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Semaglutida estreia no SUS em projeto-piloto do Ministério da Saúde para obesidade grave no RS

© REUTERS/Hollie Adams/Proibida reprodução
© REUTERS/Hollie Adams/Proibida reprodução

O Ministério da Saúde anunciou, em uma sexta-feira, 26 de junho de 2026, o lançamento de um projeto-piloto inovador que visa incorporar a semaglutida no tratamento de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que terá como palco o Rio Grande do Sul, representa um passo significativo na abordagem da obesidade grave no contexto da saúde pública brasileira, buscando avaliar a efetividade e o impacto financeiro do medicamento.

Este projeto será implementado no Grupo Hospitalar Conceição, uma instituição de referência no estado, e focará em pacientes com obesidade que já recebem acompanhamento médico. A expectativa é que os resultados obtidos ao longo do estudo forneçam dados cruciais para futuras decisões sobre a incorporação mais ampla da semaglutida no rol de tratamentos oferecidos pelo SUS.

Contextualização da Semaglutida e o Desafio da Obesidade

A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, pertencentes à classe dos agonistas do receptor GLP-1. Inicialmente desenvolvida para o tratamento do diabetes tipo 2, a substância demonstrou grande eficácia na promoção da perda de peso, o que a tornou uma ferramenta valiosa no combate à obesidade.

A obesidade é reconhecida como uma doença crônica complexa e um grave problema de saúde pública global, com crescentes taxas de prevalência no Brasil. Ela está associada a uma série de comorbidades, como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e certos tipos de câncer, impactando significativamente a qualidade de vida dos indivíduos e gerando altos custos para os sistemas de saúde. A busca por tratamentos eficazes e acessíveis é, portanto, uma prioridade.

Detalhes do Projeto-Piloto e Critérios de Seleção

O projeto-piloto tem como principal objetivo avaliar a efetividade clínica, o impacto na qualidade de vida dos pacientes e, crucialmente, o custo-benefício da semaglutida no tratamento da obesidade dentro do SUS. Serão contemplados 250 pacientes que já são acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição e que apresentam obesidade grave ou associada a outras morbidades, como comprometimento cardíaco, além de terem indicação para cirurgia bariátrica.

A escolha desse perfil de paciente reflete a realidade assistencial da unidade, onde a maioria dos pacientes com obesidade apresenta a forma mórbida da doença e muitos não possuem condições clínicas para a realização de cirurgia bariátrica. A hipertensão arterial, por exemplo, é uma comorbidade altamente prevalente nesse grupo.

Ao longo de dois anos, o estudo monitorará indicadores essenciais, incluindo o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos envolvidos em todo o processo. Os recursos para a pesquisa serão transferidos ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com aporte financeiro da produtora do medicamento.

Para serem selecionados, os pacientes, além de já estarem em acompanhamento no Grupo Hospitalar Conceição, devem ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses, apresentar falha documentada no tratamento clínico convencional (como dietas estruturadas e atividade física regular por no mínimo dois meses) e ter capacidade de realizar a autoaplicação da medicação ou contar com um cuidador.

O Custo Elevado e o Debate sobre a Incorporação no SUS

A decisão de iniciar um projeto-piloto com a semaglutida no SUS surge após um período de intenso debate sobre a incorporação de medicamentos da classe GLP-1 na rede pública. Em agosto de 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou ao Ministério da Saúde a não incorporação da liraglutida e da semaglutida.

O principal entrave para a inclusão desses medicamentos no SUS, solicitada pela Novo Nordisk – farmacêutica fabricante do Wegovy, que contém semaglutida –, é o elevado custo. Segundo estimativas da pasta, o impacto financeiro anual da incorporação da liraglutida e da semaglutida seria de aproximadamente R$ 8 bilhões, um valor que representa um desafio considerável para o orçamento da saúde pública.

Perspectivas Futuras para o Acesso e a Produção Nacional

Apesar do alto custo inicial, o cenário para o acesso a esses medicamentos no Brasil pode evoluir. A Fiocruz, por exemplo, já firmou acordos para a produção nacional de “canetas emagrecedoras”, o que poderia, a médio e longo prazo, reduzir os custos e ampliar a disponibilidade. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem aprovado análogos ao Ozempic (outro medicamento com semaglutida, focado em diabetes), indicando um mercado em expansão e a possibilidade de maior concorrência.

A alta demanda por esses medicamentos, inclusive com registros de venda clandestina, sublinha a urgência de soluções regulamentadas e acessíveis. O projeto-piloto do Ministério da Saúde é, portanto, uma etapa fundamental para entender como integrar esses tratamentos de forma sustentável e equitativa no SUS, garantindo que a inovação terapêutica chegue a quem mais precisa, sem comprometer a saúde financeira do sistema.

O avanço da ciência e a necessidade de combater doenças crônicas como a obesidade impulsionam o SUS a buscar soluções inovadoras. O projeto com a semaglutida no Rio Grande do Sul é um exemplo desse esforço, que pode moldar o futuro do tratamento da obesidade no país. Convidamos você a continuar acompanhando as análises e desdobramentos deste e de outros temas relevantes para a saúde pública brasileira no Portal de Notícias do Kardec, seu compromisso com informação de qualidade e contextualizada.

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