Redução da demanda hospitalar em Três Corações
O Hospital São Sebastião, localizado em Três Corações, no Sul de Minas, iniciou o processo de desmobilização dos leitos de UTI abertos emergencialmente para o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A medida, que teve início há cerca de dez dias, reflete a queda sustentada no número de internações registradas desde agosto, após um período crítico de alta demanda na rede hospitalar mineira.
A estrutura, montada em junho para enfrentar o pico sazonal de doenças respiratórias, oferecia um suporte vital de 19 leitos adultos e 14 pediátricos. Durante o período de maior pressão assistencial, o hospital operou com uma taxa média de ocupação de 90% nos leitos adultos, enquanto a ala pediátrica manteve uma média de 40% de utilização, atendendo pacientes não apenas do Sul de Minas, mas também da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Sazonalidade e controle da síndrome
Segundo Vanderlei Toledo, diretor do Hospital São Sebastião, o cenário atual é de estabilidade. O pico da crise ocorreu entre meados de junho e o final de julho, período em que as condições climáticas e a sazonalidade das infecções respiratórias elevaram drasticamente as internações. Com a mudança de temperatura e o arrefecimento dos casos a partir de agosto, a necessidade de manter a estrutura emergencial deixou de ser justificada.
O encerramento das atividades nestes leitos específicos segue uma diretriz do Ministério da Saúde, que sinalizou a não renovação do contrato para a manutenção da estrutura temporária. Para gerenciar a transição, foi estabelecida uma sala de crise envolvendo a Superintendência Regional de Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde de Três Corações e a administração hospitalar, visando garantir a continuidade do tratamento dos pacientes remanescentes.
Desafios na regulação de pacientes
A transferência dos pacientes internados está sendo coordenada pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Core), do governo de Minas Gerais. O órgão busca vagas disponíveis em outras unidades de saúde do estado, utilizando um sistema de monitoramento em tempo real para identificar a disponibilidade de leitos adequados ao quadro clínico de cada indivíduo.
A logística de transferência, no entanto, gera apreensão entre familiares. A comerciante Dulcineia Paulino de Lima, de Varginha, relata a dificuldade enfrentada por quem possui parentes internados na unidade. “Nós estamos com medo até deles não aguentarem a viagem”, afirmou, destacando a preocupação com a distância e a fragilidade dos pacientes. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a busca por vagas segue um protocolo contínuo e, até a última atualização, apenas um paciente ainda aguardava a definição de transferência.
O Hospital São Sebastião reforçou que, apesar da desativação da ala emergencial, a instituição mantém o funcionamento normal de seus 10 leitos fixos de UTI, garantindo a continuidade do atendimento à população. Para mais informações sobre a saúde pública na região, continue acompanhando o Portal de Notícias do Kardec, seu compromisso diário com a informação precisa e contextualizada.