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Vale da Eletrônica busca no Vietnã a chave para semicondutores e autonomia tecnológica do Brasil

Vale da Eletrônica busca no Vietnã a chave para semicondutores e autonomia tecnológica do Brasil
Eletrônica Divulgação

Em um movimento estratégico para fortalecer a indústria nacional e garantir maior autonomia tecnológica, uma missão técnica do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (SINDVEL), com o apoio do Sebrae Minas, está em solo vietnamita. A iniciativa, que ocorre entre os dias 3 e 12 de agosto, visa identificar oportunidades de cooperação em áreas cruciais como microeletrônica, semicondutores, chips e memórias, componentes essenciais para a economia digital global.

A comitiva, composta pelo presidente do SINDVEL, Roberto de Souza Pinto, pela gestora do Sebrae Vale da Eletrônica, Myrian Sousa, e por empresários locais, reflete a ambição de Santa Rita do Sapucaí, conhecido como o Vale da Eletrônica, em se posicionar de forma mais robusta no cenário tecnológico internacional. A busca por alternativas de fornecimento e desenvolvimento próprio é um imperativo em um mundo onde a cadeia de suprimentos de alta tecnologia tem demonstrado vulnerabilidades.

Avanço em semicondutores: a busca por autonomia tecnológica

O setor de semicondutores é o motor da inovação moderna, presente em praticamente todos os dispositivos eletrônicos, da inteligência artificial aos carros autônomos. A dependência externa nesse campo representa não apenas um risco econômico, mas também de segurança nacional. A iniciativa do Vale da Eletrônica surge em um momento oportuno, às vésperas de o polo mineiro completar 40 anos em 2026, um marco que, segundo Roberto de Souza Pinto, exige uma nova fase de desenvolvimento.

O objetivo é claro: criar condições para que as empresas do Vale desenvolvam tecnologias dedicadas aos próprios produtos, agregando valor à indústria brasileira de alta tecnologia e reduzindo a dependência de mercados específicos, como o chinês. “Ter alternativas além da China e desenvolver maior autonomia tecnológica é essencial para garantir sustentabilidade, segurança produtiva e competitividade para nossas empresas”, afirmou Roberto, sublinhando a importância estratégica da diversificação.

O Vale da Eletrônica e a necessidade de diversificação

O Brasil, embora tenha um setor de tecnologia em crescimento, ainda enfrenta desafios significativos na produção de componentes de alta complexidade. A pandemia de COVID-19 expôs a fragilidade das cadeias de suprimentos globais, especialmente no que tange aos semicondutores, gerando escassez e impactando diversas indústrias. Nesse contexto, a proatividade de polos como o Vale da Eletrônica é vital para a resiliência econômica do país.

A meta de longo prazo do SINDVEL é ambiciosa: até 2035, o Vale da Eletrônica busca desenvolver competências para criar máquinas, equipamentos e sistemas autônomos de alto valor agregado. Isso inclui o fortalecimento da capacidade de desenvolver chips e memórias dedicadas para setores como o industrial, agrícola, hospitalar, da construção civil e residencial, pavimentando o caminho para uma independência tecnológica mais ampla.

Vietnã: um novo horizonte para a cooperação tecnológica

A escolha do Vietnã como parceiro estratégico não é aleatória. Após os primeiros contatos, o SINDVEL avalia que o país asiático reúne características ideais para essa cooperação. “O Vietnã reúne uma cadeia produtiva consolidada em eletrônicos, mão de obra altamente qualificada, ambiente favorável à transferência de tecnologia e políticas voltadas à atração de investimentos. Isso nos faz acreditar que essa é a parceria que mais se alinha aos nossos objetivos”, observou Roberto.

O Vietnã tem se destacado como um polo de manufatura e inovação tecnológica, atraindo investimentos de grandes empresas globais e desenvolvendo um ecossistema robusto. Essa experiência pode ser um catalisador para o avanço do Vale da Eletrônica, oferecendo um modelo de desenvolvimento e oportunidades de intercâmbio de conhecimento e tecnologias.

Agenda estratégica e os próximos passos da parceria

A programação da missão foi intensa, com reuniões estratégicas e visitas técnicas. A comitiva se encontrou com representantes da Vietnam Electronics Industries Association (VEIA), da Embaixada do Brasil em Hanói e da Foreign Investment Agency (FIA), discutindo temas como investimentos, transferência de tecnologia, internacionalização e a aproximação entre empresas, universidades e centros de inovação.

Além disso, foram realizadas visitas a instituições de ponta, como o National Innovation Center (NIC), o Parque Tecnológico de Hoa Lac, a Vietnam National University (VNU), a Hanoi University of Science and Technology (HUST), a Industrial Technology World Asia Vietnam (ITWA Vietnam 2026) e a FPT Corporation, um dos maiores grupos de tecnologia do Vietnã. Esses encontros permitiram um diálogo aprofundado sobre formação de talentos, inteligência artificial, semicondutores e transformação digital. Para mais informações sobre o mercado global de semicondutores, clique aqui.

Impactos esperados para a indústria brasileira

Os resultados esperados da missão vão além da simples prospecção de negócios. O SINDVEL prevê a criação de uma agenda permanente de relacionamento entre o Vale da Eletrônica e o Vietnã. Essa agenda incluirá a participação de empresas em feiras internacionais, a aproximação entre universidades, centros de pesquisa e indústria, e a prospecção de novos mercados e projetos conjuntos de inovação. Tais iniciativas são cruciais para a inserção do Brasil em cadeias de valor globais de alta tecnologia e para o desenvolvimento de um ecossistema de inovação mais dinâmico.

A busca por parcerias estratégicas como esta demonstra a visão de futuro do Vale da Eletrônica e seu compromisso com o avanço tecnológico do Brasil. Acompanhe o Portal de Notícias do Kardec para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que impactam a sociedade, a economia e o desenvolvimento do país, com análises aprofundadas e conteúdo de qualidade.

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