números, a EPR Triângulo e as autoridades de trânsito estão intensificando as ações. O gerente de operações da concessionária, Fábio Schoba, ressalta que, apesar de a obrigatoriedade do cinto de segurança já ter quase três décadas, muitos usuários ainda ignoram essa proteção vital. “O cinto não é apenas uma regra: é um dispositivo que salva vidas”, afirmou Schoba, destacando o compromisso da concessionária em reverter esse quadro.
A concessionária informou que os dados foram compartilhados com as polícias de Minas Gerais, e parcerias estão sendo elaboradas para a realização de campanhas e blitz educativas, visando incentivar o comportamento positivo dos motoristas. Além disso, uma importante inovação tecnológica foi implementada: câmeras com Inteligência Artificial foram instaladas em pontos estratégicos próximos a Uberlândia, Nova Ponte e Monte Carmelo para auxiliar na fiscalização de infrações.
As consequências e o impacto na segurança viária
Ignorar o uso do cinto de segurança, seja como motorista ou passageiro, configura uma infração grave, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A penalidade inclui multa de R$ 195,23 e a adição de 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Contudo, o impacto vai muito além das sanções administrativas.
Entre 2025 e 2026, 35% dos acidentes fatais registrados nos trechos administrados pela concessionária tiveram a falta do cinto como fator potencializador. Muitas vítimas foram ejetadas do veículo ou sofreram ferimentos graves que poderiam ter sido evitados. O sargento da Polícia Militar Rodoviária, Michel Frank, responsável pelo policiamento nas rodovias estaduais, enfatiza a importância do equipamento.
“O cinto de segurança foi projetado com dois princípios básicos: o primeiro é garantir que motorista e passageiros não sejam ejetados do veículo. Em um acidente de trânsito, eles podem ter lesões mais graves. A segunda função é evitar que eles colidam com as partes fixas do veículo em uma freada brusca. O impacto pode causar fraturas internas que podem levar à morte”, explicou o sargento, reforçando a urgência de uma mudança de comportamento.
A segurança nas estradas é uma responsabilidade compartilhada. A conscientização sobre o uso do cinto de segurança, aliada à fiscalização e ao avanço tecnológico, é crucial para reduzir o número de acidentes e preservar vidas. O Portal de Notícias do Kardec continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa questão vital, trazendo informações relevantes e contextualizadas para nossos leitores.