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TCU investiga compra de trens usados pelo metrô do Recife após denúncia de sobrepreço

Foto: Reprodução/Sindimetro
Foto: Reprodução/Sindimetro

Apuração de irregularidades na aquisição ferroviária

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a abertura de uma investigação para apurar possíveis irregularidades na compra de seis trens usados, que pertenciam ao metrô de Belo Horizonte, pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) do Recife. A transação, avaliada em R$ 60 milhões, tornou-se alvo de questionamentos devido a indícios de sobrepreço e preocupações com a obsolescência tecnológica das composições.

A decisão, proferida pelo ministro Jorge Oliveira na quarta-feira (24), atende a uma denúncia que aponta discrepâncias significativas nos valores praticados. Segundo o relato, os mesmos veículos teriam sido negociados anteriormente por cerca de R$ 4,2 milhões. Além disso, o denunciante destacou que uma empresa privada chegou a oferecer sete unidades à estatal por R$ 28 milhões, valor substancialmente inferior ao montante final pago à concessionária Metrô BH.

Contexto técnico e a decisão do tribunal

Além do aspecto financeiro, a qualidade dos equipamentos é um ponto central da controvérsia. As composições da Série 900 possuem cerca de 40 anos de uso e já haviam sido retiradas de circulação na capital mineira. Especialistas e o denunciante alertam para o risco de desgaste elevado e a presença de tecnologias defasadas, o que poderia comprometer a eficiência do sistema de transporte em Pernambuco.

Apesar da gravidade das alegações, o ministro relator negou o pedido de medida cautelar que visava suspender a negociação. O entendimento do tribunal é que a interrupção imediata do contrato poderia agravar a crise no metrô do Recife, que enfrenta problemas estruturais severos e possui uma frota com previsão de fim de vida útil para abril de 2027. A compra, portanto, é tratada como uma solução emergencial para manter a operação do modal.

Próximos passos da fiscalização

O TCU estabeleceu um prazo rigoroso de 15 dias para que a CBTU apresente toda a documentação referente à operação. O material solicitado inclui contratos, ordens de compra, registros de pagamentos e o processo administrativo completo. A análise desses documentos será fundamental para determinar se houve superfaturamento ou prejuízo aos cofres públicos.

A concessionária Metrô BH, por meio de nota, orientou que os questionamentos sobre a aquisição sejam direcionados à CBTU. Até o momento, a estatal federal não se manifestou sobre as suspeitas levantadas. O Portal de Notícias do Kardec segue acompanhando o desdobramento deste caso, comprometido em trazer informações apuradas sobre a gestão de recursos públicos e a qualidade do transporte coletivo no Brasil.

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