O impasse administrativo em Itaúna
O vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, segue recebendo mensalmente a quantia de R$ 11.258,21 dos cofres públicos, mesmo sem comparecer à sede da Prefeitura há quase um ano. O registro, disponível no Portal da Transparência, mantém o político na folha de pagamento do município, apesar de sua ausência física nas atividades do Executivo desde 15 de setembro de 2025.
A situação é resultado de um longo embate jurídico que envolve desde decisões administrativas locais até intervenções do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O caso ganhou contornos complexos após o político tornar-se alvo de investigações federais de grande vulto, o que desencadeou uma série de medidas cautelares e contestações judiciais sobre a legitimidade de seu mandato.
Cronologia de uma vacância contestada
A controvérsia sobre o exercício do cargo teve um ponto crítico em janeiro de 2026, quando a Câmara Municipal de Itaúna declarou a vacância do posto de vice-prefeito. A decisão legislativa baseou-se no fato de que Hidelbrando permaneceu fora do país por período superior a 15 dias sem a devida autorização da casa, configurando, segundo os parlamentares, o abandono da função pública.
Contudo, a defesa do político recorreu ao Poder Judiciário. Em abril, a 2ª Câmara Cível do TJMG reverteu o cenário por meio de uma decisão liminar. A desembargadora Maria Cristina Cunha Carvalhais argumentou que a perda do cargo ocorreu sem a observância do devido processo administrativo, impedindo o contraditório e a ampla defesa. Além disso, o tribunal entendeu que a ausência não poderia ser classificada como abandono voluntário, visto que o político estava submetido a determinações judiciais correlatas às investigações em curso.
Operação Rejeito e desdobramentos federais
O afastamento inicial de Hidelbrando das atividades presenciais coincidiu com a deflagração da Operação Rejeito, conduzida pela Polícia Federal em setembro de 2025. Naquele momento, o vice-prefeito encontrava-se nos Estados Unidos, o que levou a PF a solicitar sua prisão preventiva. Após retornar ao Brasil em fevereiro de 2026, ele passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Recentemente, o nome de Hidelbrando foi incluído em um novo desdobramento, a Operação Intrafortis. Ele foi indiciado por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação aponta para um esquema envolvendo direitos minerários avaliados em mais de R$ 200 milhões. O grupo investigado incluiria empresários, um ex-deputado estadual e dois delegados da Polícia Federal. É importante ressaltar que o indiciamento é uma etapa da investigação policial e não implica, até o momento, em condenação definitiva.
Posicionamento das autoridades
A Prefeitura de Itaúna, que chegou a suspender o pagamento do subsídio em outubro de 2025 sob a justificativa de que o salário pressupõe o exercício efetivo da função, precisou readequar sua conduta após a decisão do TJMG. A administração municipal informou que aguarda as comunicações formais da Justiça para definir os próximos passos administrativos.
A defesa de Hidelbrando sustenta que a viagem ao exterior foi programada previamente e não teve relação com uma tentativa de fuga. Os advogados afirmam que ele se colocou à disposição das autoridades ao retornar ao país e que os fatos investigados não possuem conexão com sua atuação política no município. A expectativa é que a inocência do vice-prefeito seja comprovada durante o trâmite processual.
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